Daniela Prandi

Daniela Prandi, paulista, jornalista, fanática por cinema, vai do pop ao cult mas não passa nem perto de filmes de terror. Louca por livros, gibis, arte, poesia e tudo o mais que mexa com as palavras em movimento, vive cada sessão de cinema como se fosse a última.

“Mulheres do Século 20” ensina o novo homem a amar a nova mulher

Como criar o filho para um novo mundo? (Foto Divulgação)

Há um otimismo sobre como a sociedade poderia ser construída em “Mulheres do Século 20” que chega a doer olhar em volta e não entender como aquilo deu nisso. É 1979, na ensolarada Califórnia, e nesta nostálgica viagem no tempo do diretor Mike Mills entramos na vida de três mulheres, uma nasceu nos anos 1920, uma nos anos 1950 e uma nos anos 1960. Elas estão em torno de uma missão em comum: como fazer do adolescente Jamie (Lucas Jade Zumann) um homem preparado para amar e respeitar a nova – e revolucionária – mulher que começa a ganhar forma? O norte-americano Mike Mills foi criado sozinho pela mãe em uma casa enorme na Califórnia e para manter a residência alguns quartos eram alugados. O roteirista e cineasta teve, assim, a oportunidade de conhecer pessoas bem diversas durante sua infância …

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“Borg vs. McEnroe”, o jogo entre o gelo e o fogo em um filme que deu match

LaBeouf e Gudnason, como McEnroe e Borg (Foto Divulgação)

De volta a 1980, final de Wimbledon. Björn Borg e John McEnroe em uma batalha que os comentaristas da época anunciavam como “o jogo entre o gelo e o fogo”. O filme “Borg vs. McEnroe”, estreia do documentarista Janus Metz no cinema de ficção, recria com emoção, tensão e criatividade uma das rivalidades históricas do tênis em um filme que vai além do vai e vem da bolinha. E deu match. Muitos. Aos 24 anos, o sueco Björn Borg, vivido no filme por Sverrir Gudnason, sofria a pressão de conquistar seu quinto título seguido na prestigiada competição, sempre sem demonstrar nenhuma emoção. Do outro lado da quadra estava o norte-americano John McEnroe, muito bem representado por Shia LaBeouf, de 20 anos, conhecido por seu temperamento explosivo, em busca de seu primeiro título. Nenhum dos atores joga tênis, mas a magia …

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A jornada de “Gabriel e a Montanha” é a do homem contra a sua natureza

Cena do filme impecável, premiado em Cannes (Foto Divulgação)

Logo na bela primeira cena de “Gabriel e a Montanha” já se sabe o destino do protagonista, Gabriel Buchmann, carioca que desapareceu ao escalar sozinho o pico Mulanje, no Malaui, com mais de 3 mil metros de altitude, em 2009. Em um sofisticado plano-sequência de abertura, dois homens cortam capim e um deles encontra seu corpo, desaparecido há 19 dias, em uma história que comoveu família e amigos mas que, agora, ganha amplitude no cinema em um filme impecável, premiado em Cannes, elogiado pela crítica europeia e que finalmente chega aos cinemas no Brasil. A morte de Gabriel, que no filme é interpretado por João Pedro Zappa, foi o resultado de suas decisões, muitas delas desafios às leis da natureza. No caso “homem versus montanha”, quem perdeu foi o jovem impetuoso, economista interessado em educação social, ou “pobrólogo”, como brincavam …

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Em “Blade Runner 2049” voltamos ao passado para encontrar luz para o futuro

Ryan Gosling é o caçador de replicantes K (Foto Divulgação)

Nem parece que passou tanto tempo. Em 1982, Ridley Scott mudou a história com “Blade Runner”, um filme futurista com roteiro incrível, estética inovadora, elenco afinado e que se tornou cultuado. Muitos sonhavam com uma sequência e eis que aparece “Blade Runner 2049”, que o próprio Scott apresenta como produtor, mas que ninguém se engane: é o franco-canadense Denis Villeneuve quem está no comando. Diretor de filmes marcantes como o recente “A Chegada” e o emocionante “Incêndios”,  Villeneuve honra o filme original, que era ambientado em 2019, e toda a fábula que o envolve de maneira notável. A crítica foi só elogios, mas o filme não teve sucesso nas bilheterias e está com seus dias contados nas salas de cinema. Por isso, se quer ver “2049” como deve ser, na telona, corra. Vale lembrar que “Blade Runner” é baseado em …

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Aos 81 anos, cineasta estreante do clã Coppola prova que Paris pode esperar

Anne é interpretada com leveza por Diane Lane, (Foto Divulgação)

Aos 81 anos, Eleanor Coppola estreou na direção com um filme que nos convida para uma viagem de redescobertas. Sem se intimidar com o fato de ser mulher de Francis F. Coppola e mãe de Sofia Coppola, a “novata” no cinema de ficção (já que já dirigiu um documentário) resolveu se inspirar em um episódio de sua vida ao escrever o roteiro de “Paris pode Esperar”, um delicioso road movie que revela sabores e muito mais em uma viagem de carro de Cannes a Paris. A protagonista Anne, interpretada com leveza e humor por Diane Lane, é a esposa de um magnata do cinema (Alec Baldwin) que está no Festival de Cannes a trabalho. Enquanto espera, gosta de observar pequenos detalhes aqui e ali e fotografa sem parar, com uma pequena e discreta máquina automática. Anne é o alter-ego de …

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“Como Nossos Pais” põe na mesa o conflito mãe e filha e dá vontade de chorar

Família expõe seus conflitos, no quarto filme de Lais Bodanzky (Foto Divulgação)

O almoço em família mal começou e os conflitos já estão no ar. Uma mãe, rodeada pelos filhos e netos, solta aqui e ali duras críticas, daquelas difíceis de engolir. A tensão esquenta na mesma medida que a moqueca feita especialmente para o filho mais velho esfria. Uns assistem calados, mas a filha Rosa (Maria Ribeiro) não aguenta. A guerra de palavras, entre acusações e rancores, termina mal. A mãe (Clarrisse Abujamra) resolve revelar, para toda a família, um segredo guardado pela vida toda: a filha é fruto de um caso extraconjungal. Assim começa “Como Nossos Pais”, que empresta seu título da música de Belchior, o novo filme de Laís Bodanzky. Em seu quarto filme, a diretora, a mesma de “O Bicho de Sete Cabeças” (2000), “Chega de Saudade” (2007) e “As Melhores Coisas do Mundo” (2010), vai pelo caminho …

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E o palhaço o que é? Drogado, frustrado e exagerado em “Bingo – O Rei das Manhãs”

"Bingo - O Rei das Manhãs", um filme que surpreende (Foto Divulgação)

Uma panorâmica pelo Centro de São Paulo não deixa dúvidas. Estamos de volta à década de 1980 e o Mappin se destaca no cenário. Parece que foi ontem quando as manhãs do SBT eram animadas pelo Bozo, um palhaço cuja franquia importada dos EUA conseguiu derrubar a audiência do Xou da Xuxa zoando com as crianças pra valer. A máscara do palhaço foi usada por 12 atores diferentes em dez anos, mas quem entrou para a história foi Arlindo Barreto. E não da melhor maneira. Em sua estreia na direção, Daniel Rezende, mais conhecido como editor do já lendário “Cidade de Deus”, leva para as telas a polêmica trajetória de Arlindo Barreto em “Bingo – O Rei das Manhãs”. Rezende, que tem 42 anos e, na infância, foi ao programa do Bozo, preferiu fazer um filme “inspirado” em fatos reais. …

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O segredo bem guardado do filme “Monsieur & Madame Adelman”

Cena de “Monsieur & Madame Adelman” (Reprodução)

“Monsieur & Madame Adelman” tem um segredo. No chamado boca a boca a produção francesa tem tido sessões lotadas desde que estreou, em março, na França. Sem fazer barulho, chegou ao Brasil em julho e aqui não tem sido diferente. O filme, que marca a estreia na direção do ator francês Nicolas Bedos, já se tornou um daqueles títulos escondidos na programação que se tornam fenômeno. E as sessões continuam lotadas. O roteiro acompanha a vida de um casal desde os anos 1970. O subtítulo em português, aliás, é “Uma história de amor do início ao fim”. A mulher é vivida por Doria Tillier, esposa de Bedos na vida real e co-autora do roteiro. E o filme começa pelo fim. O corpo do protagonista, Victor, vencedor do Goncourt, o prêmio mais importante da literatura francesa, é velado enquanto a viúva, …

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O “milagre ateu” da Flip ou quem quer namorar Pilar, a viúva de Saramago?

Pilar del Rio: momentos especiais na Flip 2017 (Foto Daniela Prandi)

Desde “José e Pilar”, documentário que revelou a intimidade intelectual do casal José Saramago e Pilar del Río, a personalidade provocadora da jornalista espanhola chamou minha atenção. Anos depois, conferir sua apresentação no lugar destinado ao altar da Igreja Matriz, palco central da Flip 2017, a Feira Literária Internacional de Paraty (RJ), foi um “milagre ateu”, como a própria definiu. Pilar brilhou na mais politizada das edições da Flip, que chegou aos 15 anos com muitas mulheres na programação após a polêmica edição anterior, que teve um reduzido número de convidadas. Foi a estrela entre escritores e aficionados que encaravam o tortuoso caminho pelas ruas de pedra entre a Matriz e a Casa Amado Saramago, um dos pontos altos da programação paralela. Para muitos, a missão (cumprida) era conseguir uma foto, uma palavra, um autógrafo ou um sorriso de Pilar. …

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O mundo está ruim para você? Em Westeros está muito pior

"Game of Thrones":  sucesso impressionante (Foto Divulgação)

Antes da estreia da sétima e penúltima temporada de “Game of Thrones”, no domingo (16 de julho), parei para conferir uma teoria que tentava explicar o sucesso da série de TV, um verdadeiro fenômeno cultural, ao redor do mundo.  Para resumir: sua vida está ruim, seu país está uma confusão, a violência voltou a te assombrar, seus governantes não te representam e o futuro sabe-se lá como vai ser? Pois bem, em Westeros está pior. Westeros, para quem está chegando agora, é um vasto continente com reinos onde se desenrola a história de GoT (como a série passou a ser conhecida nas redes sociais), que nasceu de uma coleção de seis livros de fantasia do autor George R.R. Martin chamada “A Song of Ice and Fire”. O grande medo é que “o inverno está chegando” e, assim, antes da maior …

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