Daniela Prandi

Daniela Prandi, paulista, jornalista, fanática por cinema, vai do pop ao cult mas não passa nem perto de filmes de terror. Louca por livros, gibis, arte, poesia e tudo o mais que mexa com as palavras em movimento, vive cada sessão de cinema como se fosse a última.

Mulheres e monstros em um Oscar mais inclusivo após as denúncias de assédio

"A forma da água",  um dos fortes candidatos (Foto Divulgação)

O anúncio da lista dos indicados ao Oscar é sempre um acontecimento para quem é fã de cinema e nesta temporada havia um suspense a mais, já que há um movimento pelo boicote a filmes produzidos, escritos e/ou protagonizados por homens da indústria pegos com as calças na mão na avalanche de denúncias de assédio sexual digna dos melhores filmes-catástrofes de Hollywood. Conclusão: tiraram James Franco da festa. Mas não só. O Oscar 2018 mostrou que aprendeu a lição após acusações de discriminação em edições anteriores (apesar de ter esnobado a “Mulher-Maravilha” de sua lista de indicados). Outras “mulheres-maravilhas”, porém, garantiram seu lugar, como a jovem e talentosa Greta Gerwig, que vai concorrer nas categorias melhor direção e melhor roteiro original por seu “Lady Bird”, que recebeu cinco indicações. Também indicaram pela primeira vez uma mulher na categoria melhor fotografia, …

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E se a cura de todos os males for um filme de Woody Allen?

Juno Temple em fuga do marido mafioso (Foto Divulgação)

A virada do ano trouxe um novo Woody Allen aos cinemas e garantiu uma certa dose terapêutica para receber 2018. Afinal, filmes do Woody Allen já foram recomendados como a cura de todos os males, pelo menos em “Paris-Manhattan”, longa da jovem cineasta francesa Sophie Lellouche, que coloca sua protagonista, a farmacêutica Alice (Alice Taglioni), a indicar seus filmes para aliviar as dores da vida. Em “Roda Gigante”, o cineasta, aos 82 anos, mais uma vez faz o seu melhor. Allen sempre fez questão de misturar emoções, e o humor geralmente predomina. Em “Roda Gigante”, porém, o tom é mais do melodrama, apesar do riso nervoso que permanece. Entre rir, se emocionar e se perguntar pra que tanta loucura afinal, vale procurar respostas para perguntas que ainda nem foram feitas, ou, talvez, adotar uma postura defensiva, parecem mostrar seus personagens. …

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“Vermelho Russo”, o inesperado de uma viagem a Moscou

Martha e Maria, as protagonistas do segundo filme do diretor carioca Charly Braun (Foto Divulgação)

Para que o dia seja bom o costume é fazer um carinho no nariz da estátua do cão pastor ao lado do policial, uma das 76 imponentes peças de bronze da estação de metrô Ploschad Revolutsii, em Moscou. Locais e turistas se alternam entre rápidos afagos, selfies e pose para fotos em grupo, enquantos os trens chegam e saem. Recentemente, a tradição foi retratada no filme brasileiro “Vermelho Russo” e, naquele mesmo lugar, repetindo o afago no focinho do cachorro, foi impossível não me lembrar de Martha e Maria, as protagonistas do segundo filme do diretor carioca Charly Braun. Moscou me recebe nos últimos dias de outubro com a primeira neve do fim de ano. São apenas alguns flocos, mas que já deixam branca a paisagem do Parque Gorki, a poucas quadras do hotel. O frio convida para um passeio …

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“Mulheres do Século 20” ensina o novo homem a amar a nova mulher

Como criar o filho para um novo mundo? (Foto Divulgação)

Há um otimismo sobre como a sociedade poderia ser construída em “Mulheres do Século 20” que chega a doer olhar em volta e não entender como aquilo deu nisso. É 1979, na ensolarada Califórnia, e nesta nostálgica viagem no tempo do diretor Mike Mills entramos na vida de três mulheres, uma nasceu nos anos 1920, uma nos anos 1950 e uma nos anos 1960. Elas estão em torno de uma missão em comum: como fazer do adolescente Jamie (Lucas Jade Zumann) um homem preparado para amar e respeitar a nova – e revolucionária – mulher que começa a ganhar forma? O norte-americano Mike Mills foi criado sozinho pela mãe em uma casa enorme na Califórnia e para manter a residência alguns quartos eram alugados. O roteirista e cineasta teve, assim, a oportunidade de conhecer pessoas bem diversas durante sua infância …

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“Borg vs. McEnroe”, o jogo entre o gelo e o fogo em um filme que deu match

LaBeouf e Gudnason, como McEnroe e Borg (Foto Divulgação)

De volta a 1980, final de Wimbledon. Björn Borg e John McEnroe em uma batalha que os comentaristas da época anunciavam como “o jogo entre o gelo e o fogo”. O filme “Borg vs. McEnroe”, estreia do documentarista Janus Metz no cinema de ficção, recria com emoção, tensão e criatividade uma das rivalidades históricas do tênis em um filme que vai além do vai e vem da bolinha. E deu match. Muitos. Aos 24 anos, o sueco Björn Borg, vivido no filme por Sverrir Gudnason, sofria a pressão de conquistar seu quinto título seguido na prestigiada competição, sempre sem demonstrar nenhuma emoção. Do outro lado da quadra estava o norte-americano John McEnroe, muito bem representado por Shia LaBeouf, de 20 anos, conhecido por seu temperamento explosivo, em busca de seu primeiro título. Nenhum dos atores joga tênis, mas a magia …

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A jornada de “Gabriel e a Montanha” é a do homem contra a sua natureza

Cena do filme impecável, premiado em Cannes (Foto Divulgação)

Logo na bela primeira cena de “Gabriel e a Montanha” já se sabe o destino do protagonista, Gabriel Buchmann, carioca que desapareceu ao escalar sozinho o pico Mulanje, no Malaui, com mais de 3 mil metros de altitude, em 2009. Em um sofisticado plano-sequência de abertura, dois homens cortam capim e um deles encontra seu corpo, desaparecido há 19 dias, em uma história que comoveu família e amigos mas que, agora, ganha amplitude no cinema em um filme impecável, premiado em Cannes, elogiado pela crítica europeia e que finalmente chega aos cinemas no Brasil. A morte de Gabriel, que no filme é interpretado por João Pedro Zappa, foi o resultado de suas decisões, muitas delas desafios às leis da natureza. No caso “homem versus montanha”, quem perdeu foi o jovem impetuoso, economista interessado em educação social, ou “pobrólogo”, como brincavam …

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Em “Blade Runner 2049” voltamos ao passado para encontrar luz para o futuro

Ryan Gosling é o caçador de replicantes K (Foto Divulgação)

Nem parece que passou tanto tempo. Em 1982, Ridley Scott mudou a história com “Blade Runner”, um filme futurista com roteiro incrível, estética inovadora, elenco afinado e que se tornou cultuado. Muitos sonhavam com uma sequência e eis que aparece “Blade Runner 2049”, que o próprio Scott apresenta como produtor, mas que ninguém se engane: é o franco-canadense Denis Villeneuve quem está no comando. Diretor de filmes marcantes como o recente “A Chegada” e o emocionante “Incêndios”,  Villeneuve honra o filme original, que era ambientado em 2019, e toda a fábula que o envolve de maneira notável. A crítica foi só elogios, mas o filme não teve sucesso nas bilheterias e está com seus dias contados nas salas de cinema. Por isso, se quer ver “2049” como deve ser, na telona, corra. Vale lembrar que “Blade Runner” é baseado em …

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Aos 81 anos, cineasta estreante do clã Coppola prova que Paris pode esperar

Anne é interpretada com leveza por Diane Lane, (Foto Divulgação)

Aos 81 anos, Eleanor Coppola estreou na direção com um filme que nos convida para uma viagem de redescobertas. Sem se intimidar com o fato de ser mulher de Francis F. Coppola e mãe de Sofia Coppola, a “novata” no cinema de ficção (já que já dirigiu um documentário) resolveu se inspirar em um episódio de sua vida ao escrever o roteiro de “Paris pode Esperar”, um delicioso road movie que revela sabores e muito mais em uma viagem de carro de Cannes a Paris. A protagonista Anne, interpretada com leveza e humor por Diane Lane, é a esposa de um magnata do cinema (Alec Baldwin) que está no Festival de Cannes a trabalho. Enquanto espera, gosta de observar pequenos detalhes aqui e ali e fotografa sem parar, com uma pequena e discreta máquina automática. Anne é o alter-ego de …

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“Como Nossos Pais” põe na mesa o conflito mãe e filha e dá vontade de chorar

Família expõe seus conflitos, no quarto filme de Lais Bodanzky (Foto Divulgação)

O almoço em família mal começou e os conflitos já estão no ar. Uma mãe, rodeada pelos filhos e netos, solta aqui e ali duras críticas, daquelas difíceis de engolir. A tensão esquenta na mesma medida que a moqueca feita especialmente para o filho mais velho esfria. Uns assistem calados, mas a filha Rosa (Maria Ribeiro) não aguenta. A guerra de palavras, entre acusações e rancores, termina mal. A mãe (Clarrisse Abujamra) resolve revelar, para toda a família, um segredo guardado pela vida toda: a filha é fruto de um caso extraconjungal. Assim começa “Como Nossos Pais”, que empresta seu título da música de Belchior, o novo filme de Laís Bodanzky. Em seu quarto filme, a diretora, a mesma de “O Bicho de Sete Cabeças” (2000), “Chega de Saudade” (2007) e “As Melhores Coisas do Mundo” (2010), vai pelo caminho …

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E o palhaço o que é? Drogado, frustrado e exagerado em “Bingo – O Rei das Manhãs”

"Bingo - O Rei das Manhãs", um filme que surpreende (Foto Divulgação)

Uma panorâmica pelo Centro de São Paulo não deixa dúvidas. Estamos de volta à década de 1980 e o Mappin se destaca no cenário. Parece que foi ontem quando as manhãs do SBT eram animadas pelo Bozo, um palhaço cuja franquia importada dos EUA conseguiu derrubar a audiência do Xou da Xuxa zoando com as crianças pra valer. A máscara do palhaço foi usada por 12 atores diferentes em dez anos, mas quem entrou para a história foi Arlindo Barreto. E não da melhor maneira. Em sua estreia na direção, Daniel Rezende, mais conhecido como editor do já lendário “Cidade de Deus”, leva para as telas a polêmica trajetória de Arlindo Barreto em “Bingo – O Rei das Manhãs”. Rezende, que tem 42 anos e, na infância, foi ao programa do Bozo, preferiu fazer um filme “inspirado” em fatos reais. …

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