Daniela Prandi

Daniela Prandi, paulista, jornalista, fanática por cinema, vai do pop ao cult mas não passa nem perto de filmes de terror. Louca por livros, gibis, arte, poesia e tudo o mais que mexa com as palavras em movimento, vive cada sessão de cinema como se fosse a última.

“O Que Está Por Vir” retrata o implacável futuro que nos espera logo ali

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O tempo passa… sabemos que mudanças virão, seja na vida pessoal ou na profissional, e o que há de se fazer? O filme “O Que Está Por Vir” faz uma brilhante reflexão sobre a incapacidade de controlar a passagem do tempo e suas consequências. No original, em francês, o título do filme da cineasta Mia Hansen-Love é justamente L’Avenir, ou seja, “o futuro”. A história começa com a visita ao túmulo do escritor François-René de Chateaubriand (1768-1848), em Saint-Malo, na Bretanha. Isabelle Huppert, que mais uma vez dá um show de interpretação, é a professora parisiense de filosofia Nathalie. Com o marido e os filhos pequenos, presta homenagem ao autor no túmulo solitário encravado na montanha. Anos depois, já cinquentona, ainda mais intelectual, com os dois filhos adultos, Nathalie equilibra-se entre a rotina com o marido (André Marcon), também professor, …

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Parece conto de fadas, mas é real: a história do primeiro “arab idol” da Palestina

O filme de Hany Abu-Assad disputa uma vaga no Oscar 2017 na categoria filme estrangeiro; na foto, o verdadeiro Mohammed Assaf

No meio de todo sofrimento, a população de Gaza, na Palestina, não desgruda os olhos da TV. O ano é 2013 e o resultado do “Arab Idol” logo será anunciado. O programa que escolhe o melhor cantor(a) da temporada tem o poder de mudar vidas. Nada será como antes para aquele que for escolhido o “ídolo”, destaca o apresentador (sabemos que não é bem assim, tanto que, na versão brasileira, quem se lembra dos vencedores?). Mas, no mundo árabe, a incrível história de Mohammed Assaf, retratada no filme “O Ídolo”, será lembrada por muitas décadas por todo o simbolismo que carrega. Com direção de Hany Abu-Assad, o mesmo de “Paradise Now” (2006) e “Omar” (2014), o filme, o escolhido da Palestina para disputar uma vaga no Oscar 2017 na categoria filme estrangeiro, emociona ao contar uma história real em tom …

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Nem mártir, nem herói: a história de “Curumim”, o carioca executado na Indonésia

“Curumim” repassa a história de Marco Archer, executado em 2015 na Indonésia, aos 53 anos, por tráfico de drogas

“Curumim”, documentário que repassa a trágica história de Marco Archer, brasileiro condenado à morte por tráfico de cocaína na Indonésia em 2004 e executado em 2015, aos 53 anos, por fuzilamento, conta com um grande trunfo: não toma partido. Com dois temas tão polêmicos de fundo – drogas e pena de morte – o documentário não suaviza o personagem e muito menos adota um discurso pronto. Curumim, como era conhecido, não é herói, nem muito menos mártir. Apresentado no Festival de Berlim no início do ano, o filme tem rodado festivais e acaba de chegar ao cinema. Foi o próprio Archer quem encomendou o trabalho para o documentarista Marcos Prado, o mesmo do belíssimo “Estamira” e do filme de ficção “Paraísos Artificiais”, também sobre o mundo das drogas. A montagem é primorosa, com cenas gravadas na prisão de segurança máxima …

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Filme “A Chegada” recebe os ETs com inteligência – e entenda quem puder

O filme “A Chegada” desafia a inteligência do espectador ao abordar questões que a humanidade não se cansa de fazer

A linguista Louise Banks (Amy Adams) está pronta para dar uma aula sobre a “romântica” língua portuguesa quando é interrompida pelos telefones de seus alunos, todos dando o alerta de que algo inesperado aconteceu. Em 12 pontos diferentes do mundo extraterrestres estacionaram uma espécie de casulo, mas permanecem em silêncio. A abertura de “A Chegada”, do diretor canadense Denis Villeneuve, filme que abriu o Festival de Cinema do Rio e já no circuito, é de uma tensão imensa. O tema escapa da esfera do cinema-catástrofe que marca o gênero para construir uma fábula sobre tempo x espaço, comunicação x incomunicabilidade, medo x coragem. Baseado em um conto do escritor Ted Chiang chamado “A História de sua Vida”, “A Chegada” desafia a inteligência do espectador ao abordar questões que a humanidade não se cansa de fazer e que há tempos ocupam …

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“Barakah com Barakah”, a primeira comédia romântica da Arábia Saudita

“Barakah com Barakah”é a primeira comédia romântica lançada nos cinemas da Arábia Saudita

A imensa placa na entrada da praia em Riad, capital da Arábia Saudita, avisa: proibido nadar, proibido correr, proibido passear com cachorro, proibido… E por aí vai. Em um universo de tantas proibições chama atenção a primeira comédia romântica lançada nos cinemas do país, “Barakah com Barakah”, filme que integrou a seleção do Festival do Rio. Logo de cara, o primeiro longa de ficção do documentarista Ahmoud Sabbagh, formado em Nova York, avisa: “A pixelização que você vê neste filme é totalmente normal. Não é censura. Repito, não é censura”. Ironia? Aqui e ali, algumas cenas aparecem desfocadas e o tema da opressão diária vivida pelos sauditas, principalmente as mulheres, é evidente na maioria das sequências. Mas “Barakah com Barakah” é uma comédia romântica e, como tal, faz rir e chega a emocionar. Sabbagh não segue exatamente o script “garota …

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Como “O Nascimento de uma Nação” perdeu o convite para a festa do Oscar

O ator Nate Parker é o produtor e protagonista do filme, além de fazer a direção pela primeira vez

Depois do “Oscar branco” de 2016, a expectativa em torno de filmes com temática e elenco negro que poderiam ser incluídos na festa de Hollywood do ano que vem só aumentava. Era preciso preencher, digamos assim, a “cota”, e muitos respiraram aliviados quando “O Nascimento de uma Nação”, no Festival de Sundance, saiu duplamente vencedor, com os prestigiados Grande Prêmio do Júri e Prêmio do Público, em janeiro. Mas a estreia na direção do ator negro Nate Parker, de 36 anos, que também é o produtor e protagonista do filme que reconta, do ponto de vista dos negros, uma violenta rebelião de escravos em 1831, sofreu um revés. Depois de tanta comemoração, hoje é pouco provável que o diretor receba um convite para a festa do Oscar. O filme foi celebrado pela crítica e sua presença nas principais categorias do …

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Em “BR 716”, a vida era uma festa até que chegou a ditadura

“BR 716” (como já chamam o filme “Barata Ribeiro 716” de Domingos de Oliveira) venceu o Festival de Gramado deste ano

A partir das memórias de quem bebeu além da conta, Domingos de Oliveira apresenta “Barata Ribeiro 716”, ou “BR 716”, como o filme passou a ser chamado após vencer o Festival de Gramado deste ano. O título refere-se ao endereço do cineasta entre os anos de 1961 a 1964, quando, após se separar de sua primeira mulher, passou um bom tempo entre festas, ressacas e paixões em um espaçoso apartamento em Copacabana. Apresentado hors-concours no Festival de Cinema do Rio, no mês passado, o filme tem estreia nacional no próximo dia 17. Domingos de Oliveira sempre usou a memória para contar suas histórias no cinema. Foi assim em “Era Uma vez” (2008), “Primeiro Dia de um Ano Qualquer” (2012) e “Infância” (2014), para ficar nos mais recentes. Agora, aos 80 anos, revira o baú para focar no período pré-ditadura ao …

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Mais de uma primeira vez em “Noite de Verão em Barcelona”

O diretor catalão Dani de la Orden faz um recorte poético e divertido de algumas “primeiras vezes”, em Barcelona, no dia da passagem do cometa Rose, em 2013

A vida é movida a “primeiras vezes”, assim mesmo, no plural, quando somos obrigados a experimentar tantas e tantas novas situações diferentes ao longo da nossa existência. Uma ou outra dessas primeiras experiências serão primordiais para definir quem somos e para onde vamos, se é que há resposta para tais questões. Tem o primeiro beijo, o primeiro amor, a primeira gravidez. “Noite de Verão em Barcelona”, estreia na ficção do diretor catalão Dani de la Orden, faz um recorte poético, e divertido, de algumas “primeiras vezes” em apenas um dia. Mas não é um dia qualquer. É 18 de agosto de 2013 e toda Barcelona está com os olhos voltados para o céu para ver a passagem do cometa Rose. O filme mostra a espera do cometa de alguns desses moradores da bela cidade catalã, explorada com todas as suas …

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“É Apenas o Fim do Mundo” olha de perto a infelicidade em família

"É Apenas o Fim do Mundo”, novo filme do franco-canadense Xavier Dolan, recebeu o Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes 2016

“Todas as famílias felizes se parecem; as infelizes são infelizes cada uma a sua maneira”, começa “Anna Karenina”. Saio da sessão de “É Apenas o Fim do Mundo” (Juste le fin du monde), novo filme do cineasta do momento, o franco-canadense Xavier Dolan, com a brilhante frase de Tolstoi me acompanhando. O filme, que recebeu o Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes 2016, olha bem de perto um reencontro familiar. E sobra infelicidade. A câmera é muito aproximada, vê-se os poros nos rostos do atores, e são os olhares, as caras e bocas de Louis, interpretado por Gaspad Ulliel, que comandam as cenas. O protagonista é um escritor de sucesso que retorna para um almoço com a família, que não visita há 12 anos. “Não é o fim do mundo”, tenta se convencer. O filme é contado nas …

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“Pequeno Segredo”, filme que vai representar o Brasil no Oscar, é de chorar

"Pequeno Segredo” representará o Brasil no Oscar e estreia aqui no dia 10/11; antes de chegar aos cinemas, já provocou polêmica

Muitos acompanharam as aventuras da pequena Kat por mares nunca antes navegados durante muitos domingos no “Fantástico” no início dos anos 2000. A caçula da família Schurmann vivia com desenvoltura sua primeira infância em meio a cenários paradisíacos, desfrutando das belezas e das surpresas dos oceanos mundo afora. Algum tempo depois, já longe da TV, em 2006, veio a notícia: a garota havia morrido, aos 14 anos. O que teria acontecido? Heloísa, a matriarca da família Schurmann, que tanto nos ensinou sobre a doçura da vida no mar, levou seis anos para revelar que Kat, que havia sido adotada, tinha HIV. No best-seller “Pequeno segredo: A lição de vida de Kat para a família Schurmann”, a mãe registrou, com amor e dor, uma história que daria um filme. E deu. David, um dos filhos da família Schurmann, resolveu levar o …

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