Daniela Prandi

Daniela Prandi, paulista, jornalista, fanática por cinema, vai do pop ao cult mas não passa nem perto de filmes de terror. Louca por livros, gibis, arte, poesia e tudo o mais que mexa com as palavras em movimento, vive cada sessão de cinema como se fosse a última.

“TOC”, enfim uma comédia nacional inteligente, que ri de si mesma

O elenco bem escolhido de "TOC - Transtornada, Obsessiva, Compulsiva", comédia brasileira que estreia nesta quinta-feira (2 de fevereiro)

Enfim, a comédia brasileira consegue mostrar alguma criatividade e rir de si mesma em “TOC – Transtornada, Obsessiva, Compulsiva”, filme estrelado por Tatá Werneck que entra em cartaz nesta quinta-feira (2 de fevereiro). Um pouco de Monty Phyton, mais auto-ironia, elenco bem escolhido, trilha sonora divertida e diálogos inteligentes levam o filme a um novo patamar entre as comédias nacionais. “TOC” não é o riso escrachado, escatológico e fácil que os brasileiros se acostumaram a ver nos cinemas – e que encheram os bolsos dos produtores. O filme é um pouco mais cabeça e, por isso, terá que achar e convencer seu público, aquele que amadureceu vendo “Seinfeld”, por exemplo. “Monty Phyton é nossa religião”, diz o diretor Teodoro Poppovic, que assina o comando do filme com Paulinho Caruso, filho do cartunista Paulo Caruso, na coletiva de imprensa de “TOC”, …

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Oscar 2017: com 14 indicações, “La La Land” é o filme que muitos estão amando odiar

Nesta terça-feira (24 de janeiro), foram anunciados os indicados ao Oscar 2017

No mundo real, a polarização política tem trazido tempos de incertezas. No mundo do cinema, as pessoas se dividem após acaloradas discussões entre os que amaram e os que odiaram “La La Land”. Pois nesta terça-feira (24 de janeiro), com o anúncio dos indicados ao Oscar 2017, Hollywood mandou um recado bem dado com as 14 indicações para o musical de Damien Chazelle, que se juntou aos recordistas “A Malvada” (1950) e “Titanic” (1997), até então os únicos que concorreram em 14 categorias em toda a história dos 89 anos do Oscar. “La La Land” tem sido o filme que muitos estão amando odiar, ou odiando amar. Com tantas indicações ao Oscar, ficará ainda mais fácil gostar ou detestar o filme, dependendo de como a pessoa enxerga a importância de Hollywood ou da própria estatueta dourada em sua vida. Vale …

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Entre o filme mais fofo e o filme mais triste da temporada

Ryan Gosling é Sebastian, um pianista de jazz, e Emma Stone é Mia, aspirante a atriz em Hollywood, em "La La Land", o filme mais fofo da temporada

“La La Land” é, certamente, o filme mais fofo da temporada. Já levou muitos prêmios desde que começou sua carreira rumo ao Oscar e deve sair da festa de Hollywood com mais de uma estatueta dourada. Já “Manchester à Beira-Mar”, o filme mais triste da temporada, tem emocionado plateias mundo afora e também é forte concorrente. Ambos, que entram em cartaz nesta semana no circuito nacional, servem para rir, chorar e celebrar a mágica que é conseguir se emocionar no escurinho do cinema. Assisti aos dois em um curto intervalo de tempo, em sessões para a imprensa, em salas com o ar-condicionado no máximo para driblar o calor sufocante do Rio de Janeiro. Saí de ambos com as mãos geladas, o nariz escorrendo, mas com o ânimo bem diferente. “Eu tenho uma notícia boa e uma notícia ruim: qual você …

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“Eu, Daniel Blake”, um drama que poderia ser meu, seu, nosso

O cineasta irlandês Ken Loach venceu, aos 80 anos, a Palma de Ouro de Cannes 2016 com “Eu, Daniel Blake”, sobre o drama de um cidadão que um dia precisa da ajuda de seu governo

Poderia acontecer com qualquer um. Em “Eu, Daniel Blake”, vencedor da Palma de Ouro de Cannes 2016, que finalmente chega aos cinemas, o cineasta irlandês Ken Loach retrata o drama de um cidadão que um dia precisa da ajuda de seu governo. E não será fácil. Há a falência do Estado, o descaso do funcionalismo público, o desprezo do ser humano, mas ainda existe, ufa, um pouco de bondade. “Somos todos Daniel Blake”, parece gritar o diretor, que, aos 80 anos, segue firme em seu cinema ativista que lhe rendeu, em 2006, sua primeira Palma de Ouro por “Ventos da Liberdade”. O drama de Daniel Blake (Dave Johns) é universal. Poderia ser meu, seu, de qualquer um de nós. O personagem, morador de Newcastle, é viúvo, tem 59 anos, trabalhou a vida toda de carpinteiro e sempre pagou seus impostos. …

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“O Que Está Por Vir” retrata o implacável futuro que nos espera logo ali

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O tempo passa… sabemos que mudanças virão, seja na vida pessoal ou na profissional, e o que há de se fazer? O filme “O Que Está Por Vir” faz uma brilhante reflexão sobre a incapacidade de controlar a passagem do tempo e suas consequências. No original, em francês, o título do filme da cineasta Mia Hansen-Love é justamente L’Avenir, ou seja, “o futuro”. A história começa com a visita ao túmulo do escritor François-René de Chateaubriand (1768-1848), em Saint-Malo, na Bretanha. Isabelle Huppert, que mais uma vez dá um show de interpretação, é a professora parisiense de filosofia Nathalie. Com o marido e os filhos pequenos, presta homenagem ao autor no túmulo solitário encravado na montanha. Anos depois, já cinquentona, ainda mais intelectual, com os dois filhos adultos, Nathalie equilibra-se entre a rotina com o marido (André Marcon), também professor, …

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Parece conto de fadas, mas é real: a história do primeiro “arab idol” da Palestina

O filme de Hany Abu-Assad disputa uma vaga no Oscar 2017 na categoria filme estrangeiro; na foto, o verdadeiro Mohammed Assaf

No meio de todo sofrimento, a população de Gaza, na Palestina, não desgruda os olhos da TV. O ano é 2013 e o resultado do “Arab Idol” logo será anunciado. O programa que escolhe o melhor cantor(a) da temporada tem o poder de mudar vidas. Nada será como antes para aquele que for escolhido o “ídolo”, destaca o apresentador (sabemos que não é bem assim, tanto que, na versão brasileira, quem se lembra dos vencedores?). Mas, no mundo árabe, a incrível história de Mohammed Assaf, retratada no filme “O Ídolo”, será lembrada por muitas décadas por todo o simbolismo que carrega. Com direção de Hany Abu-Assad, o mesmo de “Paradise Now” (2006) e “Omar” (2014), o filme, o escolhido da Palestina para disputar uma vaga no Oscar 2017 na categoria filme estrangeiro, emociona ao contar uma história real em tom …

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Nem mártir, nem herói: a história de “Curumim”, o carioca executado na Indonésia

“Curumim” repassa a história de Marco Archer, executado em 2015 na Indonésia, aos 53 anos, por tráfico de drogas

“Curumim”, documentário que repassa a trágica história de Marco Archer, brasileiro condenado à morte por tráfico de cocaína na Indonésia em 2004 e executado em 2015, aos 53 anos, por fuzilamento, conta com um grande trunfo: não toma partido. Com dois temas tão polêmicos de fundo – drogas e pena de morte – o documentário não suaviza o personagem e muito menos adota um discurso pronto. Curumim, como era conhecido, não é herói, nem muito menos mártir. Apresentado no Festival de Berlim no início do ano, o filme tem rodado festivais e acaba de chegar ao cinema. Foi o próprio Archer quem encomendou o trabalho para o documentarista Marcos Prado, o mesmo do belíssimo “Estamira” e do filme de ficção “Paraísos Artificiais”, também sobre o mundo das drogas. A montagem é primorosa, com cenas gravadas na prisão de segurança máxima …

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Filme “A Chegada” recebe os ETs com inteligência – e entenda quem puder

O filme “A Chegada” desafia a inteligência do espectador ao abordar questões que a humanidade não se cansa de fazer

A linguista Louise Banks (Amy Adams) está pronta para dar uma aula sobre a “romântica” língua portuguesa quando é interrompida pelos telefones de seus alunos, todos dando o alerta de que algo inesperado aconteceu. Em 12 pontos diferentes do mundo extraterrestres estacionaram uma espécie de casulo, mas permanecem em silêncio. A abertura de “A Chegada”, do diretor canadense Denis Villeneuve, filme que abriu o Festival de Cinema do Rio e já no circuito, é de uma tensão imensa. O tema escapa da esfera do cinema-catástrofe que marca o gênero para construir uma fábula sobre tempo x espaço, comunicação x incomunicabilidade, medo x coragem. Baseado em um conto do escritor Ted Chiang chamado “A História de sua Vida”, “A Chegada” desafia a inteligência do espectador ao abordar questões que a humanidade não se cansa de fazer e que há tempos ocupam …

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“Barakah com Barakah”, a primeira comédia romântica da Arábia Saudita

“Barakah com Barakah”é a primeira comédia romântica lançada nos cinemas da Arábia Saudita

A imensa placa na entrada da praia em Riad, capital da Arábia Saudita, avisa: proibido nadar, proibido correr, proibido passear com cachorro, proibido… E por aí vai. Em um universo de tantas proibições chama atenção a primeira comédia romântica lançada nos cinemas do país, “Barakah com Barakah”, filme que integrou a seleção do Festival do Rio. Logo de cara, o primeiro longa de ficção do documentarista Ahmoud Sabbagh, formado em Nova York, avisa: “A pixelização que você vê neste filme é totalmente normal. Não é censura. Repito, não é censura”. Ironia? Aqui e ali, algumas cenas aparecem desfocadas e o tema da opressão diária vivida pelos sauditas, principalmente as mulheres, é evidente na maioria das sequências. Mas “Barakah com Barakah” é uma comédia romântica e, como tal, faz rir e chega a emocionar. Sabbagh não segue exatamente o script “garota …

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Como “O Nascimento de uma Nação” perdeu o convite para a festa do Oscar

O ator Nate Parker é o produtor e protagonista do filme, além de fazer a direção pela primeira vez

Depois do “Oscar branco” de 2016, a expectativa em torno de filmes com temática e elenco negro que poderiam ser incluídos na festa de Hollywood do ano que vem só aumentava. Era preciso preencher, digamos assim, a “cota”, e muitos respiraram aliviados quando “O Nascimento de uma Nação”, no Festival de Sundance, saiu duplamente vencedor, com os prestigiados Grande Prêmio do Júri e Prêmio do Público, em janeiro. Mas a estreia na direção do ator negro Nate Parker, de 36 anos, que também é o produtor e protagonista do filme que reconta, do ponto de vista dos negros, uma violenta rebelião de escravos em 1831, sofreu um revés. Depois de tanta comemoração, hoje é pouco provável que o diretor receba um convite para a festa do Oscar. O filme foi celebrado pela crítica e sua presença nas principais categorias do …

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