Daniela Prandi

Kristen Stewart com figurino e joias Chanel em novo filme de Woody Allen, “Café Society”, em cartaz nos cinemas     Fotos: Divulgação

Novo Woody Allen é “a vida é uma comédia escrita por um autor sádico”

Aos 80 anos, Woody Allen mantém o frescor e supera a si mesmo em “Café Society”, filme que abriu o Festival de Cannes deste ano e, agora, chega ao circuito. É o melhor Woody Allen da nova safra? Difícil competir com “Meia-noite em Paris”, outro belíssimo filme, e não menos divertido. Ambos retratam tempos de glórias recheados de clichês de um passado recente que se tornou referência. Desta vez, ao invés dos efervescentes anos 20 parisienses, o foco está no glamour da Hollywood dos anos 30. A diferença é que “Café Society” é um filme ainda mais romântico, com um desfecho de cortar o coração, apesar de toda a fina ironia. Recentemente alguém disse que “um Woody Allen médio é um filme bom e um Woody Allen bom é um filme incrível”. Pois o que dizer de “Café Society”, que …

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Laurie Anderson com Lollabelle, sua terrier que inspira “Coração de Cachorro”    Crédito foto: Sophie Calle. Courtesy of Abramorama.

O sentido da vida e da morte segundo Laurie Anderson

Sentir tristeza, mas não ficar triste. Sentir necessidade de seguir adiante, apesar das perdas, das despedidas, dos medos e daquela velha questão de para onde se vai depois da morte são temas que dominam o melancólico e surpreendente “Coração de Cachorro” (Heart of a Dog), filme experimental da artista performática, compositora, roqueira, escritora e cineasta Laurie Anderson. É um filme difícil de ser classificado, apesar de figurar na categoria documentário. Mas é muito mais. Laurie Anderson herdou uma cachorrinha terrier de um casal que estava se separando. Lollabelle a acompanhou por toda uma vida e morreu em 2011. Dois anos depois, em 2013, a artista perderia seu companheiro de duas décadas, Lou Reed. “Coração de Cachorro” poderia ser a dor da viúva. Mas não é. Narrado pela própria artista, o filme reúne animação, efeitos visuais, imagens em 8mm e muita …

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Fatah e sua vaca Jacqueline vivem situações que expõem o choque de realidade de quem vive e sobrevive bem longe do padrão europeu   Fotos: Divulgação

O mundo é só bondade em “A Incrível Jornada de Jacqueline”

As apresentações para a imprensa dos filmes que vão chegar aos cinemas geralmente são feitas de manhã, nas chamadas “cabines”. Há filmes que, de tão cativantes, provocam um “choque de realidade” quando voltamos à rua, aos semáforos que não abrem, aos carros que buzinam, aos nossos medos e angústias de cada dia. Como não querer continuar no universo de “A Incrível Jornada de Jacqueline”? Numa minúscula aldeia em uma árida região da Argélia vive Fatah (Fatsah Bouyahmed), que divide seu tempo entre cuidar de sua horta, de sua família e de sua vaca Jacqueline, não necessariamente nessa ordem. Seu sonho é participar de uma feira de agricultura na França, mas sua inscrição nunca foi aceita. Até que um dia… Em tom de fábula, “A Vaca”, que por motivos óbvios virou “A Incrível Jornada de Jacqueline” no Brasil já que, por aqui, “vaca” é pejorativo, apesar de toda a …

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Tim Robbins e Benicio Del Toro encabeçam o elenco do filme de Fernando Léon de Aranoa que mostra a perspectiva da guerra dos Balcãs

O que é preciso para ter um dia perfeito?

Um dia perfeito, para a maioria, inclui passear, rir, comer bem, estar com a família e os amigos. Para alguns, porém, é apenas conseguir uma corda para retirar um corpo jogado em um poço e, assim, garantir o abastecimento de água potável de um vilarejo. Baseado no livro “Dejarse llover”, da médica Paula Farias, da ONG Médicos sem Fronteiras, o filme “Um Dia Perfeito” coloca em perspectiva uma guerra recente, a dos Balcãs onde, na passagem dos anos 80 para os 90, vizinhos que até então conviviam muito bem começaram a matar uns aos outros diante dos olhos assombrados do mundo. Com direção do espanhol Fernando Léon de Aranoa, o filme exibido no Festival de Cannes de 2015 conta com um elenco de primeira, com Benicio Del Toro à frente. Seu personagem é um agente humanitário que atua na região …

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Escritor, roteirista, pensador e professor de cinema da USP e da UnB, Jean-Claude Bernardet interpreta um ex-professor universitário que vira mendigo em "Fome"     Foto: Divulgação

E se o principal pensador de cinema do Brasil virasse mendigo?

Jean-Claude Bernardet completa 80 anos nesta semana (4 de agosto). Sua festa de aniversário é a estreia de “Fome”, dirigido por Cristiano Burlan. Um dos maiores pensadores do cinema do Brasil, escritor, professor de cinema da USP e da UnB e roteirista de muitos filmes importantes da filmografia nacional, tem se aventurado como ator nos últimos anos. E se sai muito bem. Em “Fome”, é “quase ele mesmo”, caso tivesse optado por jogar tudo para cima e ir morar na rua. Pela atuação, recebeu o prêmio especial do júri no Festival de Brasília do ano passado. O filme em preto e branco acompanha as perambulações de um ex-professor universitário que virou mendigo por opção. Com seu carrinho de supermercado cheio de quinquilharias, atravessa São Paulo em sequências desconcertantes. Experimental, transgressor, instigante, “Fome” é um filme para poucos, difícil de assistir, …

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O filme “Life – Um Retrato de James Dean” conta a história desta foto do ator que viria a ser um dos grandes símbolos de uma época; o ensaio foi feito pelo fotógrafo novato Dennis Stock

Como mudar a história a partir de um retrato de James Dean

Hoje qualquer um tira uma foto com seu telefone, as revistas em papel estão desaparecendo e o cinema luta para sobreviver nas novas plataformas digitais. Mesmo assim, mitos permanecem. Mesmo que forjados por fotografias que atravessam as décadas intocáveis no seu preto e branco poético, impressas em publicações que um dia ajudaram a entender o mundo. Um deles é James Dean, o eterno “rebelde sem causa”, que tem parte de sua breve trajetória contada em “Life – Um Retrato de James Dean”. A prestigiada revista “Life” publicou, dias antes da estreia de “Vidas Amargas”, adaptação de Elia Kazan para o romance de John Steinbeck, em 1955, um ensaio fotográfico daquele que viria a ser um dos grandes símbolos de uma época. O filme conta a história dessas fotos e da batalha do então novato fotógrafo Dennis Stock para conseguir tirá-las. …

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O filme "Chocolate" conta a história de Rafael Padilha, o Chocolat, que nasceu em Cuba em 1868, foi vendido como escravo, fugiu e depois veio a se tornar o primeiro palhaço negro da história da França, interpretado por Omar Sy       Fotos: Divulgação

Chocolat, o primeiro palhaço negro da França; mas não só

O filme “Chocolate”, com o ator Omar Sy, conta a história do primeiro palhaço negro da história da França. Mas não só. O roteiro expõe o racismo que acompanha a indústria do entretenimento desde sempre. (Não por acaso, vale lembrar que, nesta temporada, o Oscar ignorou os negros em suas indicações aos melhores do ano, o que provocou barulho e protestos.) Chocolat, o palhaço, é saco de pancadas no centro do picadeiro e sua cor serve de mote para as gags. Mas o artista vai além. O filme, que foi um dos grandes destaques do Festival Varilux de Cinema Francês e agora entra em cartaz no circuito comercial, faz um bom apanhado da história real de Rafael Padilha, um ex-escravo que nasceu em Cuba no ano de 1868. Ainda criança foi vendido, mas fugiu por causa dos maus-tratos e, sem …

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Créditos: Reprodução/Internet. Cena do filme Nós ou nada em Paris

“Nós ou Nada em Paris”, a arte de rir pra não chorar

Fazer “rir pra não chorar” é um talento. Em “Nós ou Nada em Paris” (Nous Trois ou Rien), as tragédias recentes no Irã ganham um ar de comédia, ou de tragicomédia, na direção do estreante rapper e comediante franco-iraniano Kheiron, revelado ao público francês no programa “Jamel Comedy Club”. A fórmula já foi usada outras vezes, como em “A Vida é Bela”, que extraiu risos em uma história passada em um campo de concentração, por exemplo. Mas Kheiron consegue algo mais ao retratar a história verdadeira de sua família, ambientada em um recente período turbulento de mudanças políticas extremas no Irã. Kheiron interpreta o próprio pai ao mostrar a trajetória de seus pais, Hibat e Fereshteh Tabib (Leila Bekhti, de “O Profeta”), que foram obrigados a pedir asilo político na França após militância nos grupos de oposição tanto ao regime …

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“Agnus Dei” se passa durante o duro inverno polonês e as gravações foram feitas no país em uma pequena cidade para a qual a diretora levou a equipe, sem conforto ou regalias

Precisamos falar sobre o estupro

Estupro é arma de guerra e sempre será. A atriz francesa Lou de Laâge, protagonista do filme ‘Agnus Dei’ (Les Innocentes), um dos destaques do Festival Varilux, veio ao Rio de Janeiro para participar do evento e, em todas as entrevistas e debates de que participou, foi questionada sobre a “infeliz coincidência” de um caso ocorrido há 70 anos encontrar paralelo no Rio de Janeiro de hoje. “Os estupros sempre existiram e, provavelmente, vão continuar existindo”, disse a atual queridinha do cinema francês logo após a sessão no Cine Odeon, na Cinelândia, acompanhada pela Agência Social de Notícias. “Por isso, é importante falar sobre isso, para fazer com que a humanidade se torne melhor.” Em ‘Agnus Dei’, com direção de Anne Fontaine, Lou de Laâge dá vida a uma personagem inspirada na vida real. A jovem médica Madeleine Pauliac, que …

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A atriz Bruna Linzmeyer interpreta Amsterdan, uma das integrantes da turma de riquinhos que se diverte na laje, no filme 'A Frente Fria que a Chuva Traz'; sua personagem destoa no grupo dando o tom da degradação     Fotos: Divulgação

O inverno está chegando em “A Frente Fria que a Chuva Traz”

Nas escadarias da biblioteca de Londrina (PR), no final dos anos 1980, conheci e virei fã de Mario Bortolotto. Naquela época, suas peças de teatro exalavam uma rebeldia juvenil carregada, com um quê de Charles Bukowski. Bortolotto logo migrou para palcos mais celebrados e hoje é um dramaturgo dos mais respeitados na cena nacional. Londrina virou passado e em um final de tarde frio e cinzento, no Rio de Janeiro, o reencontrei, na telona, em “A Frente Fria que a Chuva Traz”. Éramos pouquíssimos espectadores naquela imensa sala de cinema do Centro carioca. Bortolotto é o autor da peça que deu origem ao filme e que marca a volta à direção do veterano Neville D’Almeida, de “A Dama do Lotação” (1978), que estava há uns 15 anos sem filmar. Além disso, também atua, em um papel sob medida para seu …

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