Árvore arrancada do chão mostra a força dos ventos na madrugada de 5 de junho: Campinas precisa aprimorar cada vez mais adaptação a mudanças climáticas (Foto José Pedro Martins)
Árvore arrancada do chão mostra a força dos ventos na madrugada de 5 de junho: Campinas precisa aprimorar cada vez mais adaptação a mudanças climáticas (Foto José Pedro Martins)

Campinas esteve perto da tragédia no Dia Mundial do Meio Ambiente

Por pouco Campinas não viveu uma tragédia neste domingo, quando mais uma vez foi lembrado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Uma forte tempestade, inicialmente caracterizada como tornado e depois como “microexplosões” pelos meteorologistas, provocou pânico e destruição, com quedas de árvore e postes, destelhamentos, corte de energia e muitos outros danos. O evento apenas não resultou em catástrofe, com a perda de vidas humanas, pelo horário em que aconteceu, entre últimas horas do dia 4 e primeiras do dia 5. Mas o episódio deixa muitas lições.

Uma delas é a de que as áreas metropolitanas, como a de Campinas, devem aprimorar sua preparação para eventos climáticos extremos, que tudo indica vão ocorrer com maior intensidade. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) já havia notado que, entre os impactos já sentidos da mudança do clima no Brasil, está o aumento do número de dias com chuvas acima de 30 milímetros na Região Sudeste. A multiplicação de eventos extremos, como tornados e secas, em várias partes do planeta, também vem sendo documentada pelo IPCC e muitos outros grupos de estudos.

A necessidade de melhor e maior número de pesquisas sobre os efeitos das mudanças climáticas em áreas urbanas é outra lição do episódio de ontem em Campinas. Mais um motivo, portanto, para a maior aproximação entre a administração pública e o polo científico e tecnológico sediado na cidade e região, o que historicamente não se deu como deveria. Muitos serão os benefícios de um diálogo ampliado entre os gestores e o polo científico e tecnológico.

Outra lição do 5 de junho de 2016 é que eventos climáticos extremos não causam resultados desastrosos somente para as camadas mais vulneráveis da população. As mudanças climáticas em curso em escala global atingem a todos os segmentos, embora, claro, os mais vulneráveis sofram mais. Mas que os menos vulneráveis não tenham ilusões: todos serão afetados de alguma maneira pelas mudanças climáticas agravadas pelo aquecimento global de origem humana, e daí a urgência para que haja um esforço de todos para barrar as emissões de poluentes que incidem sobre essa metamorfose do clima, embora a maior responsabilidade seja de governos e corporações.

A região de Campinas sentiu fortemente as consequências da estiagem de 2014 e 2015. Agora a cidade convive com fortes chuvas em período geralmente seco. Os eventos climáticos extremos vão continuar a desafiando a capacidade de adaptação dos grandes centros urbanos. Um motivo de esperança é o esforço que Campinas vem fazendo para incorporar as diretrizes do programa de Cidades Resilientes, das Nações Unidas, o que significa aprimoramento das medidas de prevenção e reação. Mas o Dia Mundial do Meio Ambiente de 2016 não deixa dúvidas quanto à urgência de estratégias e ações cada vez mais abrangentes, multidisciplinares e sólidas.

Rio Atibaia seco em janeiro de 2015, outro sinal de evento climático extremo (Foto Adriano Rosa)
Rio Atibaia seco em janeiro de 2015, outro sinal de evento climático extremo (Foto Adriano Rosa)

 

 

Sobre José Pedro Soares Martins

Mineiro nascido com gosto de café e pão de queijo, ama escrever pois lhe encantam os labirintos, os segredos e o fascínio da vida traduzidos em letras.

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