José Pedro Soares Martins

Mineiro nascido com gosto de café e pão de queijo, ama escrever pois lhe encantam os labirintos, os segredos e o fascínio da vida traduzidos em letras.

A distopia chega à Academia Brasileira de Letras

Seca no Nordeste, uma das  imagens mais presentes na distopia brasileira (Foto Adriano Rosa)

A notícia de que Ignácio de Loyola Brandão chegou à Academia Brasileira de Letras teve o destaque costumeiro na imprensa, mas acho que um aspecto passou meio desapercebido, considerando o contexto em que todos estamos imersos. A instituição que é símbolo da tradição literária-cultural tupiniquim recebe o autor de Zero, Não verás país nenhum e outras obras que são pura distopia. O país que já foi a utopia pura para idealistas europeus transformado em inferno pelas mãos de oligarquias que teimam em queimar os dedos para não perder o poder. Claro que a literatura brasileira é a soma da esperança e do desencanto. Não são apenas rosas, mas muitos espinhos machucando a carne viva do nosso povo. A narrativa Brasil …

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De lama em lama o Brasil faz a sua má fama

Toda atenção no Congresso Nacional para propostas que flexibilizam o licenciamento ambiental (Foto Adriano Rosa)

Nada mais simbólico do que ocorre hoje no Brasil de certas esferas do que um mar de lama. E veio onde se esperava que viesse. Na falta de uma punição de fato, exemplar, ou ao menos apenas cumprindo a lei, no caso de Mariana, nova tragédia no mesmo estado, no mesmo segmento econômico, desta vez em Brumadinho. A cidade cada vez mais conhecida em todo mundo por sediar o Inhotim agora esta na mídia internacional por mais um gigantesco rompimento de barragem da Vale, com número ainda não sabido de vítimas fatais. E a barragem nem estava entre as 45 que, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), em relatório do final de 2018, eram as mais vulneráveis a rompimento, …

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A morte da figueira e a dor no coração

O que sobrou da árvore querida (Fotos José Pedro S.Martins)

Parem tudo, parem o mundo se for possível, pois mais uma árvore caiu no Centro de Convivência. No coração do Cambuí, no meu coração, uma dor profunda porque não é a primeira vez que acontece, no mesmo território destinado ao bem estar, ao estar com. Pouco antes do Natal de 2014, foram outras duas árvores enormes, tombadas após fortes chuvas. Uma “operação de guerra”, informou esta Agência Social de Notícias (aqui), foi montada para a retirada da maior delas.  Motosserras, caminhões, muitos homens mobilizados para o deslocamento dos grandes galhos que durante muito tempo transportaram a seiva da vida. O ritual foi repetido agora, para o carregamento dos restos mortais da figueira que ali reinava, linda, acolhedora. Motosserras, caminhões, muitos …

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DESCOPA I – AS GUERRAS QUE O FUTEBOL NÃO APAGA

CUP (ZP3DRO)

A Arábia Saudita foi goleada pela Rússia na abertura da Copa de 2018. Rússia que persegue homossexuais e acorrenta a imprensa e Arábia Saudita que lidera coalizão árabe contra os houthis que controlam boa parte do Iêmen. Os houthis teriam apoio, inclusive armado, do Irã, que hoje jogou e ganhou do Marrocos. Pelo menos 16 dos 32 países que disputam a competição convivem no momento com episódios de violência extrema, xenofobia, grave crise econômica e outras formas de crueldade e instabilidade. Mas tudo bem, é a Copa mermão! Que o digam os milionários do Brasil comandado pelo Tite campeão de publicidade no país em que, segundo as pesquisas, a maioria está mesmo é preocupada com o caos que nos cerca …

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O movimento dos caminhoneiros e a insustentabilidade do Brasil

Veículos elétricos usados pela CPFL, que está investindo em novas fontes energéticas (Foto Martinho Caires)

Pois o movimento dos caminhoneiros, em protesto contra as altas constantes nos preços dos combustíveis, entrou no quarto dia com impacto em vários setores da economia e no cotidiano dos brasileiros. O desgastado Palácio do Planalto tenta agir com acordos que, até o momento, não sensibilizaram os motoristas. Os profissionais ainda não parecem dispostos a voltar ao trabalho, entendendo que o oferecido pelo governo é muito pouco. Várias questões em jogo e uma delas é a da insustentabilidade de nosso sistema de transporte e de nossa matriz energética, tema pouco falado até o momento nessa crise assustadora. O Brasil tem cometido erro em cima de erro nesse sentido. Abandonou as ferrovias e não tem explorado como poderia as hidrovias, deixando …

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