Comportamento

Campinas insiste em brilhar (Foto Martinho Caires)

A Campinas do passado e a cidade que pensa o futuro

Campinas, ou parte dela, amanheceu estarrecida nesta terça-feira, 5 de setembro de 2017, com a decisão da Câmara Municipal, que aprovou em primeira votação o projeto conhecido como o da Escola Sem Partido. Outra votação pode acontecer a partir da próxima semana, sobre o mérito da proposta, que, entre outras medidas, quer impedir os professores de “incentivar os alunos a participarem de manifestações” e de “se aproveitar da audiência cativa dos alunos” para “promoverem seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas”. Claro que se trata de uma ação em sintonia com a onda neoconservadora que vem sendo observada não apenas no país, mas em todo planeta. Uma onda neoconservadora manifesta, explícita, que perdeu o acanhamento de se mostrar, pois …

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Junho de 2013, em Campinas como em todo Brasil: o recado ainda não foi assimilado (Foto Martinho Caires)

Eles são (quase todos) bacanas, mas o Brasil não precisa de gurus

A eleição municipal deste dia 2 de outubro tornou-se histórica por vários motivos, mas um deles é o da rejeição crescente ao sistema político vigente, como demonstraram os enormes percentuais de abstenção, brancos e nulos em muitas cidades importantes, como os 40% de São Paulo, superando os votos do candidato vencedor. Esse recado tinha sido dado com força no movimento de junho de 2013 – recado que a classe política insiste em não escutar, como já comentamos aqui. O cenário favorável à “apolítica” é perigoso, porque incentiva a emergência de “salvadores da pátria”, que volta e meia aparecem e atazanam a vida dos brasileiros. O Brasil não precisa deles, assim como não deveria precisar dos “gurus”, nova classe de intelectuais que, no mundo …

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Campinhos em todo Brasil, territórios de histórias de terra e coração (Foto José Pedro Martins)

Campeões da várzea, campeões olímpicos?

Os Jogos do Rio de Janeiro reacenderam a polêmica sobre o que é, afinal, esporte olímpico. É justo alguém como Rafael Nadal, Serena Willians ou Andy Murray disputar no tênis, ou a equipe americana “NBA” no basquete ou até um Neymar “Barcelona” no futebol, contra atletas que muitas vezes penam muito para prosseguir sua paixão no dia a dia, por absoluta escassez de recursos? O certo é que, no Brasil do futebol, está cada vez mais distante aquele cenário das pelejas nos “campinhos”. Serão os jogadores da várzea, no litoral, no zona rural ou em uma metrópole, os verdadeiros campeões olímpicos? De qualquer modo, aqui vai o tributo à várzea de Campinas, representando os “campinhos” de todo país, de tantas alegrias e …

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Campus da PUC-Rio, onde aprendi a amar ainda mais a cidade que sofre e continua fascinando (Foto José Pedro Martins)

A dor do Rio de Janeiro que amamos tanto

Não tive dúvida quando escolhi o local onde gostaria de fazer a Faculdade de Jornalismo. O Rio de Janeiro, claro, a cidade onde muitos brasileiros, pelo menos até a minha geração, gostariam de viver. Para os mineiros como eu, desprovidos de praia, o Rio sempre soou, particularmente, como uma terra de delícias, o endereço do que imaginávamos ser a felicidade. É por tudo isso que eu, como, imagino, a maior parte do país, tem sofrido tanto com a agonia daquela que há muito é saudada como Cidade Maravilhosa e que deveria estar vivendo um apogeu, com a proximidade dos Jogos Olímpicos. Porque o Rio, no imaginário coletivo, sempre esteve associado justamente a ideias e valores típicos do ideal olímpico, como a …

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A palavra, maior patrimônio cultural da humanidade ameaçado?

A morte da palavra é a morte anunciada da sociedade

Se eu tivesse que apontar qual seria a mais grave das crises simultâneas que estamos presenciando – no Brasil e no mundo – eu diria que é a morte da palavra. Eu entendo que a palavra está morrendo e, se o óbito for confirmado, teremos que reinventar tudo o que conhecemos sobre o que é viver em sociedade, produzir cultura e habitar o meio ambiente. Para mim, são três os principais fatores que contribuem para a agonizante e paulatina morte da palavra, que já foi tantas vezes impressa em papiros ou livros, escrita com giz, lápis ou máquina de datilografia, como aquela simples em que eu aprendi, em doces e despreocupadas tardes na minha Itamogi, com a querida Tia Nenê. Em primeiro …

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