Cultura

Antonio Candido, brasileiro gentil (Foto Marcos Santos/USP Imagens)

Antonio Candido e o seu legado para Campinas e todo o Brasil

A política e a poesia são demais para o mesmo homem, sentenciou Glauber Rocha em “Terra em Transe”, como uma homenagem a Mário Faustino e sua “Balada” (“Tanta violência, mas tanta ternura”). O doce e crítico, essencialmente crítico Antonio Candido, que nos deixou hoje, 12 de maio de 2017, conseguiu esta proeza para poucos. Era poesia pura mas também política, em seu sentido mais belo, humano e inteligente. E ele deixa um legado imenso para o Brasil todo, além de lições especiais para Campinas, que lhe deve muito. De sólida formação marxista, Candido não se limitou à crítica social panfletária. Pelo contrário, alcançou a simpatia e o respeito generalizados, inclusive entre intelectuais mais à direita, pela sua impressionante gentileza, a profundidade …

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Evento na Câmara Municipal de Campinas, que tem papel fundamental na construção de modelo de desenvolvimento justo e inclusivo em Campinas (Foto José Pedro Martins)

Campinas espera muito de sua Câmara Municipal: mais ousadia e menos gafes

A Câmara de Campinas aprovou em turno único, no último dia 27 de março, a criação de uma Comissão Permanente de Relações Internacionais. É uma boa novidade, considerando a posição da região metropolitana no cenário global e o que isso significa em termos de desafios. Será que é um indicativo de nova postura dos vereadores campineiros, que, com algumas boas exceções, nas últimas legislaturas foram protagonistas de gafes nacionais? Campinas espera muito de sua Câmara, iniciativas à altura da representatividade da cidade, que já foi bem maior, com certeza. Resgatar o brilho local é um desafio de toda a sociedade e o papel do Legislativo é nesse sentido central. Ele já deu muitas provas de que pode agir, sim, em sintonia com as …

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A Internet mudou e vai continuar mudando tudo, mas não a essência do bom e velho jornalismo de sempre (Foto Adriano Rosa)

Proust, jornalismo de celebridades e paixão pela profissão

As obras-primas da literatura são obras-primas porque universais e atemporais. Não importa o lugar nem a data em que foram escritas e/ou publicadas. As verdades ou incertezas que elas transmitem são eternas. Muito já se falou, por exemplo, sobre a universalidade e encanto permanente de “Em busca do tempo perdido”, de Marcel Proust. Vou me ater apenas a um tópico, que diz respeito diretamente à profissão que escolhi e que amo tanto, o jornalismo. A passagem está em “No caminho de Swann”, o primeiro dos sete volumes da obra imortal, e mais precisamente quando a “tia Flora” debate com o próprio Swann sobre o status dos jornais da França da época: a segunda metade do século 19. Swann faz uma …

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Rio Xingu, em Altamira, perto da área da usina de Belo Monte: Amazônia demanda olhar muito mais atento da sociedade brasileira e global (Foto José Pedro Martins)

Tragédia em Manaus mostra ao mundo que a violência tem várias faces na Amazônia

A violência tem várias faces na Amazônia, além do crime da escalada da destruição da floresta e da invasão das terras indígenas. Esta é a “mensagem” que o massacre de mais de 50 presos em Manaus, após rebelião de 17 horas em presídio na capital amazonense, mostra ao mundo neste horroroso início de 2017, em que o Brasil também foi abalado por uma chacina de 12 pessoas em Campinas, interior de São Paulo. Manaus merece uma atenção especial em uma reflexão mais ampla sobre o que ocorre na Amazônia. O Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, elaborado pelo PNUD, IPEA e Fundação João Pinheiro, escancarou a profunda desigualdade existente na região metropolitana (RM) onde está a Zona Franca …

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"Manifestação na Paulista" e "Contra o aumento da tarifa de ônibus em Goiânia", de Jeferson Limas, na 13ª Bienal Naïfs do Brasil, no SESC-Piracicaba: a cultura popular traduzindo a sociedade contemporânea (Foto José Pedro Martins)

Pensamento complexo frente a confusão do mundo (e do Brasil)

Está uma baita confusão, ninguém entende mais nada. O vociferante Trump ganha nos Estados Unidos e chama conservadores de todos os tipos para compor o governo, agregando mais decibéis de incerteza à perplexidade global. Atentado (mais um) em Berlim contra o Natal, indiferença mundial diante da tragédia (mais uma) em Aleppo. E aqui, na província, uma crise política e institucional que pode nos levar ao buraco sem fim. Quer mais? Definitivamente as categorias de reflexão, diálogo e ideologia cristalizadas por séculos de prática não dão mais conta de ao menos começar a entender o que se passa em escala planetária. Aqueles esquemas quadradinhos, fechados em si mesmos, são impotentes para o necessário entendimento para a ação. Aí vem o perigo …

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