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Crédito: Gustavo Montes de Oca/creativecommons.org

Pisem no breque!

A tripulação e a numerosa massa de passageiros estavam eufóricas, justificadamente: afinal, venceram a maior parte dos 1,4 mil anos-luz entre o mundo natal e o planeta alvo. A arca estava em órbita de um planetão gasoso e inóspito no limiar de um sistema solar mais jovem, coisa de 2 bilhões de anos, que o velho sol deles, mas que abrigava aquele mundinho tão adequado que, apesar de ser 40% menor e 5 vezes menos massivo do que o velho lar, é um corpo rochoso, dotado de atmosfera densa, com muita água. E, principalmente, habitado e administrado por uma espécie humanoide e suficientemente inteligente. Tudo favorável ao contato e ao acolhimento. O povaréu da arca até se animou a entoar para os deuses cósmicos uma oração de agradecimento aos cientistas do mundo natal: afinal, a proeza só se concretizara após …

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“No Fim do Túnel”, escrito e dirigido pelo argentino Rodrigo Grande, tem o galã Leonardo Sbaraglia como protagonista     Fotos: Divulgação

Cinema argentino acerta no suspense em “No Fim do Túnel”

Filmes sobre planos mirabolantes de roubos a bancos não são exatamente uma novidade. Mas volta e meia retornam e muitas vezes com um toque original. “No Fim do Túnel” (Al final Del túnel), escrito e dirigido pelo argentino Rodrigo Grande, consegue inovar e mexer com os nervos do espectador, principalmente por causa do inusitado protagonista, um recluso homem preso a uma cadeira de rodas vivido pelo galã argentino Leonardo Sbaraglia. Sbaraglia, que esteve no recente Festival de Gramado com “O Silêncio do Céu”, já comentado nesta coluna, tem sido apontado pela imprensa especializada como “o novo Ricardo Darín”. Conhecido por aqui por causa de “Relatos Selvagens”, da sequência em que dois homens se enfrentam numa briga na estrada, tem mostrado atuações marcantes, como em “O Silêncio do Céu”, no papel do marido que vê a esposa (Carolina Dickman) ser estuprada …

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A pedra que veio do nada

De repente, quem diria, a vida de Ambrósio mudou. “O que aconteceu, meu Deus? O que estava acontecendo comigo?” se perguntava. Parecia uma praga invertida que atravessara sua vida. Ambrósio estava aliviado por um lado e angustiado por outro. Afinal, depois de tanta desgraça, vinha aquele tempo de calmaria. Ele olhava para o céu e questionava: “Para, não vem mais com novidade? Você é safado”! Não veio mais novidade. Ele já começara conversar com o mundo para que ele lhe explicasse como tudo de ruim poderia aparecer por tanto tempo e sumira num instante, sem explicação. Esse tudo era tudo mesmo. A escova de dente caía com a pasta lambendo o chão. O mesmo acontecia com o cachorro quente – e lá ia salsicha e todo o molho que fizera com suor danado. Até o cachorro, o único ser do …

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Barbárie GO

Não era uma competição, eles apenas trataram de acelerar a bagaça toda de modo a terminar antes dos outros casais que transavam nas ruínas do velho Teatro de Arena. E havia um bom motivo para a pressa: os nanochips implantados nos hemisférios direitos dos cérebros dos dois alardeavam que havia adversários ao alcance. Os pobres últimos adversários… Não dava para ignorar o sinal. Vestiram-se mal e rapidamente, fecharam os zíperes, ajustaram os Virtuais Glass nos rostos ainda exangues e partiram para a caçada. Afinal, não podiam desperdiçar a disponibilidade de vítimas em potencial, notadamente aquelas vítimas, sem dúvida os remanescentes da última gangue rival a ser destroçada, garantindo a eles e seus parças a hegemonia incontestável no jogo (ao menos na circunscrição da decadente cidade). O pulsar dos nanochips ditado por GPS apontava inequivocamente para o boteco mais próximo, aquele …

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O diretor russo Aleksandr Sokurov mostra como as obras do Louvre foram salvas durante a ocupação nazista em Paris em 1940   Fotos: Divulgação

A viagem de “Francofonia: Louvre Sob Ocupação”

É um desafio assistir “Francofonia: Louvre Sob Ocupação”, novo filme do russo Aleksandr Sokurov. É documentário, é encenação, é um ensaio com imagens em movimento, é uma viagem. O filme exige atenção e seu gênero de classificação, afinal, passa a ter pouca importância diante de tanta informação sobre arte, poder e política, não necessariamente nesta ordem. Desta mistura, o tema principal é rever como as obras do Louvre foram praticamente todas salvas durante a ocupação nazista em Paris, em 1940, ao serem levadas para locais no interior da França. Na época, apenas as estátuas mais pesadas ficaram no Louvre, fundado em 1793 depois de abrigar a realeza desde 1190, e que se tornou o principal museu de arte do mundo. E assim como na contemplação em frente a uma obra de arte, durante o filme podem surgir os mais diversos …

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