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Moda desenvolvida a partir de um processo chamado “upcycling”, que gera zero em resíduos: Coleção de Vicente Perrotta, de Campinas    Foto: Divulgação

Para quando a sua ficha cair

A ficha caiu quando fomos visitar uma estamparia têxtil a convite de um amigo. A ideia era conhecer o lugar e ver algumas sobrinhas de tecidos que a fábrica estava se desfazendo. E lá fomos nós. Naquela manhã, a expectativa era de que iríamos encontrar alguns restinhos de tecido com estampas comuns. Ao contrário disso, encontramos uma pilha grande de tecidos variados com estampas lindas e originais que estava no canto de uma sala. Alguns tecidos eram exclusivos das marcas compradoras e não poderiam ser revendidos, mas outros – a maioria – poderiam ser vendidos em lote, por peso a um custo bem leve. É preciso voltar um pouco para entender o que se passou ali. Na ocasião, estávamos pensando em produzir alguns produtos com estampas exclusivas. Mas, como não tínhamos escala, e por limitações do processo de estamparia, o …

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O filme "Chocolate" conta a história de Rafael Padilha, o Chocolat, que nasceu em Cuba em 1868, foi vendido como escravo, fugiu e depois veio a se tornar o primeiro palhaço negro da história da França, interpretado por Omar Sy       Fotos: Divulgação

Chocolat, o primeiro palhaço negro da França; mas não só

O filme “Chocolate”, com o ator Omar Sy, conta a história do primeiro palhaço negro da história da França. Mas não só. O roteiro expõe o racismo que acompanha a indústria do entretenimento desde sempre. (Não por acaso, vale lembrar que, nesta temporada, o Oscar ignorou os negros em suas indicações aos melhores do ano, o que provocou barulho e protestos.) Chocolat, o palhaço, é saco de pancadas no centro do picadeiro e sua cor serve de mote para as gags. Mas o artista vai além. O filme, que foi um dos grandes destaques do Festival Varilux de Cinema Francês e agora entra em cartaz no circuito comercial, faz um bom apanhado da história real de Rafael Padilha, um ex-escravo que nasceu em Cuba no ano de 1868. Ainda criança foi vendido, mas fugiu por causa dos maus-tratos e, sem …

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Buraco da fechadura

Até o padre da cidade veio dar uma espiada. O guindaste se estrebuchava em manobras e nada. Adalberto, de braços cruzados, permanecia na calçada em frente da casa, enquanto Alziza entrava e saía aflita, temendo o embaraço da máquina e os braços cruzados do marido. A piscina não queria entrar na casa nem a pau. Taquatinga torcia pelo sucesso de sua primeira piscina. Taquatinga era uma boa cidade para se viver. A cidade dormia e acordava cedo. Trabalhava, se alimentava, conversava na calçada, futricava na praça, rezava e colhia cana e laranja, produtos que lhe permitiram durante anos pintar as casas e conservar a igreja matriz. Esta rotina se arrastou até o dia em que Adalberto voltou à cidade com a mulher e a sogra, depois de duas décadas em que Adalberto viveu de desacertos na capital paulista. Adalberto, agora …

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Créditos: Reprodução/Internet. Cena do filme Nós ou nada em Paris

“Nós ou Nada em Paris”, a arte de rir pra não chorar

Fazer “rir pra não chorar” é um talento. Em “Nós ou Nada em Paris” (Nous Trois ou Rien), as tragédias recentes no Irã ganham um ar de comédia, ou de tragicomédia, na direção do estreante rapper e comediante franco-iraniano Kheiron, revelado ao público francês no programa “Jamel Comedy Club”. A fórmula já foi usada outras vezes, como em “A Vida é Bela”, que extraiu risos em uma história passada em um campo de concentração, por exemplo. Mas Kheiron consegue algo mais ao retratar a história verdadeira de sua família, ambientada em um recente período turbulento de mudanças políticas extremas no Irã. Kheiron interpreta o próprio pai ao mostrar a trajetória de seus pais, Hibat e Fereshteh Tabib (Leila Bekhti, de “O Profeta”), que foram obrigados a pedir asilo político na França após militância nos grupos de oposição tanto ao regime …

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A Pré-história da Palavra

a pré-história da palavra maciça de origem e vértebra soletra todo mal-entendido divã é uma palavra de olho aberto um tecido, sobretudo espessura partitura a palavra dura encarcera-se o que estava ali era um refrão demorar é uma palavra que habita o escuro hospeda o invisível entra-se nu na palavra pra ver onde está o vestido uma frase de defeito o infinito tem fim etimologia maleável Jaqueline Fernandes Noir 2016

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