José Pedro Soares Martins

Mineiro nascido com gosto de café e pão de queijo, ama escrever pois lhe encantam os labirintos, os segredos e o fascínio da vida traduzidos em letras.

Com Plano Diretor, Campinas está perto de colocar em risco o futuro

Uma das edições do Reviva o Rio Atibaia, em Sousas: Plano Diretor precisa garantir proteção dos recursos hídricos (Foto Martinho Caires)

Na semana passada Campinas deu mais um passo rumo a um desenvolvimento mais sustentável, com a inauguração de duas fábricas da chinesa BYD, produtora de baterias e veículos elétricos e equipamentos em energia solar. Mas esta mesma cidade, que há alguns dias também tinha registrado outros avanços, como os anúncios do reservatório municipal de água e do contrato para implantação do BRT, corre no momento um grande risco de hipotecar o futuro, em função de ameaças decorrentes da discussão sobre o seu novo Plano Diretor Estratégico (PDE). A mais flagrante delas é a possibilidade de uma expressiva expansão do perímetro urbano, com a consequente redução da área rural. Mas também existem outras ameaças, ou possibilidades de se perder chances históricas, não menos prejudiciais …

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BRT e febre amarela: Campinas rumo ao futuro e sob a sombra do século 19

Jardins do MACC e Biblioteca Municipal, um dos espaços que mostram a escolha de Campinas por avanços civilizatórios (Foto José Pedro Martins)

Civilização ou barbárie? Nos últimos dias Campinas deu importantes passos rumo ao futuro, com o anúncio pelo governo municipal da desapropriação de área para a construção do primeiro reservatório de água, no distrito de Sousas, e a assinatura de contrato com o governo federal, para liberação de recursos destinados à implantação do sistema BRT (Bus Rapid Transit, em inglês, como tudo no Brasil que adora o que vem de fora), beneficiando a região mais populosa da cidade. Também nesses dias, por outro lado, foi confirmada a morte de macacos por febre amarela também em Sousas, a cidade acompanhou a desocupação de centenas de famílias sem-teto de uma área particular e foi informada a respeito da superlotação em UTIs que recebem bebês. Claros sinais de …

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Da febre amarela à cólera dos rios: lições de 1889 para a Campinas de 2017

Atibaia seco em 2014: rios e matas da APA de Campinas demandam atenção permanente (Foto Adriano Rosa)

No livro “Campinas do Matto Grosso: Da febre amarela à cólera dos rios”, de 1997, comentei o impacto da epidemia que por pouco não devastou a cidade no final do século 19, no auge da riqueza proporcionada pelo Ciclo do Café e em plena euforia do movimento republicano. Agora, 2017, que a febre amarela volta a assustar a metrópole que é polo industrial, científico e tecnológico, é importante resgatar as lições daquela tragédia, que teve seu auge em 1889 mas durou até 1897, um ano depois da morte do ícone local, Antônio Carlos Gomes. Tratei do mesmo tema em outros livros, como “Câmara em Foco: Os 200 anos do Poder Legislativo em Campinas” e “Campinas, Imagens da História” (Editora Komedi), de 2007. São …

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Campinas ainda está longe de ser uma cidade sustentável

Viracopos:: cidade que tem um Aeroporto Internacional merece um Plano Diretor Estratégico modelo (Foto Adriano Rosa)

Mais uma vez Campinas aparece bem posicionada em ranking nacional. Agora, em sexto lugar no Índice de Desafios da Gestão Municipal (IDGM), que considera 16 indicadores em cinco áreas: Educação, Saúde, Segurança, Saneamento e Sustentabilidade. São justamente algumas das áreas que vêm mostrando que, apesar de suas inegáveis vantagens comparativas com relação ao quadro geral do Brasil, Campinas ainda está longe de ser considerada uma cidade efetivamente sustentável. Sim, não dá para negar. Tenho andado muito por este Brasil nos últimos anos e dá para afirmar que Campinas continua muito à frente em vários quesitos, como o seu polo científico e tecnológico, a sua malha logística – com destaque para as rodovias e Aeroporto Internacional de Viracopos – e o parque universitário, …

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Pressão pela privatização do saneamento avança, um ano antes do Fórum Mundial da Água

Brasília sediou o polêmico Fórum Mundial da Água (Foto Adriano Rosa)

Projetos de privatização da transposição do São Francisco e da Cedae, no Rio de Janeiro. Venda de terras – e, com elas, nascentes de água – a estrangeiros. Compra de 70% da Odebrecht Ambiental (que controla vários serviços municipais de saneamento no Brasil, como o de Sumaré) pela canadense Brookfield. São vários os passos apontando para uma ofensiva pela privatização da água e do saneamento no país. Isto, a pouco mais de um ano do Fórum Mundial da Água que, em sua oitava edição, será realizado em Brasília, em março de 2018. O Fórum é promovido pelo Conselho Mundial da Água, organização criada com apoio de grandes corporações do setor e que já foi muito refratário a considerar a água potável e saneamento …

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