Mais poder para as mulheres, com “Mulher-Maravilha” e Sofia Coppola

 

DaniPrandi_0188c_500A Mulher-Maravilha chegou ao cinema a tempo para o discurso sobre o, para usar a palavra da moda, empoderamento feminino. A heroína marcou minha adolescência em frente à TV, consumindo “enlatados”, como se dizia naquela época, quando a luta das mulheres não era tão diferente da de agora, como por exemplo, pela equiparação salarial. O filme é dirigido por uma mulher, Patty Jenkins, e a escolhida para vestir a fantasia da heroína foi a atriz israelense Gal Gadot, atlética por causa de seus anos no exército.

Confesso que, a princípio, estranhei Gal Gadot. Onde estão os olhos azuis e a pele de porcelana da Miss América Linda Carter? Mas o que posso dizer é que o filme emociona, conta a história direitinho e as cenas de luta não são enjoativas.

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A morenice da atriz israelense Gal Gadot dá à nova mulher-maravilha uma imagem globalizada

Ambientado na Primeira Guerra, a “Grande Guerra”, como eles chamavam na época, mal sabendo que alguns anos depois viria outro conflito, o filme segue o básico: mostra como Diana, criada em uma ilha habitada por amazonas chamada Temiscira, cuja mãe é a rainha (Connie Nielsen) e sua tia a general Antiope (Robin Wright), tem sua rotina abalada com a chegada do piloto norte-americano Steve Trevor (Chris Pine), que tem um acidente de avião e cai justamente ali.

Assim como outros filmes de super-herói, a história já é conhecida por muitos. Diana vai com o piloto para Londres e depois ao front na Bélgica, quando enfrenta os inimigos no melhor estilo dos super-heróis. Em sua ingenuidade, acredita que será capaz de encerrar o conflito. E vale dizer que as cenas das batalhas da Primeira Guerra nunca foram tão divertidas. Mas o grande achado do filme é a interpretação de Gal Gadot, que consegue imprimir uma atitude entre curiosidade e coragem para sua heroína.

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Os músculos adquiridos no período em que serviu ao exército dão a Gal Gadot o porte ideal para as lutas

Por falar em curiosidade: em nenhum momento do filme a personagem é chamada de “Mulher-Maravilha”. E mais uma: nos créditos finais (não há cenas extras) há uma homenagem aos quadrinistas que já a desenharam e entre eles está o brasileiro Mike Deodato nos anos 1990.

Enquanto a “Mulher-Maravilha” chegava ao cinema, em Cannes outra mulher fazia história. A cineasta norte-americana Sofia Coppola levou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes de 2017, no final de maio, por seu filme “The Beguiled”. Com o prêmio, veio uma estatística surpreendente: nestes 70 anos de festival, apenas uma mulher havia levado o prêmio antes, a russa Yuliya Solntseva, em 1961, por “A Epopeia dos Anos de Fogo”.

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Sofia Coppola (na foto, de roupa preta) levou o prêmio de melhor direção em Cannes 2017

O filme de Sofia Coppola, que já nos brindou com pérolas como “Encontros e Desencontros”, é uma adaptação do romance de Thomas Cullinan levado aos cinemas em 1971 por Don Siegel, com o durão Clint Eastwood como protagonista, com o nome de “O Estranho que Nós Amamos”. Na nova versão, o elenco conta com Nicole Kidman, Colin Farrell, Elle Fanning e Kirsten Dunst e a estreia no Brasil está prevista para agosto.

A história se passa na Virgínia (EUA), em 1864, três anos após o início da Guerra Civil. John McBurney (Colin Farrell) é um cabo da União que, ferido em combate, é encontrado em um bosque pela jovem Amy (Oona Laurence). Sua primeira atitude é levá-lo para casa, um internato de mulheres gerenciado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Lá, elas decidem cuidar dele e, depois da recuperação, entregá-lo às autoridades. Mas as mulheres, cada uma a sua maneira, começam a demonstrar interesses e desejos pelo único homem por ali.

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“The Beguiled”, o filme de Sofia Coppola, com Nicole Kidman, estreia em agosto no Brasil

Nicole Kidman, aliás, que foi a homenageada com o prêmio de honra da 70a edição do Festival de Cannes, aproveitou a ocasião para discursar sobre a representatividade feminina no cinema. “Apenas 4% dos filmes foram dirigidos por mulheres em 2016. Isso diz tudo. É algo importante a dizer e que precisa continuar a ser falado. Por sorte, temos Jane Campion e Sofia Coppola aqui. Como mulheres, temos que dar suporte a essas diretoras. Todos dizem que hoje as coisas são diferentes, mas não são. Basta olhar as estatísticas”, afirmou a atriz que, recentemente, estrelou a série do canal de TV HBO “Big Little Lies”, também sobre o universo das mulheres. Na série, que vi e recomendo, sua personagem vive um casamento de abusos e agressões. O desfecho é sensacional.

TRAILER

Mulher-Maravilha

The Beguiled

Sobre Daniela Prandi

Daniela Prandi, paulista, jornalista, fanática por cinema, vai do pop ao cult mas não passa nem perto de filmes de terror. Louca por livros, gibis, arte, poesia e tudo o mais que mexa com as palavras em movimento, vive cada sessão de cinema como se fosse a última.

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