Está louca? Tartarugas Ninja na capa do caderno de Cultura?

DaniPrandi_0188c_500Elas nasceram nos quadrinhos underground, eram sombrias e violentas, em preto e branco, no melhor do pior estilo tosco, quase uma piada de mau gosto, na metade dos anos 1980. Poucos conheciam as tais “Tartarugas Mutantes Adolescentes Ninja” até que o filme foi lançado, em 1990. Fanática por gibis, e graças aos amigos mais underground, me divertia com Donatello, Michelangelo, Leonardo e Raphael. Demorei algum tempo até convencer o editor do jornal onde começava minha carreira de que a estreia de cinema merecia a capa. “Está louca? Tartarugas Ninja na capa do caderno de Cultura”?

Na época, o filme tinha entrado para a história como a produção independente que mais tinha faturado até então. Tinha custado US$ 13 milhões e arrecadado mais de US$ 200 milhões. Era um fenômeno cultural, argumentei.

O primeiro filme se resumia a contar a origem das personagens, o clima soturno tinha sido um pouco amenizado e tal, mas ainda assim tinha recebido aprovação dos fãs e conquistado quem ainda não conhecia o quarteto. Meu editor, pouco afeito ao mundo pop, olhou as outras estreias da semana – e naquela época, em Campinas (SP), nem eram tantas assim – e me disse: “Faz o texto que depois a gente vê.”

Caprichei, fiz muitos telefonemas para geeks – ainda que essa palavra ainda não era usada, os geeks já existiam… – em busca das informações possíveis e das impossíveis, em um mundo sem internet; consegui o número de um jornalista de São Paulo que havia entrevistado a dupla Kevin Eastman e Peter Laird, os criadores das Turtles, e liguei na casa dele, de manhã (!). Juntei minhas anotações e fui para a máquina de escrever – sim, ainda não havia computadores também. Laudas (que é como se chamavam as folhas nas quais a gente escrevia os textos) e laudas depois, o texto estava pronto para a estreia. A minha estreia na capa do caderno de Cultura.

Megan Fox como April O'Neil, a "amiga-humana-bonita-confiável-esperta que se espera"
Megan Fox como April O’Neil, a “amiga-humana-bonita-confiável-esperta que se espera”

Tantos anos depois, com óculos 3D, pipoca e outro bando de geeks, conferi, no novo cinema mega ultra tecnológico do Rio de Janeiro, a apresentação para a imprensa do novo filme, chamado “As Tartarugas Ninja Fora das Sombras”. Donatello, Michelangelo, Leonardo e Raphael estão lá, assim como seu mestre, o rato Spliter, em sequências para revirar os olhos e o estômago. Talvez não seja boa ideia comer tanta pipoca… Para os marmanjos, há ainda a musa Megan Fox, que volta no papel de April, a amiga-humana-bonita-confiável-esperta que se espera.

As turtles, como o próprio nome do filme adianta, estão “fora das sombras”. Na trama, chegam até mesmo a brigar por causa da real possibilidade de se tornarem humanas. Há muito tempo as Tartarugas Ninja mudaram. Depois do estrondoso sucesso no cinema, viraram desenho animado, game, estrelaram outros filmes, ficaram fofinhas, sempre com gosto de pizza quentinha, com queijo derretendo, a comida favorita de Michelangelo. E quem não gosta?

Tão longe, tão perto; as Tartarugas Ninja de 2016 estão lá e cá em torno da ideia original, e nem por isso perderam a graça. É que agora a graça é outra.

Michelangelo se delicia com sua comida preferida, pizza, no novo filme das tartarugas que tem o brasileiro Lula Carvalho na direção de fotografia e uma ponta da modelo Alessandra Ambrósio
Michelangelo se delicia com sua comida preferida, pizza, no novo filme das tartarugas que tem o brasileiro Lula Carvalho na direção de fotografia e uma ponta da modelo Alessandra Ambrósio

Michael Bay, o homem por trás do sucesso da franquia Transformers, apostou todas as fichas no novo filme das Tartarugas. Há referências a Transformers – aliás, Megan Fox também está nesse –,  tem a volta do vilão Destruidor (Brian Tee), dois novos capangas mutantes, Bebop e Rocksteady, e a chegada de um novo personagem ao grupo, o lendário vigilante Casey Jones, vivido por Stephen Amell, que é uma boa surpresa. O alívio cômico vem de Vernon Fenwick, que leva os créditos pelos feitos das tartarugas, interpretado por Will Arnett.

Curiosidade: o Brasil tem seus momentos no filme. O diretor de fotografia é Lula Carvalho, o mesmo de “Tropa de Elite” e do recente “Robocop”, ambos de José Padilha. A modelo Alessandra Ambrósio faz uma ponta como ela mesma e a floresta amazônica é um dos cenários da trama, que envolve um alienígena que quer destruir a Terra (!), o supervilão Krang, “um chiclete mascado”, na perfeita definição de Michelangelo. É claro que as Tartarugas não vão deixar. Cowabunga!

 

TRAILER

 

Sobre Daniela Prandi

Daniela Prandi, paulista, jornalista, fanática por cinema, vai do pop ao cult mas não passa nem perto de filmes de terror. Louca por livros, gibis, arte, poesia e tudo o mais que mexa com as palavras em movimento, vive cada sessão de cinema como se fosse a última.

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