Jaqueline Fernandes

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A coluna vertical da palavra – outro rastro

  do antes e durante – escuta que se escreve esperava intrigada pela pergunta. o que é? os olhos coreografavam movimentos lentos quando pesava as palavras. qual cardápio invisível, sem pauta, in-aberto, ela abrira? hipnotizada por si mesma, parou com os olhos na parede, piscou e com uma certeza, que só a alegria conhece, pronunciou o que encontrara. o prazer de nomear e depois… há momentos de puro-estar-ali   ela – 9 anos – por que foi importante para você aprender a escrever? – para escrever minhas coisas favoritas, mensagens, textos, livros e as letras que formam as sílabas que formam as palavras. começa de um risco e vai formando um desenho e é isso. – você acha importante saber pontuação? – sim, sem a pontuação não iria ter começo, não iria ter pausa e não haveria fim. – o …

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A Coluna Vertical da Palavra

Alexia, 9 anos Alice, 5 anos     vertical é um movimento ou um negócio que fica de pé ou estável em cima verdical é de folha   coluna é aqui atrás   hipótese é alguma coisa que pode ou não acontecer, sem certeza exata hipótese parece pó jogo é uma coisa que a pessoa vê no celular e ela tem que jogar porque é divertido. tem jogo que é rápido e você não consegue jogar   texto é um conjunto de palavras, forma uma frase com um ponto e começa outra frase e assim se forma um texto   sujeito é uma pessoa ou um desconhecido e é chamado de sujeito. um sujeito pode ser qualquer pessoa, um homem, uma criança ou um idoso, sujeito em sentido masculino   indefinido é uma coisa que não se define, impreparada   …

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Jaqueline_repetição nunca é a mesma coisa

Nome e Sobrenome – Jaqueline Fernandes

No velado rastro do caminho, que não mais queria fazer de volta pra casa, sua história havia se alojado. Carregava datas sem cronologia, apagava e escrevia poema alheio, colava pedaço do outro, colecionava palavra de morto, acreditava numa linha anônima. Neste ensaio do vazio de si, a história deslocada perambulava como insone a procura da adormecida. E ela raspava, como se eliminando o excesso, o singular apareceria. A insistente história retomava sua narrativa no intervalo dos dias. E ela via, de olhos fechados, uma página na paisagem, linhas mais largas do que o escrito. Alguém lia um livro sem pontuação e ela escutava sem olhos. Muitas estavam ali e ela em todas, mas estava sem a cabeça, era um vestido. Viu também uma porta semiaberta e se encostou pronta com passos firmes. No ombro, um corpo, no braço uma sombra, …

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A Pré-história da Palavra

a pré-história da palavra maciça de origem e vértebra soletra todo mal-entendido divã é uma palavra de olho aberto um tecido, sobretudo espessura partitura a palavra dura encarcera-se o que estava ali era um refrão demorar é uma palavra que habita o escuro hospeda o invisível entra-se nu na palavra pra ver onde está o vestido uma frase de defeito o infinito tem fim etimologia maleável Jaqueline Fernandes Noir 2016

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palavra desgarrada de seu território_destacada_Jaqueline Fernandes

Palavra Roubada

O que vem primeiro: palavra ou pensamento? Diadorim era minha neblina, diz Riobaldo em Grandes Sertões Veredas. Neblina? Diadorim enevoado em Riobaldo. A palavra neblina se desterritorializa, se desgarra de seu habitual habitat e inaugura em mim novo pensamento. Pode alguém ser minha neblina? Naquele momento, tomada pela leitura, uma felicidade se instaurou, ampliando os percursos de meu pensar. Penso a criança. Como aparece o que pode ser dela?  Nasce com nome, herda língua, palavras e pensamentos maternos. Difícil construir um lugar singular que não junto à mãe. Uma porta pode ser a poesia, a criança em contato e produzindo enriquece vocabulário, elabora seu mundo descolando-se, minimamente, do familiar. Mesmo não compreendendo, absorve uma semente que vingará em seu desenvolvimento. Palavra bem-dita adere escuta, acalma monólogos, encontra diálogo. A palavra bem-dita pausa na etimologia, pausa partindo a palavra ao meio, …

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