Daniela Prandi

"Game of Thrones":  sucesso impressionante (Foto Divulgação)

O mundo está ruim para você? Em Westeros está muito pior

Antes da estreia da sétima e penúltima temporada de “Game of Thrones”, no domingo (16 de julho), parei para conferir uma teoria que tentava explicar o sucesso da série de TV, um verdadeiro fenômeno cultural, ao redor do mundo.  Para resumir: sua vida está ruim, seu país está uma confusão, a violência voltou a te assombrar, seus governantes não te representam e o futuro sabe-se lá como vai ser? Pois bem, em Westeros está pior. Westeros, para quem está chegando agora, é um vasto continente com reinos onde se desenrola a história de GoT (como a série passou a ser conhecida nas redes sociais), que nasceu de uma coleção de seis livros de fantasia do autor George R.R. Martin chamada “A Song of Ice and Fire”. O grande medo é que “o inverno está chegando” e, assim, antes da maior …

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Um protagonista que vive "no mundo da lua"

A comédia da (in)tolerância em “Más Notícias para o Sr. Mars”

O mundo pede tolerância, mas a realidade não deixa dúvidas de que a intolerância ganha territórios. “Más Notícias para o Sr. Mars” (Des nouvelles de la planète Mars), comédia franco-belga com direção de Dominik Moll, é justamente sobre tolerar. Ou até onde se pode ir. O vizinho deixa as sujeiras do cachorrinho em frente da sua casa? O chefe faz assédio moral? Os filhos te ignoram? A ex-mulher é uma folgada? A irmã é mais folgada ainda? Nada afeta o protagonista, Philippe Mars, interpretado com muito carisma pelo ator belga François Damiens. No original, o filme se chama “Notícias do planeta Marte” e faz um trocadilho com o sobrenome do protagonista, “Marte”, um sujeito de 49 anos que prefere viver “no mundo da Lua”. A galeria de situações que o poderiam levar a perder a tolerância é bem construída e, …

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Dirigida por Patty Jenkins, a israelense Gal Gadota faz a nova Mulher-Maravilha

Mais poder para as mulheres, com “Mulher-Maravilha” e Sofia Coppola

  A Mulher-Maravilha chegou ao cinema a tempo para o discurso sobre o, para usar a palavra da moda, empoderamento feminino. A heroína marcou minha adolescência em frente à TV, consumindo “enlatados”, como se dizia naquela época, quando a luta das mulheres não era tão diferente da de agora, como por exemplo, pela equiparação salarial. O filme é dirigido por uma mulher, Patty Jenkins, e a escolhida para vestir a fantasia da heroína foi a atriz israelense Gal Gadot, atlética por causa de seus anos no exército. Confesso que, a princípio, estranhei Gal Gadot. Onde estão os olhos azuis e a pele de porcelana da Miss América Linda Carter? Mas o que posso dizer é que o filme emociona, conta a história direitinho e as cenas de luta não são enjoativas. Ambientado na Primeira Guerra, a “Grande Guerra”, como eles …

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A demolição autoritária do Palácio Monroe, considerado um "trambolho", aconteceu na década de 1970, no governo Geisel

“Crônica da Demolição”, documentário para quem perdeu a memória

O filme é “Crônica da Demolição”, documentário de Eduardo Ades sobre a derrubada do Palácio Monroe, na Cinelândia, no Rio de Janeiro, durante a ditadura militar. A sala está incrivelmente lotada em um sábado à tarde e, com o sistema de comprar assento numerado, é sempre uma loteria. Desta vez, fiquei no meio de uma família que assim que o filme começou a filha adolescente passou a perguntar sobre cada questão que era colocada. Enquanto o general Geisel e outros personagens no centro de uma demolição absurda, que ficou como um trauma, contada no documentário com muita inventividade, com toques de suspense para quem não sabia a história – como eu, a família no cinema, que era um grupo de umas seis ou sete pessoas, bem no meio da pequena sala do circuito alternativo do Rio de Janeiro, passou a …

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Golshifteh Farahani faz Laura, a esposa de Paterson e sua única leitora e incentivadora, também uma jovem com sonhos banais

Em “Paterson”, Jim Jarmush prova que tudo na vida pode ser poesia

No ir e vir de uma vida sem grandes acontecimentos, um motorista de ônibus de uma pequena e pacata cidade de New Jersey cria poemas em “Paterson”, novo e carinhoso filme de Jim Jarmush. Qualquer coisa serve de motivo para seus escritos, até mesmo o rótulo de uma caixa de fósforos. Curiosamente, seu nome é Paterson, o mesmo da cidade onde nasceu, e também a terra-natal de um de seus poetas favoritos, William Carlos Williams (1883-1963). Paterson acorda todos os dias mais ou menos na mesma hora, sem despertador, abraça a mulher, come sucrilhos, caminha até o trabalho, roda com o ônibus, volta para casa, sai para passear com o cachorro e toma uma cerveja no bar antes de ir dormir. Parece uma vida banal, e talvez seja, a não ser pelo fato de que ele é um poeta. Jim …

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“O Cidadão Ilustre” é ótimo cinema argentino para rir e para pensar

O escritor argentino Daniel Mantovani (Oscar Martínez) aguarda ser chamado para receber o Nobel de Literatura. Mas toda a pompa e circunstância da maior de todas as honrarias do mundo literário caem por terra após o discurso “de agradecimento”, quando o autor faz um manifesto veemente contra “esse tipo de reconhecimento unânime que está relacionado ao declínio de um artista”. O mal-estar é geral e é impossível não lembrar do recente desprezo de Bob Dylan a respeito do mesmo prêmio. A arte imita a vida, ou vice-versa? Mantovani é o protagonista da comédia dramática “O Cidadão Ilustre”, imperdível novidade no cinema a partir desta quinta-feira, 11 de maio. O filme, premiado no Festival de Veneza do ano passado, tem sua força no roteiro e na direção da dupla Gastón Duprat e Mariano Cohn, a mesma de “O Homem ao Lado” …

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O filme foi escrito e dirigido por Terence Davis (Foto Divulgação)

“Além das Palavras” retrata a poesia e a rebeldia de Emily Dickinson

Emily Dickinson (1830-1886) enfrentou, com poesia e rebeldia, uma vida marcada por princípios familiares rígidos que terminou de forma solitária e dolorosa, após sofrer por anos de uma grave doença renal. A poeta, hoje uma das mais inspiradoras e reconhecidas autoras da língua inglesa, teve uma vida praticamente anônima em Amherst (Massachussets) e publicou pouco mais de uma dezena de poemas dos quase 1.800 que foram revelados ao mundo postumamente. “Temo que as mulheres não possam criar a fina literatura”, diz o editor de um jornal ao responder ao seu pedido de publicação em uma cena de “Além das Palavras” (A Quiet Passion, no original), surpreendentemente a primeira cinebiografia da autora, em um filme escrito e dirigido pelo talentoso britânico Terence Davis, de trabalhos premiados, como “O Fim de um Longo Dia” e “Vozes Distantes”. No filme, a protagonista é …

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Isabelle Huppert: magnífica em "Elle" (Foto Divulgação)

Tudo ao mesmo tempo para Isabelle Huppert

Sabe aquele filme recente com a Isabelle Huppert? Qual? Tem “Elle”, “O Vale do Amor”, “O Que Está Por Vir”… são tantos filmes estrelados pela atriz de 64 anos nos últimos meses que vem a pergunta: como é que ela consegue? A francesa muda de personagem como quem troca de roupa e a cada atuação, além de elogios e prêmios, fica a comprovação de que é uma das grandes atrizes dos nossos tempos. Com seu tipo “comum”, consegue realmente se transformar, o que rendeu a ela o apelido, não sei se maldoso, de “Meryl Streep da França”. Entre os filmes recentes da atriz, o que mais provocou polêmica e, portanto, saiu do circuito cult para se tornar notícia, foi “Elle”. Pela interpretação da fria empresária dona de uma empresa de games que é violentada, Isabelle Huppert chamou atenção e ultrapassou …

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"Silêncio" de Martin Scorsese, com Liam Neeson como o jesuíta Cristóvão, trata da questão da fé, baseado na obra do japonês Shusaku Endo

“Silêncio” e “A Cabana” seguem caminhos diferentes para ouvir a voz de Deus

Ouvir a voz de Deus ou, melhor, falar com Deus, é uma questão de fé. E enfrentar o silêncio como resposta é um teste. No meio de tanta violência, guerras e injustiças não é difícil questionar onde está Deus, afinal. Dois filmes recentes que buscam o divino de formas distintas nasceram como livros. Um fez um sucesso estrondoso, outro permaneceu cult. Em ambos, o protagonista é Ele. “Silêncio”, de Martin Scorsese, levou quase 30 anos para sair do papel para a telona. O filme é uma adaptação do livro do japonês Shusaku Endo e trata de temas fortes para o diretor, que é ex-seminarista, principalmente a questão da fé. O filme se passa em 1640 e conta a história de dois jesuítas portugueses, Sebastião Rodrigues (Andrew Garfield) e Francisco Garpe (Adam Driver), que partem para o Japão para reencontrar o …

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Olga, vivida por Yulyia Vyotskaya, mostra sua força em seu depoimento com a cabeça raspada

A dois passos do paraíso com o cineasta russo Konchalovsky

Eles falam diretamente para a câmera e nos contam sua história. Estão diante de quem? De nós, pelo menos. “Paraíso”, mais recente filme do veterano cineasta russo Andrei Konchalovsky, coloca três personagens em cena, em uma brilhante fotografia em branco e preto, e joga com a ideia de que todos temos que nos explicar quando chega a hora. A bela Olga (Yulyia Vyotskaya), princesa russa que milita na Resistência francesa; o burguês Jules (Philippe Duquesne), um chefe de polícia francês e colaboracionista; e Helmut (Christian Clauss), um jovem da aristocracia alemã que se tornou coronel nazista, têm suas vidas cruzadas na Paris ocupada. O “paraíso” do título é uma ironia com a ideia de “paraíso” da propaganda nazista de um novo homem em um novo mundo, mas dá a pista definitiva para que a gente entenda com quem, afinal, os …

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