Daniela Prandi

Isabelle Huppert: magnífica em "Elle" (Foto Divulgação)

Tudo ao mesmo tempo para Isabelle Huppert

Sabe aquele filme recente com a Isabelle Huppert? Qual? Tem “Elle”, “O Vale do Amor”, “O Que Está Por Vir”… são tantos filmes estrelados pela atriz de 64 anos nos últimos meses que vem a pergunta: como é que ela consegue? A francesa muda de personagem como quem troca de roupa e a cada atuação, além de elogios e prêmios, fica a comprovação de que é uma das grandes atrizes dos nossos tempos. Com seu tipo “comum”, consegue realmente se transformar, o que rendeu a ela o apelido, não sei se maldoso, de “Meryl Streep da França”. Entre os filmes recentes da atriz, o que mais provocou polêmica e, portanto, saiu do circuito cult para se tornar notícia, foi “Elle”. Pela interpretação da fria empresária dona de uma empresa de games que é violentada, Isabelle Huppert chamou atenção e ultrapassou …

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"Silêncio" de Martin Scorsese, com Liam Neeson como o jesuíta Cristóvão, trata da questão da fé, baseado na obra do japonês Shusaku Endo

“Silêncio” e “A Cabana” seguem caminhos diferentes para ouvir a voz de Deus

Ouvir a voz de Deus ou, melhor, falar com Deus, é uma questão de fé. E enfrentar o silêncio como resposta é um teste. No meio de tanta violência, guerras e injustiças não é difícil questionar onde está Deus, afinal. Dois filmes recentes que buscam o divino de formas distintas nasceram como livros. Um fez um sucesso estrondoso, outro permaneceu cult. Em ambos, o protagonista é Ele. “Silêncio”, de Martin Scorsese, levou quase 30 anos para sair do papel para a telona. O filme é uma adaptação do livro do japonês Shusaku Endo e trata de temas fortes para o diretor, que é ex-seminarista, principalmente a questão da fé. O filme se passa em 1640 e conta a história de dois jesuítas portugueses, Sebastião Rodrigues (Andrew Garfield) e Francisco Garpe (Adam Driver), que partem para o Japão para reencontrar o …

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Olga, vivida por Yulyia Vyotskaya, mostra sua força em seu depoimento com a cabeça raspada

A dois passos do paraíso com o cineasta russo Konchalovsky

Eles falam diretamente para a câmera e nos contam sua história. Estão diante de quem? De nós, pelo menos. “Paraíso”, mais recente filme do veterano cineasta russo Andrei Konchalovsky, coloca três personagens em cena, em uma brilhante fotografia em branco e preto, e joga com a ideia de que todos temos que nos explicar quando chega a hora. A bela Olga (Yulyia Vyotskaya), princesa russa que milita na Resistência francesa; o burguês Jules (Philippe Duquesne), um chefe de polícia francês e colaboracionista; e Helmut (Christian Clauss), um jovem da aristocracia alemã que se tornou coronel nazista, têm suas vidas cruzadas na Paris ocupada. O “paraíso” do título é uma ironia com a ideia de “paraíso” da propaganda nazista de um novo homem em um novo mundo, mas dá a pista definitiva para que a gente entenda com quem, afinal, os …

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Um ano depois, chega ao Brasil "Fatima", vencedor do César 2016, que conta a história da argelina Fatima (Soria Zeroual) e suas filhas na França

O véu de “Fatima” no choque cultural de nossos tempos

Em uma temporada com fortes concorrentes, “Fatima” foi o vencedor do César, o “Oscar francês” de 2016, em três categorias: melhor filme, roteiro e atriz revelação, para Zita Hanrot. Triste, moderno e realista, o filme destaca a distância cada vez maior entre a nova geração francesa dos filhos dos imigrantes africanos, que nasceram ali, e a de seus pais, muitos dos quais não falam francês. Mas, mais do isso, “Fatima” destaca a hora de separar o que vai e o que fica. Um ano depois, o filme chega ao Brasil. Logo no primeiro dia de exibição, em uma tarde calorenta de uma quinta-feira de março, havia fila para a sessão da tarde no cinema cult de Botafogo, no Rio de Janeiro. Chamava atenção um grupo de amigas que falava (alto) sobre a atitude/aceitação das mulheres que usam lenço, o véu …

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Com cenas memoráveis, "Trainspotting 2" mantém o mantra "primeiro a oportunidade, depois a traição"

A volta de Trainspotting e de tudo aquilo que nos faz turista da nossa juventude

A música é frenética, Renton (Ewan McGregor) está correndo, mas o ambiente é bem diferente do primeiro “Trainspotting”. O escocês maluco que deu o golpe nos não menos malucos Spud (Ewen Bremner), Sick Boy (Jonny Lee Miller) e Begbie (Robert Carlisle) há 21 anos, está correndo na esteira de uma academia lotada. A sequência inicial de “Trainspotting 2”, ou “T2”, que estreia nesta quinta-feira (23 de março), manda logo o recado: o mundo mudou. David Bowie está morto, o telefone celular comanda nossas vidas, as câmeras de vigilância nas ruas nos lembram que nada escapará, as redes sociais dominam as relações, tem Viagra, tem drogas sintéticas e… Brexit. Neste admirável mundo nem tão novo, o reencontro com os quatro malucos criados pelo escritor escocês Irvine Welsh é inesperado. Ninguém sabia que eles estavam vivos. E ninguém, vamos falar a verdade, …

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Nicoletta Romanoff, do elenco de "A Verdade", é uma dos artistas esperados na mostra em Campinas

Campinas ganha mostra com a nova geração do cinema italiano

Campinas, que em outras épocas já foi referência em cinema, tem boas notícias para os cinéfilos. De 6 a 13 de abril, a cidade recebe o evento Mostra de Cinema Italiano, que vai contar com a estreia mundial de “A Verdade” (Le Verità), primeiro filme do diretor Giuseppe Alessio Nuzzo, de 27 anos, que reúne uma equipe de jovens profissionais, com idade máxima de 35 anos, dentro da proposta do projeto Film4Young. Durante a apresentação do projeto e do trailer no Festival de Veneza, em setembro do ano passado, Nuzzo disse que “A Verdade” representou um “duplo desafio”: “Fizemos um filme com uma equipe completamente sub-35 e trouxemos o gênero thriller psicológico ao cinema italiano.” “A Verdade” acompanha a história de Gabriel (interpretado por Francesco Montanari), um jovem empresário desiludido com os rumos de sua vida que, depois de uma …

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"Eles Só Usam Black-tie" mostra a vida de jovens negros sul-africanos e é quase todo rodado em branco e preto

“Eles Só Usam Black-tie” retrata crise de geração pós-Apartheid

O suicídio de uma garota da turma transmitido on-line muda o futuro de um grupo de amigos de um bairro de negros de classe média alta na África do Sul. Em “Eles Só Usam Black-tie” (tradução para “NeckTieYouth”, algo como “juventude de gravatas”), que estreia no Brasil nesta semana, o novato diretor Sibs Shongwe-La Mer, de 23 anos, retrata “millennials” em crise existencial, em meio a drogas, falta de perspectiva e conversa fiada. O título do filme no Brasil faz trocadilho com “Eles Não Usam Black-Tie”, de 1981, dirigido por Leon Hirszman, mas vamos levar “na esportiva”. O cenário do filme é um país igualmente em crise, após o fim do Apartheid, e Joanesburgo, uma cidade com toda a crise que se pode carregar com tanta desigualdade social escancarada. O filme, que lembra “Kids” (de Larry Clark, de 1995), foi …

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“Moonland” ou “La La Night”?: vexame na festa do Oscar 2017

  A festa está linda, ótimas companhias, diversão para todos lados, e bem na hora marcada para o gran finale um convidado escorrega, derruba tudo, arranca a toalha da mesa, logo o bolo está virado no chão… E todo mundo vai embora com vontade de comer bolo. Assim foi a festa do Oscar 2017. O que deveria ser o ápice da cerimônia de entrega dos melhores da temporada acabou em um grande vexame. Anunciaram “La La Land” como melhor filme, mas o vencedor era “Moonlight”. Logo o ato falho se tornou “meme”, com muitas referências ao recente concurso de Miss Universo, que teve o mesmo triste final. Warren Beatty e Faye Dunaway, a dupla “Bonnie e Clyde”, no filme lançado há 50 anos, foi a escalada para o anúncio do último prêmio. Beatty puxou o papel do envelope e fez …

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"Até o Último Homem" é baseado em história real do soldado-médico que se recusou a pegar em armas na Segunda Guerra Mundial

“Até o Último Homem” e “A Qualquer Custo”: filmes para duros na queda

A indústria do cinema comprova que são as mulheres que decidem qual filme o casal vai assistir, mas é preciso fazer concessões, para o bem da vida a dois, e encarar uns “filmes de durões” de vez em quando. Dois gêneros, o faroeste e o filme de guerra, que transbordam masculinidade, estão muito bem representados nesta temporada e com indicações ao Oscar 2017, cuja cerimônia será neste domingo (26 de fevereiro). “Até o Último Homem”, que marca o retorno de Mel Gibson à direção, e “A Qualquer Custo”, western sobre dois irmãos ladrões de bancos, são sobre homens, com a maioria do elenco composta por homens que pegam em armas, outra “coisa de homem” (é claro que há exceções, não quero generalizar nem muito menos polemizar), e espalham violência. “Até o Último Homem”, com seis indicações ao Oscar, incluindo melhor …

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O terceiro longa da diretora alemã Maren Ade, "Toni Eardmann", pode provocar risadas, mas há uma melancolia profunda no conflito de gerações

“Toni Erdmann”: seu pai não te entende, você não entende seu pai

  Em “Toni Erdmann”, forte concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o protagonista é o alemão Winfried (Peter Simonischek), que tem um humor bem peculiar. Tira sarro de tudo e de todos e encara a vida como uma grande piada. Sacaneia o carteiro, seu aluno de piano e (muito mais) a própria família. Usa “disfarces”, como uma horrível peruca, carrega uma dentadura maluca no bolso da camisa e, a qualquer momento, se transforma em um outro. Um deles é Toni Erdmann, que o fará se reaproximar da filha, Ines (Sandra Hüller), workaholic mais conectada ao telefone celular do que aos seus. O terceiro longa da diretora alemã Maren Ade (que estreou em 2003, com “Floresta para as Árvores” e, logo no segundo filme, “Todos os Outros”, levou o Grande Prêmio do Júri do Festival de Berlim, em 2009) pode …

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