Daniela Prandi

"A Forma da Água" é campeão d e indicações ao Oscar deste ano (Foto Divulgação)

“A Forma da Água”, um filme de monstro para escapar dos nossos tempos

Para “começar” o ano nada como um bom escapismo no cinema com um filme de monstro com muita ternura e muitas interpretações. “A Forma da Água”, campeão de indicações ao Oscar 2018 (concorre em 13 categorias), é uma fábula, um romance improvável, um filme sessão da tarde, tem humor e poesia, mas também coloca em camadas temas como o ser diferente, a solidão e a falta de perspectivas em um mundo bem sombrio. O sombrio, aliás, vem do passado, mais precisamente os anos 1960, com toda aquela paranoia de Guerra Fria, dos russos que querem chegar primeiro na Lua e dos vilões que perdem dedos, mas nunca a vontade de matar ao estilo dos filmes do 007. “A Forma da Água” nasceu da mente do mexicano Guillermo Del Toro, que já andou pelo universo fantástico em “O Labirito do Fauno …

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A produção ocupa a vaga "independente" do Oscar (Foto Divulgação)

Com afeto, “Me Chame pelo seu Nome” vai muito além do rótulo filme gay

Quando Oliver (Armie Hammer) propõe ao jovem Elio (Timothée Chalamet, o ator-sensação da temporada) que ele o chame pelo seu nome, os dois se tornam um. A brincadeira continua com jogos de sedução e é tempo de iniciar-se na aventura do amor e do sexo. O recém-chegado norte-americano, que desembarca para uma temporada na Itália na casa da família do talentoso adolescente, que compõe ao piano e passa o tempo lendo livros, inspira a descobertas. “Me Chame pelo seu Nome”, indicado a quatro categorias do Oscar 2018, é um filme sobre o despertar do sexo homossexual, mas é mais, pois carrega razão e sensibilidade.   Indicado nas categorias melhor filme, ator (Timothée Chalamet), roteiro adaptado e canção original (“The Mystery of Love”, de Sufjan Stevens, cuja “Visions of Gideon” também está na trilha), “Me Chame pelo seu Nome” poderia ser …

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"A forma da água",  um dos fortes candidatos (Foto Divulgação)

Mulheres e monstros em um Oscar mais inclusivo após as denúncias de assédio

O anúncio da lista dos indicados ao Oscar é sempre um acontecimento para quem é fã de cinema e nesta temporada havia um suspense a mais, já que há um movimento pelo boicote a filmes produzidos, escritos e/ou protagonizados por homens da indústria pegos com as calças na mão na avalanche de denúncias de assédio sexual digna dos melhores filmes-catástrofes de Hollywood. Conclusão: tiraram James Franco da festa. Mas não só. O Oscar 2018 mostrou que aprendeu a lição após acusações de discriminação em edições anteriores (apesar de ter esnobado a “Mulher-Maravilha” de sua lista de indicados). Outras “mulheres-maravilhas”, porém, garantiram seu lugar, como a jovem e talentosa Greta Gerwig, que vai concorrer nas categorias melhor direção e melhor roteiro original por seu “Lady Bird”, que recebeu cinco indicações. Também indicaram pela primeira vez uma mulher na categoria melhor fotografia, …

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Juno Temple em fuga do marido mafioso (Foto Divulgação)

E se a cura de todos os males for um filme de Woody Allen?

A virada do ano trouxe um novo Woody Allen aos cinemas e garantiu uma certa dose terapêutica para receber 2018. Afinal, filmes do Woody Allen já foram recomendados como a cura de todos os males, pelo menos em “Paris-Manhattan”, longa da jovem cineasta francesa Sophie Lellouche, que coloca sua protagonista, a farmacêutica Alice (Alice Taglioni), a indicar seus filmes para aliviar as dores da vida. Em “Roda Gigante”, o cineasta, aos 82 anos, mais uma vez faz o seu melhor. Allen sempre fez questão de misturar emoções, e o humor geralmente predomina. Em “Roda Gigante”, porém, o tom é mais do melodrama, apesar do riso nervoso que permanece. Entre rir, se emocionar e se perguntar pra que tanta loucura afinal, vale procurar respostas para perguntas que ainda nem foram feitas, ou, talvez, adotar uma postura defensiva, parecem mostrar seus personagens. …

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Martha e Maria, as protagonistas do segundo filme do diretor carioca Charly Braun (Foto Divulgação)

“Vermelho Russo”, o inesperado de uma viagem a Moscou

Para que o dia seja bom o costume é fazer um carinho no nariz da estátua do cão pastor ao lado do policial, uma das 76 imponentes peças de bronze da estação de metrô Ploschad Revolutsii, em Moscou. Locais e turistas se alternam entre rápidos afagos, selfies e pose para fotos em grupo, enquantos os trens chegam e saem. Recentemente, a tradição foi retratada no filme brasileiro “Vermelho Russo” e, naquele mesmo lugar, repetindo o afago no focinho do cachorro, foi impossível não me lembrar de Martha e Maria, as protagonistas do segundo filme do diretor carioca Charly Braun. Moscou me recebe nos últimos dias de outubro com a primeira neve do fim de ano. São apenas alguns flocos, mas que já deixam branca a paisagem do Parque Gorki, a poucas quadras do hotel. O frio convida para um passeio …

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Como criar o filho para um novo mundo? (Foto Divulgação)

“Mulheres do Século 20” ensina o novo homem a amar a nova mulher

Há um otimismo sobre como a sociedade poderia ser construída em “Mulheres do Século 20” que chega a doer olhar em volta e não entender como aquilo deu nisso. É 1979, na ensolarada Califórnia, e nesta nostálgica viagem no tempo do diretor Mike Mills entramos na vida de três mulheres, uma nasceu nos anos 1920, uma nos anos 1950 e uma nos anos 1960. Elas estão em torno de uma missão em comum: como fazer do adolescente Jamie (Lucas Jade Zumann) um homem preparado para amar e respeitar a nova – e revolucionária – mulher que começa a ganhar forma? O norte-americano Mike Mills foi criado sozinho pela mãe em uma casa enorme na Califórnia e para manter a residência alguns quartos eram alugados. O roteirista e cineasta teve, assim, a oportunidade de conhecer pessoas bem diversas durante sua infância …

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LaBeouf e Gudnason, como McEnroe e Borg (Foto Divulgação)

“Borg vs. McEnroe”, o jogo entre o gelo e o fogo em um filme que deu match

De volta a 1980, final de Wimbledon. Björn Borg e John McEnroe em uma batalha que os comentaristas da época anunciavam como “o jogo entre o gelo e o fogo”. O filme “Borg vs. McEnroe”, estreia do documentarista Janus Metz no cinema de ficção, recria com emoção, tensão e criatividade uma das rivalidades históricas do tênis em um filme que vai além do vai e vem da bolinha. E deu match. Muitos. Aos 24 anos, o sueco Björn Borg, vivido no filme por Sverrir Gudnason, sofria a pressão de conquistar seu quinto título seguido na prestigiada competição, sempre sem demonstrar nenhuma emoção. Do outro lado da quadra estava o norte-americano John McEnroe, muito bem representado por Shia LaBeouf, de 20 anos, conhecido por seu temperamento explosivo, em busca de seu primeiro título. Nenhum dos atores joga tênis, mas a magia …

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Cena do filme impecável, premiado em Cannes (Foto Divulgação)

A jornada de “Gabriel e a Montanha” é a do homem contra a sua natureza

Logo na bela primeira cena de “Gabriel e a Montanha” já se sabe o destino do protagonista, Gabriel Buchmann, carioca que desapareceu ao escalar sozinho o pico Mulanje, no Malaui, com mais de 3 mil metros de altitude, em 2009. Em um sofisticado plano-sequência de abertura, dois homens cortam capim e um deles encontra seu corpo, desaparecido há 19 dias, em uma história que comoveu família e amigos mas que, agora, ganha amplitude no cinema em um filme impecável, premiado em Cannes, elogiado pela crítica europeia e que finalmente chega aos cinemas no Brasil. A morte de Gabriel, que no filme é interpretado por João Pedro Zappa, foi o resultado de suas decisões, muitas delas desafios às leis da natureza. No caso “homem versus montanha”, quem perdeu foi o jovem impetuoso, economista interessado em educação social, ou “pobrólogo”, como brincavam …

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Ryan Gosling é o caçador de replicantes K (Foto Divulgação)

Em “Blade Runner 2049” voltamos ao passado para encontrar luz para o futuro

Nem parece que passou tanto tempo. Em 1982, Ridley Scott mudou a história com “Blade Runner”, um filme futurista com roteiro incrível, estética inovadora, elenco afinado e que se tornou cultuado. Muitos sonhavam com uma sequência e eis que aparece “Blade Runner 2049”, que o próprio Scott apresenta como produtor, mas que ninguém se engane: é o franco-canadense Denis Villeneuve quem está no comando. Diretor de filmes marcantes como o recente “A Chegada” e o emocionante “Incêndios”,  Villeneuve honra o filme original, que era ambientado em 2019, e toda a fábula que o envolve de maneira notável. A crítica foi só elogios, mas o filme não teve sucesso nas bilheterias e está com seus dias contados nas salas de cinema. Por isso, se quer ver “2049” como deve ser, na telona, corra. Vale lembrar que “Blade Runner” é baseado em …

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Anne é interpretada com leveza por Diane Lane, (Foto Divulgação)

Aos 81 anos, cineasta estreante do clã Coppola prova que Paris pode esperar

Aos 81 anos, Eleanor Coppola estreou na direção com um filme que nos convida para uma viagem de redescobertas. Sem se intimidar com o fato de ser mulher de Francis F. Coppola e mãe de Sofia Coppola, a “novata” no cinema de ficção (já que já dirigiu um documentário) resolveu se inspirar em um episódio de sua vida ao escrever o roteiro de “Paris pode Esperar”, um delicioso road movie que revela sabores e muito mais em uma viagem de carro de Cannes a Paris. A protagonista Anne, interpretada com leveza e humor por Diane Lane, é a esposa de um magnata do cinema (Alec Baldwin) que está no Festival de Cannes a trabalho. Enquanto espera, gosta de observar pequenos detalhes aqui e ali e fotografa sem parar, com uma pequena e discreta máquina automática. Anne é o alter-ego de …

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