Começa nesta segunda-feira, dia 19 de junho, e vai até quinta, dia 22, no Centro de Convenções do Expo D.Pedro, o 47º Congresso Nacional de Saneamento, promovido pela ASSEMAE – Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento. Importante evento e honra para Campinas, que está perto de atingir a marca relevante de ser a primeira cidade com mais de 500 mil habitantes a ter 100% de capacidade instalada de tratamento de esgoto urbano. Menos de metade do esgoto urbano no país recebe tratamento devido, com grande impacto para os rios. Mas é preciso salientar que justamente nesse momento há sérios riscos para o meio ambiente em Campinas, se aprovada na íntegra a proposta da Prefeitura para o novo Plano Diretor Estratégico (PDE), que aponta por exemplo para a redução da área rural. Ambientalistas e pesquisadores têm alertado para o potencial efeito desta redução da área rural, por exemplo na proteção das nascentes.
Nesta mesma terça-feira, dia 20 de junho, coincidindo com o segundo dia do 47º Congresso Nacional da ASSEMAE – que vai ratificar a defesa do direito humano à água e dos serviços públicos de saneamento, ameaçados de privatização – acontecerá um importante debate sobre o tema que inquieta os cidadãos campineiros, promovido pelo Coletivo da Unicamp pelo Plano Diretor de Campinas. O debate sobre o PDE acontece a partir das 14 horas, no auditório da Associação de Docentes da Unicamp (Adunicamp).

O evento terá como subsídio o documento “Considerações sobre a proposta apresenta pela Prefeitura para o novo Plano Diretor de Campinas”. No documento, o Coletivo ressalta que as propostas oficiais para o PDE “contrariam frontalmente as avaliações e diretrizes produzidas pela área técnica da própria Prefeitura, apresentadas no chamado Caderno de Subsídios, e que deveriam nortear o Plano Diretor”.
“Embora os técnicos afirmem que Campinas não deve expandir sua área urbana, o novo plano cria uma legislação que de fato permitirá o avanço urbano sobre a zona rural”, afirma o documento do Coletivo da Unicamp pelo Plano Diretor de Campinas. A potencial expansão da área urbana até os municípios de Jaguariúna, Paulínia, Sumaré, Hortolândia, Monte Mor, Indaiatuba e Valinhos é um dos riscos contidos na proposta da Prefeitura para o Plano Diretor, assinala o Coletivo.
O Coletivo manifesta especial preocupação pela proposta de criação de um novo eixo viário, promovendo o adensamento urbano no distrito de Barão Geraldo, onde seria permitida a construção de edifícios de até 20 andares, na avaliação contida no documento. O debate na Adunicamp será transmitido pela internet, através do site da entidade (www.adunicamp.org.br).
A Prefeitura tem aprovado importantes iniciativas para Campinas, como o Plano Municipal de Educação Ambiental e o programa de pagamento por serviços ambientais. Entretanto, se efetivada a redução drástica da zona rural, no contexto do novo Plano Diretor Estratégico, serão muito afetadas essas e outras conquistas, como a relevante marca dos 100% de capacidade de tratamento de esgotos.