Artigos Recentes

Plaza de Mayo, Buenos Aires, palco de luta histórica pela justiça (Foto José Pedro Martins)

Para as mães que no peito guardam rouxinóis

No seu coração cabem todos os rouxinóis, como aqueles que morreram para colorir rosas com espinhos no peito. Mães que conhecem a geografia da tristeza e da opressão. Nos quatro cantos do mundo, grupos delas lutam pelos direitos humanos mais básicos. Elas querem garantir vida longa e farta às novas gerações ou apenas enterrar os seus filhos. Um dos mais conhecidos é o das Madres de Plaza de Mayo. Com a alma sangrando, desde o dia 30 de abril de 1977 mães de desaparecidos políticos pela ditadura militar, implantada desde um ano antes, passaram a ir todas as quintas-feiras à Praça de Maio, em frente à sede do governo argentino, em Buenos Aires, reivindicar notícias sobre os filhos. As Madres de Plaza …

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A palavra, maior patrimônio cultural da humanidade ameaçado?

A morte da palavra é a morte anunciada da sociedade

Se eu tivesse que apontar qual seria a mais grave das crises simultâneas que estamos presenciando – no Brasil e no mundo – eu diria que é a morte da palavra. Eu entendo que a palavra está morrendo e, se o óbito for confirmado, teremos que reinventar tudo o que conhecemos sobre o que é viver em sociedade, produzir cultura e habitar o meio ambiente. Para mim, são três os principais fatores que contribuem para a agonizante e paulatina morte da palavra, que já foi tantas vezes impressa em papiros ou livros, escrita com giz, lápis ou máquina de datilografia, como aquela simples em que eu aprendi, em doces e despreocupadas tardes na minha Itamogi, com a querida Tia Nenê. Em primeiro …

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Rio Atibaia, em janeiro de 2015: crise hídrica, e também de gestão, em São Paulo (Foto Adriano Rosa)

Clima ameaça segurança global, mas tema sumiu do noticiário

Os sinais de que as mudanças climáticas estão impulsionando transformações profundas e mais rápidas do que se imaginava, pondo em risco a segurança global, levaram a um número recorde de assinaturas ao Acordo de Paris na última sexta-feira, 22 de abril, Dia da Mãe Terra. Contudo, a grande parte da imprensa brasileira, mais preocupada em apressar o processo de impeachment da Dilma Rousseff, esteve especialmente focada é no que a presidente iria falar sobre esse imbróglio na sede das Nações Unidas, e não no assunto principal: que a humanidade passa por sérias ameaças, e que se as medidas necessárias também não forem aceleradas, catástrofes de origem climática serão multiplicadas e a curto prazo. Durante muito tempo os cientistas, alguns deles …

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As luzes prevalecerão, um dia, em Brasília? (Foto Adriano Rosa)

Um pacto contra o ódio e a violência: seis pontos para debate

O momento mais tenebroso da votação da abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff – que passou por 367 votos a 137 – foi a declaração de voto do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Depois de elogiar Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado na Operação Lava Jato de receber propina e que saiu fortalecido e pode sair ileso, Bolsonaro atirou: “Perderam em 1964, perderam em 2016. Contra o comunismo, contra o Foro de São Paulo. Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi o pavor de Dilma Rousseff”. Um insulto à presidente e a todos que foram torturados e mortos pelo regime militar. O auge do clima de ódio que tomou conta do país nos últimos meses e …

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Minha mãe, a primeira de baixo para cima, e várias de minhas professoras: que saudade, que respeito (infelizmente não sei o autor da foto maravilhosa)

Que saudade da professorinha

A minha paixão pela Educação não é de hoje e nem é de ocasião. Ela nasceu comigo porque ela vem de minha mãe, professora, de minhas tias, professoras, de meu avô, um sonhador que uma vez ousou ter uma escola que deixou muitos frutos em minha cidade. A minha paixão pela Educação também veio de meu pai, que em criança chorava quando, morando na roça, não podia ir assistir aulas quando chovia ou por algum outro motivo. E essa paixão só aumentou porque tive as professoras, e depois professores, que tive, desde o prezinho. Dona Lurdinha, Dona Laís, Dona Iolanda e por aí vai, e a Dona Nabirra, com quem aprendi ler de fato um livro, escrevendo sobre ele, o …

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