“Moonland” ou “La La Night”?: vexame na festa do Oscar 2017

 

DaniPrandi_0188c_500A festa está linda, ótimas companhias, diversão para todos lados, e bem na hora marcada para o gran finale um convidado escorrega, derruba tudo, arranca a toalha da mesa, logo o bolo está virado no chão… E todo mundo vai embora com vontade de comer bolo. Assim foi a festa do Oscar 2017. O que deveria ser o ápice da cerimônia de entrega dos melhores da temporada acabou em um grande vexame. Anunciaram “La La Land” como melhor filme, mas o vencedor era “Moonlight”. Logo o ato falho se tornou “meme”, com muitas referências ao recente concurso de Miss Universo, que teve o mesmo triste final.

Warren Beatty e Faye Dunaway, a dupla “Bonnie e Clyde”, no filme lançado há 50 anos, foi a escalada para o anúncio do último prêmio. Beatty puxou o papel do envelope e fez uma pausa além da esperada, como se estivesse surpreso. Sua colega então leu “La La Land” e, por alguns minutos, a turma do filme musical que concorria em 14 categorias festejou. Até que a organização chamou atenção para o erro: o envelope estava trocado, era o da categoria de melhor atriz, e estava escrito “Emma Stone – La La land”.

Alguém pegou o envelope correto e escancarou a palavra “Moonlight” para a câmera, que levou a imagem de Hollywood para as telas mundo afora. Naquela hora todo o constrangimento foi parar naquele palco que por muitas horas havia seguido rigidamente o script em uma cerimônia sem grandes surpresas.

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Vexame com a troca de envelopes; o vencedor correto de Melhor Filme do Oscar 2017 foi “Moonlight”

Até então, “Moonlight” tinha levado a estatueta de roteiro adaptado e de ator coadjuvante, para Mahershala Ali. “La La Land” estava com seis prêmios: atriz, diretor, música original, trilha sonora, fotografia e design de produção. Aliás, Damien Chazelle, aos 32 anos, se tornou o mais jovem cineasta a ganhar na categoria diretor. E, como era esperado, Casey Affleck levou o Oscar de ator por “Manchester à Beira-mar”, filme que ganhou também como melhor roteiro original. Viola Davis merece o destaque, por “Um Limite entre Nós”, que rendeu o Oscar de atriz coadjuvante.

Na categoria filme estrangeiro, contrariando a esperada vitória para “Toni Erdmann”, da Alemanha, quem levou foi o iraniano Asghar Farhadi, de “O Apartamento”. O diretor, já premiado por “A Separação”, não compareceu à cerimônia, mas enviou uma declaração, solidarizando-se com os habitantes de sete países de maioria muçulmana, incluindo o Irã, vetados de entrar nos EUA por um decreto de Trump que a Suprema Corte considerou inconstitucional.

O apresentador deste ano foi o humorista Jimmy Kimmel, que teve a infelicidade de dizer para a grande atriz francesa Isabelle Huppert que ninguém havia visto “Elle”, nem ele. Não vi se alguém riu. Aliás, todo mundo esperava um Oscar mais político, mas as piadinhas para e sobre Trump geralmente ficaram em torno de seu hábito de tuitar. Imagino o que deve ter postado após o fiasco no final. Algumas celebridades usaram uma fita azul na roupa, que simboliza a União Americana pelas Liberdades Civis, opositora a Trump.

A festa estava bonita, tudo dentro do script, mas o gran finale teve um escorregão comprometedor
A festa estava bonita, tudo dentro do script, mas o gran finale teve um escorregão comprometedor

E, bem diferente do “Oscar branco” do ano passado, quando a ausência de indicados negros provocou barulho, nesta edição estavam no palco Mahershala Ali, Oscar de ator coadjuvante, negro e muçulmano, e Viola Davis, que, com seu Oscar, se torna a primeira negra a vencer o Oscar, o Emmy e o Tony, três dos principais prêmios da indústria do entretenimento, com o cinema, a TV e o teatro representados. Apesar do final conturbado, há a grande vitória de “Moonlight”, filme de elenco todo negro, que aborda temas difíceis, como homossexualismo, abuso infantil e drogas. Um Oscar com avanços, sem dúvida.

Na categoria documentário quem levou foi “O.J.: Made in America”, com 7 horas e 47 minutos de duração, que superou o recorde de “Guerra e Paz”, longa russo que ganhou o Oscar de filme estrangeiro em 1969, com 7 horas e 7 minutos de duração.

OSCAR 2017
Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Melhor Maquiagem: Esquadrão Suicida
Melhor Figurino: Animais Fantásticos e Onde Habitam
Melhor Documentário: O.J.: Made in America
Melhor Edição de Som: A Chegada
Melhor Mixagem: Até o Último Homem
Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
Melhor Filme Estrangeiro: O Apartamento (Irã)
Melhor Curta-Metragem de Animação: Piper
Melhor Animação: Zootopia – Essa Cidade é o Bicho
Melhor Design de Produção: La La Land – Cantando Estações
Melhores Efeitos Especiais: Mogli – O Menino Lobo
Melhor Montagem: Até o Último Homem
Melhor Curta-Metragem de Documentário: Os Capacetes Brancos
Melhor Curta-Metragem: Sing
Melhor Fotografia: La La Land – Cantando Estações
Melhor Trilha Sonora: La La Land – Cantando Estações
Melhor Canção Original: “City of Stars” (La La Land – Cantando Estações)
Melhor Roteiro Original: Manchester à Beira-mar
Melhor Roteiro Adaptado: Moonlight: Sob a Luz do Luar
Melhor Diretor :Damien Chazelle (La La Land – Cantando Estações)
Melhor Ator: Casey Affleck (Manchester à Beira-mar)
Melhor Atriz: Emma Stone (La La Land – Cantando Estações)
Melhor Filme: Moonlight: Sob a Luz do Luar

Sobre Daniela Prandi

Daniela Prandi, paulista, jornalista, fanática por cinema, vai do pop ao cult mas não passa nem perto de filmes de terror. Louca por livros, gibis, arte, poesia e tudo o mais que mexa com as palavras em movimento, vive cada sessão de cinema como se fosse a última.

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