Parem tudo, parem o mundo se for possível, pois mais uma árvore caiu no Centro de Convivência. No coração do Cambuí, no meu coração, uma dor profunda porque não é a primeira vez que acontece, no mesmo território destinado ao bem estar, ao estar com.
Pouco antes do Natal de 2014, foram outras duas árvores enormes, tombadas após fortes chuvas. Uma “operação de guerra”, informou esta Agência Social de Notícias (aqui), foi montada para a retirada da maior delas. Motosserras, caminhões, muitos homens mobilizados para o deslocamento dos grandes galhos que durante muito tempo transportaram a seiva da vida.

O ritual foi repetido agora, para o carregamento dos restos mortais da figueira que ali reinava, linda, acolhedora. Motosserras, caminhões, muitos homens…
E você custou tão pouco! Uma sementinha, a água que cai do céu, alguns anos e pronto, aquela beleza, sombra para o descanso no meio do dia, frescor para quem frequenta a feirinha nos finais de semana.

E os saraus! Durante quanto tempo você foi a guardiã da juventude generosa, que realizou dezenas de edições do Sarau Arte Viva (aqui). A resistência dos jovens, a posição firme, amorosa, frente ao fechamento dos espaços preciosos do Centro de Convivência – o teatro, a arena, a galeria…
Talvez precisemos de novo da juventude, querida figueira. Os órgãos oficiais dizem que você precisou ser cortada, porque estaria seca, morta, ameaçando cair e atingir algum cidadão ou cidadã.
A justificativa pode e deve ser muito válida, é preciso proteger as pessoas, mas ainda assim eu choro. Mais uma árvore caiu no coração do Cambuí, no meu coração! Você não vai mais abraçar aqueles bebês, aqueles vovôs, os namorados, todo mundo que passa por ali, todos os dias.

Você foi derrubada no mesmo dia em que se anunciou a possível extinção do Ministério do Meio Ambiente e sua incorporação ao Ministério da Agricultura. Eu sinto muito, nobre figueira. Vou torcer muito para que seu esquartejamento não seja um triste prenúncio.
Que não tenham o mesmo destino as suas irmãs, nativas ou exóticas, que continuam vestindo a praça: flamboyant, palmeiras imperiais, cedro do Líbano, jequitibá, ipê, cacau, embaúba, pau-brasil, gerivá, alecrim de Campinas, magnólia, sibipiruna, pau ferro, tipuana e resedás de pequeno porte.
Mas agora eu vou celebrar a vida. Eu vou me lembrar de tudo o que você nos deu. Eu te via dia a dia, há muitos anos, e você sempre me encheu de vida. Um beijo no seu coração gigante!
