O mundo está ruim para você? Em Westeros está muito pior

DaniPrandi_0188c_500Antes da estreia da sétima e penúltima temporada de “Game of Thrones”, no domingo (16 de julho), parei para conferir uma teoria que tentava explicar o sucesso da série de TV, um verdadeiro fenômeno cultural, ao redor do mundo.  Para resumir: sua vida está ruim, seu país está uma confusão, a violência voltou a te assombrar, seus governantes não te representam e o futuro sabe-se lá como vai ser? Pois bem, em Westeros está pior.

Westeros, para quem está chegando agora, é um vasto continente com reinos onde se desenrola a história de GoT (como a série passou a ser conhecida nas redes sociais), que nasceu de uma coleção de seis livros de fantasia do autor George R.R. Martin chamada “A Song of Ice and Fire”. O grande medo é que “o inverno está chegando” e, assim, antes da maior de todas as tormentas, todo mundo quer tomar o poder. E ainda tem os dragões, que vimos nascer, crescer e crescer ainda mais e pelos quais, vamos admitir, há um certo carinho.

A teoria sobre a razão do sucesso da série segue a linha daquela música do Casseta & Planeta: “Se a meningite daqui é assim, imagine na Jamaica/ Se os argentinos daqui são assim, imagine os da Jamaica”. Na batalha pelo poder de Westeros sobram assassinatos (muitos), chacinas, estupros, decapitação, infanticídio, tortura e mortes escabrosas, as mais escabrosas possíveis.  Enquanto isso, em um tipo de escapismo às avessas, podemos esquecer balas perdidas, inflação e delação premiada, não necessariamente nesta ordem, pelo menos uma vez por semana, durante alguns meses do ano, à espera do próximo lance em Westeros.

Violência é a lei em Westeros (Foto Divulgação)
Violência é a lei em Westeros (Foto Divulgação)

Segundo empresas que analisam dados da demanda mundial de audiência, GoT apresenta uma média diária global de 7.191.848 Demand Expressions, medida que mistura números de audiência, menções e compartilhamentos em redes sociais, o que a tornaria o programa de TV mais popular do mundo. Nas redes sociais, enquanto milhares de seguidores enlouquecem a cada movimento no tabuleiro que prepara a tão esperada guerra final, outra legião desdenha tudo isso, o que ajuda ainda mais na audiência. Falem mal, mas falem de mim.

Demorei para me render a GoT. Após a frustração com o final de “Lost”, outra série que se tornou fenômeno cultural, mas não na mesma proporção, não conseguia me prender a nenhuma outra série. Após uma viagem a Dubrovnik, na Croácia, que serviu de cenário nas primeiras temporadas, a curiosidade bateu forte. Em Dubrovnik, além dos roteiros a pé pela histórica cidade murada, há um específico para os fãs da seriado e, apesar de não ter feito o passeio, aquilo me chamou atenção. No retorno, ainda em férias, encarei as quatro primeiras temporadas em maratonas noite adentro porque simplesmente não conseguia parar de assistir.

Há algumas “tradições” em GoT e a principal delas é que não se deve apegar a nenhum personagem. Todos morrem, afinal. Outra é carregar na violência no episódio 9 de cada temporada. Houve a chacina do “casamento vermelho” no terceiro ano, para ficar em um exemplo dos mais emblemáticos, e que foi difícil superar. Mas foi na sexta temporada, no ano passado, que veio o ápice, com o episódio “Batalha dos Bastardos”, com cenas de guerra e crueldade desenfreada dignas dos melhores filmes do gênero.

Daenerys Targaryen (Emilia Clarke): força das personagens femininas (Foto Divulgação)
Daenerys Targaryen (Emilia Clarke): força das personagens femininas (Foto Divulgação)

Nesta penúltima temporada, a tradição será quebrada, já que o sétimo ano de GoT irá somente até o capítulo 7. Sem mais histórias dos livros para se inspirar, os roteiristas agora navegam por águas desconhecidas e a série foi encurtada. O final já está prometido para 2018, mas também mais curto, com seis capítulos.

Outra particularidade de GoT é a força de suas personagens femininas. Há Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), Cersei (Lena Headey), Sansa (Sophie Turner), Arya (Maisie Williams) e Brienne (Gwendoline Christie), para citar algumas, todas fortes, guerreiras, sofridas, sobreviventes e que dominam a cena, bem de acordo com os tempos de poder para as mulheres. E claro que há o herói clássico, retratado aqui em Jon Snow (Kit Harington), que até do mundo dos mortos já voltou, além de outros tipos menos ou mais guerreiros.

Daenerys, a "mãe dos dragões": "vamos começar" (Foto Divulgação)
Daenerys, a “mãe dos dragões”: “vamos começar” (Foto Divulgação)

O primeiro episódio de 2017 termina com Daenerys, a “mãe dos dragões”, uma das favoritas na batalha pelo trono, dizendo: “Vamos começar?”. Mais guerra vem aí, e assim poderemos deixar escapar da atenção o lamaçal da política, o drama dos refugiados, os atentados terroristas e fingir que não estamos vendo os sem-teto que estão de volta às nossas esquinas. Vamos?

 

PS – O blog é de cinema, mas GoT invadiu.

Sobre Daniela Prandi

Daniela Prandi, paulista, jornalista, fanática por cinema, vai do pop ao cult mas não passa nem perto de filmes de terror. Louca por livros, gibis, arte, poesia e tudo o mais que mexa com as palavras em movimento, vive cada sessão de cinema como se fosse a última.

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