Oscar 2017: com 14 indicações, “La La Land” é o filme que muitos estão amando odiar

DaniPrandi_0188c_500No mundo real, a polarização política tem trazido tempos de incertezas. No mundo do cinema, as pessoas se dividem após acaloradas discussões entre os que amaram e os que odiaram “La La Land”. Pois nesta terça-feira (24 de janeiro), com o anúncio dos indicados ao Oscar 2017, Hollywood mandou um recado bem dado com as 14 indicações para o musical de Damien Chazelle, que se juntou aos recordistas “A Malvada” (1950) e “Titanic” (1997), até então os únicos que concorreram em 14 categorias em toda a história dos 89 anos do Oscar.

“La La Land” tem sido o filme que muitos estão amando odiar, ou odiando amar. Com tantas indicações ao Oscar, ficará ainda mais fácil gostar ou detestar o filme, dependendo de como a pessoa enxerga a importância de Hollywood ou da própria estatueta dourada em sua vida. Vale lembrar que nunca se fez tantos filmes pelo mundo, mas, “quanto mais filmes podemos ver, mais vemos os mesmos filmes”, como disse o crítico francês Jean-Michel Frodon, com muita lucidez, em uma palestra no ano passado no Rio de Janeiro, tema de uma das colunas deste Blog. (Veja aqui)

Faço parte do grupo que saiu dançando e cantando depois de “La La Land”, logo eu que cresci vendo as sessões da tarde com Gene Kelly, Ginger Rogers e Fred Astaire. Mas é certo que o filme não traz realmente nada de novo, além do punhado de referências aos clássicos de Hollywood e também ao cinema romântico francês. “La La Land” é uma espécie de “comfort film”, se traçado um paralelo com o conceito de “comfort food”, aquele prato que traz boas lembranças, mas que não é, necessariamente, a melhor comida que você já experimentou na vida.

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Denzel Washington e Viola Davis no filme “Um Limite entre Nós”

“La La Land” chega firme e forte na disputa do chamado “big five” do Oscar, com indicações nas categorias mais importantes: melhor filme, direção (Chazelle), atriz (Emma Stone), ator (Ryan Gosling) e roteiro. Concorre também nas categorias de fotografia, figurino, montagem, trilha sonora original, canção original com duas músicas (“Audition – The Fools Who Dream” e “City of Stars”), design de produção, edição de som e mixagem de som.

O Oscar, em sua 89ª edição, já começou a temporada diferente. O anúncio dos indicados, além da tela da TV, teve lugar na internet, com transmissão ao vivo on-line. E a empresa Amazon marca seu nome na história como o primeiro serviço de streaming a entrar na disputa de melhor filme com “Manchester à Beira-Mar”, que teve seis indicações: melhor filme, direção (Kenneth Lonergan), ator (Casey Affleck), atriz coadjuvante (Michelle Williams), ator coadjuvante (Lucas Hedges) e roteiro original.

Depois do “Oscar branco” do ano passado, “Um Limite entre Nós”, “Estrelas Além do Tempo” e “Moonlight: Sob a Luz do Luar”, com temática negra, foram devidamente incluídos na lista dos indicados. E, desta vez, três atrizes negras foram escolhidas para concorrer na categoria coadjuvante, um fato inédito no Oscar: Viola Davis, por “Um Limite entre Nós”, Naomie Harris, por “Moonlight”, e Octavia Spencer, por “Estrelas Além do Tempo”.

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Cena de “Estrelas Além do Tempo”: Octavia Spencer (à direita) concorre como atriz coadjuvante

Ainda inédito no Brasil, “Moonlight”, com oito indicações ao Oscar, conseguiu a indicação nas categorias melhor filme, direção (Barry Jenkins), ator coadjuvante (Mahershala Ali), atriz coadjuvante (Naomie Harris), roteiro adaptado (Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney), fotografia, montagem (James Laxton) e trilha sonora original. O filme registra a vida de um jovem negro, em diferentes fases da vida, que descobre sua homossexualidade e tem que lidar com o preconceito.

Também com oito indicações, “A Chegada” completa a lista dos mais indicados. O título, que já foi tema deste Blog (leia aqui) concorre a melhor filme, direção (Denis Villeneuve) e roteiro, e em categorias mais técnicas: fotografia, montagem, design de produção, edição de som e mixagem de som. A protagonista, Amy Adams, que estava cotada para a disputa de melhor atriz, não foi indicada.

Uma das surpresas desta temporada é a redenção de Mel Gibson, que conseguiu emplacar seu “Até o Último Homem” no Oscar, inclusive na categoria melhor filme. E Andrew Garfield, o protagonista, um herói da Segunda Guerra Mundial, também conquistou sua indicação, o que confirma seu prestígio. Entre as “não-surpresas” está a indicação de Meryl Streep, indicada pela 20ª vez (!), um recorde, por sua brilhante atuação em “Florence: Quem é Essa Mulher”.

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“La La Land”, o musical de Damien Chazelle, recebeu 14 indicações ao Oscar

Entre os documentários, o favorito é “O.J : Made in America”, sobre o caso de O.J. Simpson. Mas Hollywood não se esqueceu do vencedor do Festival de Berlim do ano passado, o italiano “Fogo no Mar”, de Gianfranco Rosi, que registra a tragédia dos refugiados que tentam atingir a Europa pelo Mediterrâneo, também já comentado neste Blog (leia aqui).

A entrega do Oscar será no dia 26 de fevereiro, em cerimônia realizada no Dolby Theater, em Los Angeles.

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OS INDICADOS

MELHOR FILME
“A Chegada”
“Até o Último Homem”
“Estrelas Além do Tempo”
“Lion – Uma Jornada para Casa””
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”
“Um Limite entre Nós”
“A Qualquer Custo”
“La La Land – Cantando Estações”
“Manchester à Beira-Mar”

MELHOR ATRIZ
Isabelle Huppert, por “Elle”
Ruth Negga, por “Loving”
Natalie Portman, por “Jackie”
Emma Stone, por “La La Land – Cantando Estações”
Meryl Streep, por “Florence: Quem é Essa Mulher?”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis, por “Um Limite entre Nós”
Naomie Harris, por “Moonlight: Sob a Luz do Luar”
Nicole Kidman, por “Lion – Uma Jornada para Casa””
Octavia Spencer, por “Estrelas Além do Tempo”
Michelle Williams, por “Manchester à Beira-Mar”

MELHOR ATOR
Casey Affleck, por “Manchester à Beira-Mar”
Andrew Garfield, por “Até o Último Homem”
Ryan Gosling, por “La La Land – Cantando Estações”
Viggo Mortensen, por “Capitão Fantástico”
Denzel Washington, por “Um Limite entre Nós”

ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali, por “Moonlight: Sob a Luz do Luar”
Jeff Bridges, por “A Qualquer Custo”
Lucas Hedges, por “Manchester à Beira-Mar”
Dev Patel, por “Lion – Uma Jornada para Casa””
Michael Shannon, por “Animais Noturnos”

DIREÇÃO
“A Chegada”
“Até o Último Homem”
“La La Land – Cantando Estações”
“Manchester à Beira-Mar”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”

MELHOR ANIMAÇÃO
“Kubo e As Cordas Mágicas”
“Moana”
“Minha Vida de Abobrinha”
“A Tartaruga Vermelha”
“Zootopia: Essa Cidade é o Bicho”

ROTEIRO ORIGINAL
“A Qualquer Custo”
“La La Land – Cantando Estações”
“O Lagosta”
“Manchester à Beira-Mar”
“20th Century Women”

ROTEIRO ADAPTADO
“A Chegada”
“Um Limite entre Nós”
“Estrelas Além do Tempo”
“Lion – Uma Jornada para Casa”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”

FILME ESTRANGEIRO
“Um Homem Chamado Ove” (Suécia)
“Terra de Minas” (Dinamarca)
“Tanna” (Austrália)
“O Apartamento” (Irã)
“Toni Erdmann” (Alemanha)

DOCUMENTÁRIO
“Fogo no Mar”
“Eu Não Sou Seu Negro”
“Life, Animated”
“O.J.: Made in America”
“A 13ª Emenda”

TRILHA SONORA
“Jackie”
“La La Land – Cantando Estações”
“Lion – Uma Jornada Para Casa”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”
“Passageiros”

CANÇÃO ORIGINAL
“Audition”, de “La La Land – Cantando Estações”
“Can’t Stop the Feelings”, de “Trolls”
“City of Stars”, de “La La Land – Cantando Estações”
“The Empty Chair”, de “Jim: The James Foley Story”
“How Far I’ll Go”, de “Moana”

MELHOR CURTA-METRAGEM
“Ennemis Intérieurs”, de Sélim Azzazi
“La Femme et le TGV”, de Timo von Gunten
“Silent Nights”, de Aske Bang
“Sing (Mindenki)”, de Kristof Deák
“Timecode”, de Juanjo Giménez

MELHOR DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM
“Extremis”, de Dan Krauss
“4.1 Miles”, de Daphne Matziaraki
“Joe’s Violin”, de Kahane Cooperman e Raphaela Neihausen
“Watani: My Homeland”, de Marcel Mettelsiefen e Stephen Ellis
“The White Helmets”, de Orlando von Einsiedel e Joanna Natasegara

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
“Pearl”
“Piper: Descobrindo o Mundo”
“Blind Vaysha”
“Pear Cider and Cigarettes”
“Borrowed Time”

FOTOGRAFIA
“A Chegada”
“La La Land – Cantando Estações”
“Lion”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”
“Silêncio”

EFEITOS VISUAIS
“Horizonte Profundo: Desastre no Golfo”
“Doutor Estranho”
“Mogli: O Menino Lobo”
“Kubo e as Cordas Mágicas”
“Rogue One: Uma História Star Wars”

EDIÇÃO DE SOM
“A Chegada”
“Horizonte Profundo – Desastre no Golfo”
“Até o Último Homem”
“La La Land – Cantando Estações”
“Sully – O Herói do Rio Hudson”

MIXAGEM DE SOM
“A Chegada”
“Até o Último Homem”
“La La Land – Cantando Estações”
“Rogue One: Uma História Star Wars”
“13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”

MAQUIAGEM E CABELO
“Um Homem Chamado Ove”
“Star Trek: Sem Fronteiras”
“Esquadrão Suicida”

FIGURINO
“Aliados”
” Animais Fantásticos e onde Habitam”
“Florence: Quem é Essa Mulher?”
“Jackie”
“La La Land – Cantando Estações”

DESIGN DE PRODUÇÃO
“A Chegada”
“Animais Fantásticos e onde Habitam”
“Ave, César!”
“La La Land – Cantando Estações”
“Passageiros”

MONTAGEM
“A Chegada”
“Até o Último Homem”
“A Qualquer Custo”
“La La Land- Cantando Estação”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”

Sobre Daniela Prandi

Daniela Prandi, paulista, jornalista, fanática por cinema, vai do pop ao cult mas não passa nem perto de filmes de terror. Louca por livros, gibis, arte, poesia e tudo o mais que mexa com as palavras em movimento, vive cada sessão de cinema como se fosse a última.

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