Daniela Prandi

"Pequeno Segredo” representará o Brasil no Oscar e estreia aqui no dia 10/11; antes de chegar aos cinemas, já provocou polêmica

“Pequeno Segredo”, filme que vai representar o Brasil no Oscar, é de chorar

Muitos acompanharam as aventuras da pequena Kat por mares nunca antes navegados durante muitos domingos no “Fantástico” no início dos anos 2000. A caçula da família Schurmann vivia com desenvoltura sua primeira infância em meio a cenários paradisíacos, desfrutando das belezas e das surpresas dos oceanos mundo afora. Algum tempo depois, já longe da TV, em 2006, veio a notícia: a garota havia morrido, aos 14 anos. O que teria acontecido? Heloísa, a matriarca da família Schurmann, que tanto nos ensinou sobre a doçura da vida no mar, levou seis anos para revelar que Kat, que havia sido adotada, tinha HIV. No best-seller “Pequeno segredo: A lição de vida de Kat para a família Schurmann”, a mãe registrou, com amor e dor, uma história que daria um filme. E deu. David, um dos filhos da família Schurmann, resolveu levar o …

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Na pele do poeta, Rhys Ifans dá um show de interpretação; poucos reconhecem o amigo amalucado de Hugh Grant no filme “Um Lugar Chamado Notting Hill”    Fotos: Divulgação

O dia em que Dylan Thomas bebeu até morrer (literalmente)

Houve um tempo em que poetas eram celebridades como hoje são as estrelas do rock. Atraíam multidões, especialmente mulheres, em apresentações para plateias ansiosas para absorver suas palavras e, enfim, vê-los e ouvi-los frente a frente. Uma dessas grandes estrelas foi o galês Dylan Thomas que, no início dos anos 1950, fez um tour pelos Estados Unidos para declamar seus poemas. O desfecho dessa história, de final trágico, é contada em “Dominion”, do diretor Steven Bernstein. O filme, um dos 266 títulos em exibição no atual 18º Festival de Cinema do Rio, foca no último dia da vida de Dylan Thomas, um dos grandes nomes da poesia de língua inglesa, que influenciou a geração beat e, posteriormente, “batizou” Bob Dylan (o músico Robert Zimmerman adotou o nome artístico de Dylan em homenagem ao poeta). Thomas, que estava há alguns meses …

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“No Fim do Túnel”, escrito e dirigido pelo argentino Rodrigo Grande, tem o galã Leonardo Sbaraglia como protagonista     Fotos: Divulgação

Cinema argentino acerta no suspense em “No Fim do Túnel”

Filmes sobre planos mirabolantes de roubos a bancos não são exatamente uma novidade. Mas volta e meia retornam e muitas vezes com um toque original. “No Fim do Túnel” (Al final Del túnel), escrito e dirigido pelo argentino Rodrigo Grande, consegue inovar e mexer com os nervos do espectador, principalmente por causa do inusitado protagonista, um recluso homem preso a uma cadeira de rodas vivido pelo galã argentino Leonardo Sbaraglia. Sbaraglia, que esteve no recente Festival de Gramado com “O Silêncio do Céu”, já comentado nesta coluna, tem sido apontado pela imprensa especializada como “o novo Ricardo Darín”. Conhecido por aqui por causa de “Relatos Selvagens”, da sequência em que dois homens se enfrentam numa briga na estrada, tem mostrado atuações marcantes, como em “O Silêncio do Céu”, no papel do marido que vê a esposa (Carolina Dickman) ser estuprada …

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O diretor russo Aleksandr Sokurov mostra como as obras do Louvre foram salvas durante a ocupação nazista em Paris em 1940   Fotos: Divulgação

A viagem de “Francofonia: Louvre Sob Ocupação”

É um desafio assistir “Francofonia: Louvre Sob Ocupação”, novo filme do russo Aleksandr Sokurov. É documentário, é encenação, é um ensaio com imagens em movimento, é uma viagem. O filme exige atenção e seu gênero de classificação, afinal, passa a ter pouca importância diante de tanta informação sobre arte, poder e política, não necessariamente nesta ordem. Desta mistura, o tema principal é rever como as obras do Louvre foram praticamente todas salvas durante a ocupação nazista em Paris, em 1940, ao serem levadas para locais no interior da França. Na época, apenas as estátuas mais pesadas ficaram no Louvre, fundado em 1793 depois de abrigar a realeza desde 1190, e que se tornou o principal museu de arte do mundo. E assim como na contemplação em frente a uma obra de arte, durante o filme podem surgir os mais diversos …

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A trama central está no casal vivido por Carolina Dieckmann e Leonardo Sbaraglia, dirigidos por Marco Dutra

“O Silêncio do Céu” e a dor da violência que não é dita

Imagine ver sua esposa ser estuprada e não conseguir fazer nada. Mario (Leonardo Sbaraglia) fica paralisado ao se deparar com o ato de violência ao voltar para casa mais cedo e demora para reagir e tentar salvar Diana (Carolina Dieckmann), atacada por dois homens. O marido, rodeado por uma vida de fobias, apavora-se diante de sua tamanha covardia e não fala. A mulher, por sua vez, também adota um enigmático silêncio. E o que não é dito e, mais além, as suas consequências, se tornam o tema de “O Silêncio do Céu”, mais um bom filme da safra 2016 que chega agora ao circuito depois de três prêmios do recém-encerrado Festival de Gramado. “O Silêncio do Céu”, que venceu o Prêmio Especial do Júri de Melhor Filme, o Prêmio de Melhor Filme pelo Júri da Crítica e o de Melhor …

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“Comunas” eram casas comunitárias com modo de vida alternativo em Copenhagen na década de 70      Fotos: Divulgação

“A Comunidade” é o fim da festa da nova família

O dinamarquês Thomas Vinterberg morou em uma “comuna” com os pais e outras famílias dos 7 aos 19 anos de idade, em meados dos anos 1970. “Comuna” era o nome das casas comunitárias que tinham virado um modo de vida viável e alternativo em Copenhagen. O cineasta de filmes cultuados, como “A Caça” e “Festa de Família”, resolveu remexer suas lembranças e, em “A Comunidade”, retrata uma sociedade alternativa que tem liberdade, mas também regras e desilusões, apesar da sensação de aconchego que é a ideia de morar rodeado de gente em tempos pós-revolução sexual. O filme lembra um pouco a atmosfera de “Festa de Família”, de 1998, marco criativo do movimento Dogma, que privilegiava a luz e o som natural, entre outras revoluções. Além de mostrar de dentro a experiência de montar uma comunidade, Vinterberg remexe em outras emoções …

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Blog Dani aquarius-sonia braga

Depois de uma sessão de “Aquarius”, nada a temer

A fila já indicava que aquela não seria uma sessão de cinema trivial. No final da tarde de domingo, em frente ao Cine Odeon, um dos poucos cinemas de rua ainda em atividade no Brasil, muitos dos que esperavam para conferir “Aquarius”, segundo filme do pernambucano Kleber Mendonça Filho, tinham começado o domingo acompanhando os protestos contra os rumos políticos do Brasil, na rua ou nas redes sociais, já que as TVs pouco mostraram. “Aquarius”, por uma feliz – ou infeliz? – coincidência, começou sua carreira na telona com um ato político inesperado no tapete vermelho do Festival de Cannes. Na première, os cartazes levados por diretor e elenco chamaram tanto a atenção quanto as qualidades do filme. E elas são muitas. Depois, ao entrar em cartaz, na quinta-feira passada (1º de setembro), outra coincidência: “Aquarius” chegava aos cinemas justamente …

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Kristen Stewart com figurino e joias Chanel em novo filme de Woody Allen, “Café Society”, em cartaz nos cinemas     Fotos: Divulgação

Novo Woody Allen é “a vida é uma comédia escrita por um autor sádico”

Aos 80 anos, Woody Allen mantém o frescor e supera a si mesmo em “Café Society”, filme que abriu o Festival de Cannes deste ano e, agora, chega ao circuito. É o melhor Woody Allen da nova safra? Difícil competir com “Meia-noite em Paris”, outro belíssimo filme, e não menos divertido. Ambos retratam tempos de glórias recheados de clichês de um passado recente que se tornou referência. Desta vez, ao invés dos efervescentes anos 20 parisienses, o foco está no glamour da Hollywood dos anos 30. A diferença é que “Café Society” é um filme ainda mais romântico, com um desfecho de cortar o coração, apesar de toda a fina ironia. Recentemente alguém disse que “um Woody Allen médio é um filme bom e um Woody Allen bom é um filme incrível”. Pois o que dizer de “Café Society”, que …

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Laurie Anderson com Lollabelle, sua terrier que inspira “Coração de Cachorro”    Crédito foto: Sophie Calle. Courtesy of Abramorama.

O sentido da vida e da morte segundo Laurie Anderson

Sentir tristeza, mas não ficar triste. Sentir necessidade de seguir adiante, apesar das perdas, das despedidas, dos medos e daquela velha questão de para onde se vai depois da morte são temas que dominam o melancólico e surpreendente “Coração de Cachorro” (Heart of a Dog), filme experimental da artista performática, compositora, roqueira, escritora e cineasta Laurie Anderson. É um filme difícil de ser classificado, apesar de figurar na categoria documentário. Mas é muito mais. Laurie Anderson herdou uma cachorrinha terrier de um casal que estava se separando. Lollabelle a acompanhou por toda uma vida e morreu em 2011. Dois anos depois, em 2013, a artista perderia seu companheiro de duas décadas, Lou Reed. “Coração de Cachorro” poderia ser a dor da viúva. Mas não é. Narrado pela própria artista, o filme reúne animação, efeitos visuais, imagens em 8mm e muita …

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Fatah e sua vaca Jacqueline vivem situações que expõem o choque de realidade de quem vive e sobrevive bem longe do padrão europeu   Fotos: Divulgação

O mundo é só bondade em “A Incrível Jornada de Jacqueline”

As apresentações para a imprensa dos filmes que vão chegar aos cinemas geralmente são feitas de manhã, nas chamadas “cabines”. Há filmes que, de tão cativantes, provocam um “choque de realidade” quando voltamos à rua, aos semáforos que não abrem, aos carros que buzinam, aos nossos medos e angústias de cada dia. Como não querer continuar no universo de “A Incrível Jornada de Jacqueline”? Numa minúscula aldeia em uma árida região da Argélia vive Fatah (Fatsah Bouyahmed), que divide seu tempo entre cuidar de sua horta, de sua família e de sua vaca Jacqueline, não necessariamente nessa ordem. Seu sonho é participar de uma feira de agricultura na França, mas sua inscrição nunca foi aceita. Até que um dia… Em tom de fábula, “A Vaca”, que por motivos óbvios virou “A Incrível Jornada de Jacqueline” no Brasil já que, por aqui, “vaca” é pejorativo, apesar de toda a …

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