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Da sacada de uma bela casa na enseada de Marselha, a vida passa implacável (Foto Divulgação)

A vida passa implacável em “Uma Casa à Beira-Mar”

Da sacada de uma bela casa de frente para a enseada de Marselha, no sul da França, a vida passa implacável. O patriarca contempla a imensidão azul enquanto agoniza na delicada, porém angustiante, abertura de “Uma Casa à Beira-Mar”, novo filme do cineasta Robert Guédiguian, o mesmo que nos encantou com ‘As Neves do Kilimanjaro” e tantos outros belos filmes ambientados em sua terra-natal. Obrigados ao reencontro após a doença do pai, que perdeu todos os movimentos, três irmãos tentam entender suas perdas e danos. O clima fica entre Tchecov e Brecht enquanto os limites físicos da casa, construída pelo pai e alguns amigos, ainda presentes na vida da família, funcionam como um palco que recebe, sem dó, algumas das grandes questões da humanidade, de ontem e de hoje. Guédiguian, que é de Marselha, tem uma intensa relação com o …

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Poucos estudos têm mostrado uma relação entre as condições climáticas e a saúde mental das pessoas (Foto André Sarria)

O sol do suicídio

“Para corrigir uma indiferença natural, fui colocado a meio caminho entre a miséria e o sol. A miséria impediu-me de acreditar que tudo vai bem sob o sol e na História, o sol ensinou-me que a História não é tudo.”   (Albert Camus)    Tivemos aqui na Inglaterra dias bem quentes, e uma onda de calor fez com que cidades como Londres registrassem temperaturas de até 36 graus, uma estação do metrô foi fechada e alguns jornais noticiavam mortes causadas por insolação e desidratação, principalmente em crianças e idosos. Eu, por ter vivido no interior de São Paulo, não creio que iria sofrer algum problema de saúde por essa onda de calor, mas, para os ingleses, ao terem que lidar com isso, exigiu-se um esforço maior em suas rotinas. O ar de cansaço, mal estar e mau humor deles foi bastante visível no …

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"O que Hilda teria achado desse auê todo?" (Foto Instituto Hilda Hilst)

O dia em que conheci a obscena senhora Hilda Hilst

Os cachorros cercaram o carro do jornal e na entrada da casa estava Hilda Hilst, hoje a grande homaneagada da Flip 2018. Os latidos perturbaram o primeiro contato, mas a obscena senhora D. em pessoa (!) foi receptiva. Com os cabelos ruivos presos e um vestido azul solto, combinava muito bem com o tom de terra da ampla casa na chácara onde viveu boa parte da vida, em Campinas. O fotógrafo pede para ela posar, mas Hilda quer que entremos. O ano é 1990 e essa é uma das minhas primeiras pautas no caderno de cultura do Diário do Povo, em Campinas. Hilda Hilst era praticamente só um nome para mim, então antes da entrevista procurei no arquivo antigas reportagens. Mas nada teria sido suficiente para eu me preparar para o que viria. Um dos cães, e eram muitos, um …

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Muitos enxergaram no filme um testamento-manifesto de Wadja (Foto Divulgação)

“Afterimage”, a imagem que fica de Wajda é poderosa

“Afterimage” é o último filme do polonês Andrzej Wajda, que morreu aos 90 anos em 2016. Foi uma despedida em grande estilo, com um filme melancólico sobre o papel da arte diante de um regime autoritário como a União Soviética de Stálin. Muitos enxergaram no filme um testamento-manifesto. E, para além das imagens, o que fica é uma mensagem poderosa, que emociona. Wajda conta a história do artista e pintor Wladyslaw Strzeminski (1893-1952), interpretado com grande inspiração por Boguslaw Linda. Companheiro de Malevich e outros na criação da arte moderna e tido como o maior artista polonês do século passado, o pintor perdeu uma perna e um braço na Primeira Guerra Mundial. Não queria ser tratado de maneira diferente e seguia a vida pintando e sendo referência para seus alunos na Escola de Belas-Artes de Lodz. Em 1934, fundou o …

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O filme mostra com enorme colorido o processo criativo e a agonia do artista (Foto Divulgação)

Nem tudo são cores na viagem ao Taiti de Paul Gauguin

A sessão de “Gauguin – Viagem ao Taiti”, uma das atrações do recém-encerrado Festival Varilux, fez muitos artistas trocarem seus ateliês pelo escurinho do cinema. Antes da exibição em Campinas a fila para comprar o ingresso parecia a abertura de uma exposição. Após o filme as rodinhas se formaram, impressões foram trocadas e havia até um clima de confraternização no ar. A arte de Paul Gauguin (1848-1903) segue inspiradora, afinal, para além das polêmicas. O francês Vincent Cassel encarna muito bem o papel do artista que, nos últimos anos de sua vida, viveu na Polinésia e produziu seus trabalhos mais importantes, como a tela “De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?”, o busto “Tête tahitienne” e a escultura em madeira “La maison de Jouir”, por exemplo. Dessa época, porém, vieram as acusações de pedofilia, de apropriação da arte …

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