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Um guia turístico desatento

Certa noite, entre cervejas e cervejas, um amigo que trabalhava em uma empresa de turismo, o Gonçalves, me chamou de lado e me convidou para atuar como guia turístico. E abriu um sorriso. O que? Guia turístico? Para levar alguém pra Marte? Ele ficou me olhando. Sumiu o sorriso. Como, levar alguém pra Marte, pensou? Este cara está louco! Continuou me olhando. Cheguei a ficar inibido. Olha aqui, Gonsalves. Não imaginei nada disso. Mas, cá pra nós: guia turístico? Tentei explicar minha atividade atual. Sou bom em português. Sou bom em matemática. Sou bom em todas as disciplinas. Mas bom no que é preciso conhecer um curso para trabalhar. Nada mais. E isso não seria interessante para ninguém que fosse passear. Seguiu de olho na minha cara. Explico: no início do cursinho pré-vestibular, em São Paulo, num apartamento minúsculo na Avenida …

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Brechós e desapego, uma moda que pode virar hábito

Brechó anda na moda. Não na cartilha da moda, claro, mas na conversa entre amigas, em artigos na internet e até nas mais improváveis mídias. Toda semana tem gente desengavetando aquilo que não usa mais para vender num brechó físico ou nas nuvens. Boa parte desse burburinho foi desencadeado pela crise. A possibilidade de comprar roupas mais baratas ou gerar alguma renda vendendo as que estão encostadas no armário foram o mote da batida perfeita para tempos de recesso na economia. Queremos muito que a crise passe, mas que não leve com ela os brechós, porque um tanto mais além do que uma alternativa para a crise, roupas de brechó são um caminho para o consumo consciente, uma oposição à cultura do excesso e do modismo “tem que ter”, um bom começo para uma filosofia de vida sustentável. Roupas de …

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Cartaz da peça de Thathi Piancastelli, em cartaz em Nova York

Por que não sou uma mãe especial

Não, eu não sou mãe especial. Nem minha filha é especial. Ela tem síndrome de Down. Isso não tem nada de especial. Tem a ver, sim, com diferença. Com percepção e vivência da diferença no cotidiano. Com percepção e aceitação do outro. Tem a ver com a possiblidade de enxergar a vida com olhos fora do padrão. E relaxar nessa experiência que, assim, se torna natural. É a essa dimensão que me remete o primeiro episódio da web-serie “Geração 21”, de Alex Duarte, que conta a história da Thathi Piancastelli, uma jovem atriz que tem síndrome de Down e que ganhou fama por conta da peça de teatro profissional que escreveu e na qual atua ao lado de dez artistas em Nova York. Certamente, a história de Tathi inspira a todos nós, mães, pais, avós, tios, amigos de crianças com …

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Crédito: Kirt Edblom/creativecommons.org

Hora do corre-corre

O Ancião sabia que a videoconferência não tardaria a se completar na tela do computador: afinal, os convocados eram, na maioria, jovens tecnologicamente bem preparados naquela nação insular do Oceano Índico privilegiada com um Índice de Desenvolvimento Humano elevado, o 63º do mundo. E com a vantagem de se abrigar sob o regime de república parlamentarista, nada afeita a monitorar a internet. Assim que o mosaico multifacetado se estabilizou no monitor, ele saudou: — Prazer em me comunicar com vocês, guardiões! Após um breve retorno de burburinhos em resposta, o Ancião tratou de ir logo ao ponto: — Saibam que a presente convocação emergencial se justifica realmente por uma emergência. E, antes que alguma intervenção se consolidasse por parte dos mosaicados, ele transmitiu a notícia veiculada pela revista britânica Nature Communications: “Restos de antigo continente são encontrados nas Ilhas Maurício”. …

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"Eles Só Usam Black-tie" mostra a vida de jovens negros sul-africanos e é quase todo rodado em branco e preto

“Eles Só Usam Black-tie” retrata crise de geração pós-Apartheid

O suicídio de uma garota da turma transmitido on-line muda o futuro de um grupo de amigos de um bairro de negros de classe média alta na África do Sul. Em “Eles Só Usam Black-tie” (tradução para “NeckTieYouth”, algo como “juventude de gravatas”), que estreia no Brasil nesta semana, o novato diretor Sibs Shongwe-La Mer, de 23 anos, retrata “millennials” em crise existencial, em meio a drogas, falta de perspectiva e conversa fiada. O título do filme no Brasil faz trocadilho com “Eles Não Usam Black-Tie”, de 1981, dirigido por Leon Hirszman, mas vamos levar “na esportiva”. O cenário do filme é um país igualmente em crise, após o fim do Apartheid, e Joanesburgo, uma cidade com toda a crise que se pode carregar com tanta desigualdade social escancarada. O filme, que lembra “Kids” (de Larry Clark, de 1995), foi …

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