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O filme foi escrito e dirigido por Terence Davis (Foto Divulgação)

“Além das Palavras” retrata a poesia e a rebeldia de Emily Dickinson

Emily Dickinson (1830-1886) enfrentou, com poesia e rebeldia, uma vida marcada por princípios familiares rígidos que terminou de forma solitária e dolorosa, após sofrer por anos de uma grave doença renal. A poeta, hoje uma das mais inspiradoras e reconhecidas autoras da língua inglesa, teve uma vida praticamente anônima em Amherst (Massachussets) e publicou pouco mais de uma dezena de poemas dos quase 1.800 que foram revelados ao mundo postumamente. “Temo que as mulheres não possam criar a fina literatura”, diz o editor de um jornal ao responder ao seu pedido de publicação em uma cena de “Além das Palavras” (A Quiet Passion, no original), surpreendentemente a primeira cinebiografia da autora, em um filme escrito e dirigido pelo talentoso britânico Terence Davis, de trabalhos premiados, como “O Fim de um Longo Dia” e “Vozes Distantes”. No filme, a protagonista é …

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Crédito: European Space Agency/creativecommons.org

Caíram direitinho

Os sabichões da Interagência Espacial (InterEsp) mijaram de rir nas doutas e imaculadas cuecas/calcinhas quando decodificaram os dados enviados pelo cinturão de satélites de vigilância: “Revoada de unicórnios translúcidos na mesosfera”; “Aproximação crítica de asteroide envolto em escudo de invisibilidade”; “Van lotada por palhaços cósmicos do mal iniciando orbitação”. O mais engraçado era que os “dados” não só se faziam acompanhar de cálculos com fachada de coerência, como se davam ao luxo de produzir imagens hiper-realistas dos “fenômenos”. O que não estava visível para a gargalhante e elitista plateia da InterEsp eram as frenéticas atividades industriais em curso no cenário insólito pintado pelos dados malucos (também acompanhadas por risinhos, muitos risinhos…). Os cientistas terráqueos já estavam acostumados com as brincadeiras de “hackers espaciais”, que pentelhavam o mundo sério desde os idos tempos das atividades dos satélites Swift e Fermi, coletores …

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Ilustração: Moa

Plantas que brincam de telefone sem fio

Os terços rezados nas casas dos sítios eram um evento social muito importante para nós, moleques no auge de nossos 11 ou 12 anos de idade. Eles eram rezados, na maioria das vezes, pela Dona Nega do Gerardin, “A melhor rezadeira”, diziam as pessoas. Nunca soube muito bem a ordem dos sítios onde eles seriam realizados, mas me lembro de que uma vez ele foi feito no sítio da minha vó, onde morávamos. Minha mãe, logo cedo, varreu todo o quintal, meu pai buscou lenha para acender o fogão, onde seriam preparados os chás e achocolatados (que eram servidos junto com outras guloseimas logo após o final da ladainha de Nossa Senhora), meus irmãos buscavam as tábuas para fazer os bancos, e cada um na sua função deixava tudo pronto. A estrela principal era o altar: rosas feitas de papel …

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A intenção foi boa…

A vibração se alastrou rapidamente por todas as porções de solo úmido do planeta. O engraçado era que a fonte da interferência nunca poderia ser detectada facilmente, face que encontrava-se a milhões de anos-luz. O que não impedia que todos os espécimes de cogumelos da Terra que carregavam os genes dos “percussores” percebessem nitidamente o fenômeno. Estava posta a assembleia. “Pois é, bravos operativos”, — batucou cosmicamente a suprema e longínqua intervenção — “Já tínhamos previsto o desdobramento, mas a questão agora é que, finalmente, a ‘ficha caiu’ de vez”. Os “bravos operativos” captaram a mensagem, inscrita com precisão no cerne de seus pés, parcialmente enterrados nos substratos, e que suportam os chapéus. Contudo, sua primeira reação foi um imenso “?” O vozeirão quase imaterial, porém semi-silencioso, prosseguiu: “Até que enfim, respeitáveis centros de etnobotânica concluíram que o consumo habitual …

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Os tomates vão recuperar o seu gosto? (Foto André Sarria)

O que minha tia reclamava ao vendedor de verduras

Toda semana passava, lá na rua de casa, um “verdureiro”. Ele vinha toda quinta-feira com a carroceria de sua velha Saveiro abarrotada de frutas e verduras. Ainda me lembro de sua voz sonolenta que anunciava o preço do tomate: “traz a bacia minha senhora, que hoje você leva dois quilos…” Um dia desses, escutei minha tia reclamando pra ele que os tomates já não tinham mais o mesmo gosto. Dizia ela que, antigamente, os tomates eram mais cheirosos e que tinham mais gosto do que os de hoje. “Sei lá”, dizia ela, “antigamente, parecia que as fruta e as verdura tinha mais gosto, hoje em dia os tomate não têm gosto de nada, de que adianta ser tão vermelho se são tudo aguado…” Recentemente, saiu na revista Science um trabalho provando exatamente o que minha tia tanto reclamava: “Os tomates …

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