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(Crédito: Hans Glaser/Zentralbibliothek/reprodução)

Adrenalina

Hibernados em lan houses bem distantes entre si, Ahgrr Awa e Sepza Trinchyey-A seguiam a rotina diária, que ora determinava a vitória de um, ora a do outro, indistintamente. Apesar do generoso estoque de bebidas energéticas, barras de chocolate e comprimidos de metanfetaminas que jazia aos pés dos consoles, tinham a inequívoca certeza de que aquele exercício não passava de um pálido arremedo das grandes aventuras que viviam antigamente, antes do decreto de proibição baixado pela Federação do Sistema Galáctico Anphro-12. Infelizmente, por enquanto se viam obrigados a se restringir aos prosaicos videogames terráqueos de combates espaciais. Até para não enferrujarem de vez. E até que conseguissem, durasse o tempo que durasse, restabelecer a tecnologia que os permitiria alcançar os céus de novo, gloriosamente. Os competidores esportivos de combates sub-orbitais irritavam a federação havia muito tempo, já que escancaravam precocemente …

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A música que encanta (Arquivo Pessoal/André Sarria)

Beethoven para a alma e para o câncer

“Eles dizem que música pode alterar seu comportamento e falar com você. Mas pode carregar uma arma e atirar também?” (Eminem)   De minhas várias idas e vindas ao Brasil, a volta é sempre a parte mais dolorida e por mais que eu faça isso há anos ainda é bastante doído deixar a família para trás. Numa dessas voltas, como de costume, meu irmão me leva até a rodoviária de uma cidade vizinha, onde ali eu pego um ônibus para São Paulo. Teve um dia em que meu sobrinho foi junto e, no meio do caminho, ele vendo que eu mal falava, disse que iria me cantar uma música que iria me animar. A música era Irene, do Rodrigo Amarante, e seus versos: “Saudade, eu te matei de fome. E tarde, eu te enterrei com a mágoa, Se hoje eu já …

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Crédito: Painel Histórico de Campinas

Olimpiana (ou de quando paguei minha boca)

Nunca foi exatamente raro que alguns olimpianos mais salientes adorassem dar umas escapadinhas para a Terra e aprontar pegadinhas com os incautos humanos. Ares fez isso diversas e sempre catastróficas vezes. Afrodite e Eros já preferiam a esportiva prática de soltar a franga no meio — muitas vezes literalmente “no meio” — dos pobres mortais (Curiosamente, Atena nunca se mostrou tentada a dar tais escapadinhas… ). Até que Zeus, soltando raios pelas ventas, resolveu coibir os excessos e passou a manter a galera divina em rédeas curtas. O que pode ter funcionado razoavelmente para o pessoal da casa, mas em se tratando de um titã… a coisa fica bem mais difícil. É claro que eu não sabia de nada disso antes de esta história começar, propriamente. Findo mais um ato público contra ditadura militar, deixávamos o largo que era palco …

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Swamiananda (Foto Public Domain)

Calma, respira

A primeira vez que tive contato com uma espécie de técnica de respiração, usada na ioga, foi quando eu tinha mais ou menos oito anos de idade, e a experiência que me levou a aprender essa técnica foi muito traumática, se posso dizer isso. Uma vez fui com alguns primos na casa da colônia de uma fazenda perto do sítio do meu pai. Já sabíamos, ali, da existência de diversos cachorros nada amigáveis que os moradores da casa mantinham soltos, e um deles, em especial, era o mais temido, que se chamava Capeta e era conhecido por ser o tinhoso em pessoa, mas moleques nunca sabem bem o resultado daquilo em que vão se meter… Mal me aproximei da casa, o Capeta já levantou as orelhas e saiu em disparada, estava furioso! Era a primeira vez que um demônio em …

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Dirigida por Patty Jenkins, a israelense Gal Gadota faz a nova Mulher-Maravilha

Mais poder para as mulheres, com “Mulher-Maravilha” e Sofia Coppola

  A Mulher-Maravilha chegou ao cinema a tempo para o discurso sobre o, para usar a palavra da moda, empoderamento feminino. A heroína marcou minha adolescência em frente à TV, consumindo “enlatados”, como se dizia naquela época, quando a luta das mulheres não era tão diferente da de agora, como por exemplo, pela equiparação salarial. O filme é dirigido por uma mulher, Patty Jenkins, e a escolhida para vestir a fantasia da heroína foi a atriz israelense Gal Gadot, atlética por causa de seus anos no exército. Confesso que, a princípio, estranhei Gal Gadot. Onde estão os olhos azuis e a pele de porcelana da Miss América Linda Carter? Mas o que posso dizer é que o filme emociona, conta a história direitinho e as cenas de luta não são enjoativas. Ambientado na Primeira Guerra, a “Grande Guerra”, como eles …

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