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O filme mexe com os nervos e o desfecho é dos mais aterradores (Foto Divulgação)

A paranoia da violência no Rio de Janeiro escancarada em “Praça Paris”

Durante minha temporada no Rio de Janeiro, entre 2016 e 2017, só vi a Praça Paris de uma distância “segura”. Até planejei visitar aquela relíquia do final da Belle Epoque carioca, uma praça no bairro da Glória construída aos moldes das praças parisienses, com grandes gramados, lago, chafariz e canteiros em composição simétrica que tanto encantou os visitantes da Cidade Maravilhosa desde sua inauguração, em 1929. Mas nas duas ocasiões em que me atrevi a passear pelo local fui dominada pelo medo diante de tantos relatos de assaltos e outras violências. Pois dias atrás, em uma curta viagem ao Rio, a Praça Paris voltou a chamar minha atenção, já que é ela quem batiza o novo filme da cineasta carioca Lúcia Murat. “Praça Paris”, não por acaso, é um filme cujo tema é a paranoia da violência que nos atormenta, …

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Crédito: iStock

Uma pequena crise gigantesca

PR-0 nunca imaginou que chegaria a amaldiçoar a inteligência artificial, justamente o que garantiu a rápida evolução de sua espécie. O problema é que diversos membros da comunidade andavam mergulhados num caos sócio-político, favorecido pela segregação geográfica, e fazendo merda grossa. E, como sacou, um dia, um humano idiota qualquer, sem estabilidade, nenhum reino prospera. * * * Quando sua equipe conseguiu os avanços mais promissores, no finalzinho dos anos 90 do século passado, um dos cientistas envolvidos no projeto não conseguiu se livrar da memória nostálgica: aquele filme clássico de 1966, Viagem Fantástica, que narra a epopeia de um grupo de médicos miniaturizados percorrendo vasos sanguíneos para fazer operações salvadoras no cérebro de pacientes. Muita água rolou desde então; e se não havia sido possível, ainda, miniaturizar pessoas, as pílulas robóticas já estavam fazendo maravilhas em campos da medicina, …

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Jude Law e Colin Firth em ótimas interpretações (Foto Divulgação)

“O Mestre dos Gênios” revela o grande editor dos grandes autores

No mundo dos livros que ficam para a eternidade, um nome se destaca na cena norte-americana: Max Perkins (1884-1947), editor e descobridor de escritores como F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway. Não devia ser nada fácil chegar para um deles com seus manuscritos e mandar cortar parágrafos, sequências inteiras, personagens… ou até mesmo mudar o nome de um livro (!). Mas Perkins era implacável. Um relacionamento em especial chama atenção em sua história, contada na biografia “Um Editor de Gênios” (Genius, no original), de A. Scott Berg; foi com Thomas Wolfe (1900-1938), um autor (não confundir com Tom Wolfe, de “A Fogueira das Vaidades”) que apesar de pouco conhecido no Brasil, influenciou toda uma geração com sua escrita rápida, ágil e nervosa que daria, décadas depois, forma ao movimento beat, que Perkins enfrentou um de seus maiores desafios. E um …

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Animal usando os colares contendo o “cheio” do waterbuck. Na verdade os colares contêm os compostos químicos identificados pelos pesquisadores e que contribuem para formar o cheiro do waterbuck. Estes colares liberam os compostos e mantém as moscas para bem longe, protegendo o animal. (Fonte: Autores do trabalho)

Vacas vestindo roupas de waterbuck

“Estou escrevendo este texto de meu celular. Fizemos uma pausa para o almoço e faço isto enquanto meu time termina de comer e descansar de uma manhã bastante intensa. Estamos em um centro de pesquisa agrícola, localizado na região de Centurião, a alguns quilômetros de Johanesburgo, na África do Sul. O dia tem sido bastante quente e o trabalho que estamos fazendo aqui, desgraçadamente, nos exige estar expostos ao sol por todo o dia. A água é bastante limitada, duas ou três garrafas para cada; vem fresca, mas, após alguns minutos, está tão quente como o dia de hoje. Os animais vêm em lotes, são agressivos e bastante imprevisíveis. Hoje já tive um acidente com meu dedo que ficou esmagado entre a cabeça de um boi da raça Niguni e a cerca. Pausa para o almoço, e todos nós comemos …

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Agnès Varda divide o road movie com o jovem fotógrafo e artista JR (Foto Divulgação)

“Visages, Villages”, um encanto de road movie sobre rostos, lugares e memória

“Visages, Villages” é um pequeno grande filme que, a partir de uma reunião improvável, faz uma viagem pelo interior da França, mas com resultados bem menos idílicos do que os vendidos nas agências de turismo. A oitentona Agnès Varda, cineasta pioneira da Nouvelle Vague, amiga de Jean-Luc Godard, divide o road movie com o jovem fotógrafo e artista JR, que tem espalhado sua arte em grandes espaços ao ar livre mundo afora (inclusive nos Jogos Rio-2016). O resultado encanta. A dupla encontra uma França envelhecida, sem trabalho, carente, que contrasta com uma força individual que nos é revelada por personagens que são retratos verdadeiros do que é viver e resistir. Por meio da fotografia, o tempo, o nosso tempo, fica congelado a olhos vistos nas gigantescas imagens desses personagens coladas aqui e ali, que chamam atenção e fazem o cérebro …

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