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Crédito: Interdimensional Guardians/creativecommons.org

Isso é no que dá confiar

A baixíssima estatura (menos que um metro e vinte e olhe lá) e o corpinho esquelético eram os meus trunfos para driblar os fiscais da prefeitura durante os rapas”, cada vez mais frequentes e agressivos no camelódromo: eu conseguia ziguezaguear quase imperceptivelmente entre as pernas dos transeuntes, trôpegas por causa do reboliço. Certo que minha cabeçorra oferecia alguma dificuldade, porém nada que uns “licencinha!, licencinha!”, grunhidos com minha voz algo metálica, não resolvessem. Já a uma distância segura da repressão, ainda ouvia a torcida dos colegas camelôs que não tiveram a mesma sorte: “Força, anão, você vai conseguir mais uma vez!” Após adentrar, esbaforido, o quarto da pensão, antes mesmo de tomar fôlego, tratei de conferir se havia conseguido entochar todas as minhas mercadorias dentro da mochila surrada: tinha sim, os prosaicos e simpáticos bonequinhos de epóxi estavam lá, prontos …

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O terceiro longa da diretora alemã Maren Ade, "Toni Eardmann", pode provocar risadas, mas há uma melancolia profunda no conflito de gerações

“Toni Erdmann”: seu pai não te entende, você não entende seu pai

  Em “Toni Erdmann”, forte concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o protagonista é o alemão Winfried (Peter Simonischek), que tem um humor bem peculiar. Tira sarro de tudo e de todos e encara a vida como uma grande piada. Sacaneia o carteiro, seu aluno de piano e (muito mais) a própria família. Usa “disfarces”, como uma horrível peruca, carrega uma dentadura maluca no bolso da camisa e, a qualquer momento, se transforma em um outro. Um deles é Toni Erdmann, que o fará se reaproximar da filha, Ines (Sandra Hüller), workaholic mais conectada ao telefone celular do que aos seus. O terceiro longa da diretora alemã Maren Ade (que estreou em 2003, com “Floresta para as Árvores” e, logo no segundo filme, “Todos os Outros”, levou o Grande Prêmio do Júri do Festival de Berlim, em 2009) pode …

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Foto Martinho Caires

A hora é agora: Quatro meses para a conclusão do Plano Diretor de Campinas.

No dia 03 de fevereiro de 2017, finalmente aconteceu a primeira reunião do ano dando início aos trabalhos para finalização do Plano Diretor para a cidade de Campinas. O encontro se deu pelo Conselho da Cidade de Campinas (Concidade), um dos conselhos mais importantes devido à grande representativa que possui. Criado em 2005 através da Lei nº 12.321, o Concidade é um órgão colegiado de caráter consultivo que objetiva estudar e propor diretrizes para a formulação e a implementação da política municipal de desenvolvimento urbano sustentável. O Concidade é composto por quinze membros do Poder Executivo com representantes das esferas municipal, estadual e federal. Para representar a sociedade civil constam: oito vagas para movimentos sociais e populares; três para entidades sindicais e dos trabalhadores; quatro entidades empresariais com atuação na área do desenvolvimento urbano; quatro para instituições de ensino superior, …

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Crédito: ND Strupler/creativecommons.org

Home office

A Pensão da Tia Marilda para Rapazes Solteiros era, sem sombra de dúvidas, o fim do poço a que um desempregado crônico e cachaceiro como eu poderia chegar. Ou até não: abusando do restinho do salário-desemprego, até que consegui alugar um quartinho individual, dádiva, visto que naquela altura do campeonato, o que eu menos queria suportar seria dividir o espaço com outros losers iguais ou até piores do que eu. Historicamente funcionando sem alvará nem anjo da guarda no cinturão urbano em torno da antiga estação rodoviária, a pensão não fazia perguntas demais — e nem nós, os hóspedes, naturalmente. E tinha outra vantagem: ficava próxima do centro da cidade, o que facilitava muito minha atividade atual como camelô, que abracei havia alguns anos desde que levei um pé na bunda da firma onde trabalhava como almoxarife; a localização também …

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Cacalo Fernandes_bola grande

Mãe é mãe, paca é paca.

O que uma bola daquele tamanho estaria fazendo no meio da rua. Mas estava presa por um cabo de aço. Parecia o mundo agarrado pelo rabo. Comecei a andar um pouco mais rápido. Virei a esquina. Espiei pelo rabo de olho. Nada. Espiei de novo. E não é que ela apareceu? Que praga era aquela? Acelerei ainda mais os passos. Virei outra esquina. Olhei de novo pelo canto dos olhos. Nada. De novo. Nada. Ufa! Desacelerei os passos. Passou a desgraça. Ia olhar pra cima. Resolvi Não fazer nada. Anda rápido, vai. E não é que a “redonda” apareceu de novo. Ela ocupava a rua toda. Resolvi correr. E quanto mais eu corria mais ela caminhava rápida. Não acredito. Entrei em outra rua. Mas era uma sem saída! No final tinha um muro enorme. Tentei pular. Não deu. Pulei mais …

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