Artigos Recentes

cacalo-dorminhoco

Psiu! Fala baixo

Durante certo tempo, foi jogador de futebol. Ele imaginava muitos aplausos da galera. Sonhava na verdade que os gritos explodiriam em um Maracanã lotado. Mas quando percebeu, depois de uma boa jogada em um campo de várzea, que o silêncio invadira o gramado, refletiu: sua carreira chegara ao fim. E agora? Depois de uma semana dormindo, acordou com os olhos cheios de ramela e o violão nas mãos. Começou a dedilhar. Gostou. Que som bom! Será que foi a semana de dormideira? Voltou a tocar, a tocar, a tocar, a tocar. Parecia que nunca mais terminaria aquilo. Seria agora um violonista de sucesso. Sua nova carreira começou quietinha. Como acontecia com muita gente. Começou em bares pequenos. Mas era só o início. Que o futuro o aguardasse. O futuro seria legal. Ah, como Londres era bela! E Amsterdã, então! E …

Leia Mais »
Crédito: Lord Jim/creativecommons.org

Treta com as minhas rugas

  Tinha acabado a sempre enfadonha tarefa de me barbear pra mais um dia de batente quando, sei lá porque, cedi à compulsão — dispensável havia muito — de encarar mais demoradamente o reflexo da minha fuça no espelho. Confesso que fiquei impressionado pela assinatura intensa das rugas… Sabe o que foi estranho, mesmo? A ruga mais pronunciada sob o olho esquerdo — sou canhoto, a quem possa interessar — começou a tremelicar e, como num desenho animado importado magicamente de O mundo louco de Tex Avery, se transmutou numa boquinha freneticamente tagarela: — Qualé, seis-ponto-zero, vai dar pra nos estranhar agora? Conforme-se, velhote! Assim que me desengasguei de um restinho de espuma pra barbear que havia engolido de puro susto, tratei de conferir as informações no rótulo do tubo: não, até onde iam minhas parcas memórias de química elementar, …

Leia Mais »
"Pequeno Segredo” representará o Brasil no Oscar e estreia aqui no dia 10/11; antes de chegar aos cinemas, já provocou polêmica

“Pequeno Segredo”, filme que vai representar o Brasil no Oscar, é de chorar

Muitos acompanharam as aventuras da pequena Kat por mares nunca antes navegados durante muitos domingos no “Fantástico” no início dos anos 2000. A caçula da família Schurmann vivia com desenvoltura sua primeira infância em meio a cenários paradisíacos, desfrutando das belezas e das surpresas dos oceanos mundo afora. Algum tempo depois, já longe da TV, em 2006, veio a notícia: a garota havia morrido, aos 14 anos. O que teria acontecido? Heloísa, a matriarca da família Schurmann, que tanto nos ensinou sobre a doçura da vida no mar, levou seis anos para revelar que Kat, que havia sido adotada, tinha HIV. No best-seller “Pequeno segredo: A lição de vida de Kat para a família Schurmann”, a mãe registrou, com amor e dor, uma história que daria um filme. E deu. David, um dos filhos da família Schurmann, resolveu levar o …

Leia Mais »
Crédito: Divulgação/Mascotas Puerto Madero Adopciones Responsables

O amor sempre embarca

Facilita em muito a história em si ser real e ter bombado na internet, replicada por sites noticiosos de responsa: aeromoça alemã e vira-lata argentino desenvolveram um caso de amor e, de tanto o bicho colar o focinho carente na porta envidraçada do aeroporto de Buenos Aires, a garota o adotou e levou pra morar com ela na Alemanha. Agora, vem a parte difícil: cismei de contar a história do ponto de vista do cachorro. Como estou longe de me ombrear com os talentosos Esopo e Walt Disney, peço desculpas antecipadas — principalmente à comunidade canídea — pelas minhas tosquices de sotaque. Isto posto, me arrisco… Hola. Yo era un perro sin dueño de Buenos Aires y ahora me llaman Rubio. Creio que nem preciso salientar o quanto de fome e sede eu sentia todo santo dia. Até que naquele …

Leia Mais »
Na pele do poeta, Rhys Ifans dá um show de interpretação; poucos reconhecem o amigo amalucado de Hugh Grant no filme “Um Lugar Chamado Notting Hill”    Fotos: Divulgação

O dia em que Dylan Thomas bebeu até morrer (literalmente)

Houve um tempo em que poetas eram celebridades como hoje são as estrelas do rock. Atraíam multidões, especialmente mulheres, em apresentações para plateias ansiosas para absorver suas palavras e, enfim, vê-los e ouvi-los frente a frente. Uma dessas grandes estrelas foi o galês Dylan Thomas que, no início dos anos 1950, fez um tour pelos Estados Unidos para declamar seus poemas. O desfecho dessa história, de final trágico, é contada em “Dominion”, do diretor Steven Bernstein. O filme, um dos 266 títulos em exibição no atual 18º Festival de Cinema do Rio, foca no último dia da vida de Dylan Thomas, um dos grandes nomes da poesia de língua inglesa, que influenciou a geração beat e, posteriormente, “batizou” Bob Dylan (o músico Robert Zimmerman adotou o nome artístico de Dylan em homenagem ao poeta). Thomas, que estava há alguns meses …

Leia Mais »