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Agnès Varda divide o road movie com o jovem fotógrafo e artista JR (Foto Divulgação)

“Visages, Villages”, um encanto de road movie sobre rostos, lugares e memória

“Visages, Villages” é um pequeno grande filme que, a partir de uma reunião improvável, faz uma viagem pelo interior da França, mas com resultados bem menos idílicos do que os vendidos nas agências de turismo. A oitentona Agnès Varda, cineasta pioneira da Nouvelle Vague, amiga de Jean-Luc Godard, divide o road movie com o jovem fotógrafo e artista JR, que tem espalhado sua arte em grandes espaços ao ar livre mundo afora (inclusive nos Jogos Rio-2016). O resultado encanta. A dupla encontra uma França envelhecida, sem trabalho, carente, que contrasta com uma força individual que nos é revelada por personagens que são retratos verdadeiros do que é viver e resistir. Por meio da fotografia, o tempo, o nosso tempo, fica congelado a olhos vistos nas gigantescas imagens desses personagens coladas aqui e ali, que chamam atenção e fazem o cérebro …

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Crédito: iStock

Sonâmbulos

O poeta estava muito excitado. E, dado o seu posicionamento à beira do topo do edifício alto, talvez fosse mais certeiro se auto-intitular como maestro. Afinal, ele regeria a cidade inteira. Pensando bem, talvez fosse mais certeiro ainda se auto-intitular como mago. Afinal, com um mero esforço mental, conseguira transformar toda a numerosa população daquela cidade em seus iguais. O poeta/maestro/mago sempre fora um sonâmbulo. * * * Foi como poeta que iniciou o ritual naquela noite escura e fria. Esvoaçou os braços magros contra o ar escuro e frio e entoou os primeiros versos: Os primórdios Antes não era epidemia/era só uma tendência noturna/que tinham certos cidadãos/de comer a carne do sono/de roer o sono/até os ossos/esmagar os ossos/na moenda interior/e mesmo dormindo/se libertar do sono/primeiro/no planar dos lençóis/no vácuo do dormitório/depois/no estalar das vidraças/prosseguir/a vida/de peito aberto/paralelo/aos parapeitos/lá …

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A Arte Existe sem Contemplador?

A pergunta vem-me passeando por entre as sinapses e os escassos momentos de fazer nada. O que é um museu com paredes plenas de obras de arte e mergulhado no mais absoluto vazio? Não há passos vagarosos, cochichos sobre a impressão causada por aquela imagem, desejos de se ter aquela obra em casa ou de ser a última que se escolheria no mundo, a correria das crianças. O que são as obras instaladas na mais perfeita expografia, milimetricamente colocadas para satisfazer o desejo que nosso cérebro sente pela simetria? Um dia, entrelaça-se, a essa, uma outra pergunta que me instigava quando criança: se uma árvore cair e não houver ninguém por perto, haverá barulho? Em tempos de Google, impossível não encontrar os esconderijos das perguntas impossíveis de outros tempos. A resposta é não! O som não existe pois ele é …

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Professor de yoga sem paciência

Tio Fernando foi um exemplar estudante de engenharia civil na Universidade de São Paulo. E desde os 14 anos já namorava tia Clio, irmã de minha mãe. Com o início do namoro, combinara com ela como queria se casar: “Para a gente ter um amor perfeito, você não poderá mais olhar para nenhum rapaz, e nem eu para nenhuma moça”. A namorada olhou nos seus olhos e disse: “Mas isto é Claro, Fernando”! Antes de sair seu primeiro salário de engenheiro, tia Clio deu o primeiro sinal da penca de filhos que se anunciava. Depois não teria mais parada. Nascia um e já vinha outro.  O casal teve seis filhos, entre eles, uma mulher. Foi aí que o médico falou que chegara a hora de parar. “Por que”?, questionou tio Fernando. O médico explicou, explicou, explicou… E tio Fernando manteve …

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The Post: o jornal - e o jornalista - agonizam nas redações, mas no cinema o ofício de reportar uma notícia garante boas histórias (Foto Divulgação)

“The Post”, ou eu só queria ainda poder ler o meu jornal

O jornal – e o jornalista – agonizam nas redações, mas no cinema o ofício de reportar uma notícia garante boas histórias. O mais recente é “The Post”, segunda vez do roteirista Josh Singer pelo universo onde tudo começa na reunião de pauta. Depois da estreia premiada de “Spotlight”, é hora de contar a história do que viria ser chamado de Papéis do Pentágono. O sabor da nostalgia desce amargo diante da extinção cada vez mais próxima do jornal, principalmente para quem viveu essa história. O filme é meticuloso em acompanhar como era feito o jornal nosso de cada dia e a saudade que provoca chega a doer depois de mais de 25 anos de jornalismo na vida. Da reunião de pauta à apuração, escrever e editar, paginar, mandar para a gráfica, composição, tinha preta e muita disposição para dobrar, …

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