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Crédito: Oleg Mikhaylov/ Pexels

Questão de família

Como sempre, bebeu e cheirou como se não houvesse amanhã. E, como sempre, tombou “heroicamente” no primeiro vão que a cidade fria lhe oferecia. Sim, estava “curtindo” mais um rompimento amoroso: afinal, que mulher aguentaria tanta manguaça e falta de plumo? Meio que acordou por força das botinadas obstinadas que sentiu estar recebendo, mas os olhos ainda estavam nublados pelos resíduos dos excessos a que se dera o luxo antes de desmontar na calçada (como sempre). Assim, conseguiu vislumbrar apenas a silhueta do cara alto que o fitava, as mãos enluvadas alojadas arrogantemente na cintura. Mesmo após recobrar um pouco mais da consciência, não entendeu bem o que via: o cara vestia uma roupa estranha, que emitia certos brilhos que pareciam brincar de pique-esconde com a pouca luz emitida pelo poste mequetrefe. Semblante duro. Cabelos grisalhos, denotando ser mais velho …

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Cães percebem variações no campo magnético do planeta (Foto Andre Sarria)

Cães usam bússolas para se aliviarem

Meu amigo Rafa sofre bastante com sua dálmata Hemy. Ela tem prisão de ventre, e meu amigo tem de estar sempre disposto a atender a Hemy que, por muitas vezes, decide se aliviar em horários um tanto quanto inesperados, como às duas da madrugada. Quando Hemy anuncia seu desejo, ele desce com ela e, pacientemente, aguarda ela se aliviar, o que não é rápido, pois Hemy enrola bastante: ela dá uma cheirada numa flor, se coça, dá uma volta, gira um pouco, olha para o céu, boceja, olha para o Rafa, abana o rabo e, finalmente, se alivia – e assim meu pobre amigo pode voltar a dormir novamente. Talvez Hemy não sofra exatamente de prisão de ventre. O problema talvez seja que Hemy esteja com dificuldade de se alinhar com o campo magnético do planeta. Pode parecer loucura, mas pesquisadores alemães e da República Checa …

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Crédito: Steve Baxter/domínio público

Paradeiro

Não eram maltratados, isso o rapaz era obrigado a reconhecer. Tinham alimentação balanceada, acomodações razoáveis e até atividades de lazer. Claro que, além da sacanagem de terem sido, de alguma forma, sequestrados, havia inconvenientes típicos de um campo de concentração, mesmo um hi-tech como aquele. As filas no refeitório, por exemplo, eram absurdas: naquele momento mesmo, o local estava apinhado pelos 3 mil soldados chineses que juravam terem sumido no ar em 10 de novembro de 1939, durante a guerra sino-japonesa! Após anos de convivência forçada, as barreiras linguísticas/culturais e as inibições cediam naturalmente, o que permitiu ao rapaz conhecer a história contada e recontada pelos chineses. Segundo eles, tudo aconteceu quando estavam acampados próximos a uma frente de combate, sob o comando do coronel Li Fu Sien. Quando seus equipamentos de rádio deixaram de transmitir, as equipes de busca …

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Ilustração: Well Junior (www.umareticencias.com.br)

O estranho caso dos pênis que desapareceram

O fato aconteceu em 1984 em Hainan, uma cidade no sul da China. Milhares de homens e meninos acreditaram que seus pênis estavam sumindo. Numa manhã qualquer, quando eles acordaram, estavam todos extremamente aterrorizados e em estado de pânico. Muitos estavam convictos de que seus pênis estavam encolhendo e desaparecendo. Amigos (os que ainda não estavam “infectados”) vieram em socorro; seus pintos eram então apertados, esticados e puxados para impedir que eles desaparecessem dentro de suas barrigas; amigos batiam neles com chinelos ou pedaços de madeira com a intenção de espantar o espírito maligno que estava roubando seus pintos. Muitos acreditavam que o espírito ladrão chegara pela noite quando o frio tomou conta da cidade. O episódio narrado diz respeito a uma doença psiquiátrica incomum, chamada de koro, ou como descrito pelo Manual de Diagnose e Estatística de Doenças Mentais, …

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Um protagonista que vive "no mundo da lua"

A comédia da (in)tolerância em “Más Notícias para o Sr. Mars”

O mundo pede tolerância, mas a realidade não deixa dúvidas de que a intolerância ganha territórios. “Más Notícias para o Sr. Mars” (Des nouvelles de la planète Mars), comédia franco-belga com direção de Dominik Moll, é justamente sobre tolerar. Ou até onde se pode ir. O vizinho deixa as sujeiras do cachorrinho em frente da sua casa? O chefe faz assédio moral? Os filhos te ignoram? A ex-mulher é uma folgada? A irmã é mais folgada ainda? Nada afeta o protagonista, Philippe Mars, interpretado com muito carisma pelo ator belga François Damiens. No original, o filme se chama “Notícias do planeta Marte” e faz um trocadilho com o sobrenome do protagonista, “Marte”, um sujeito de 49 anos que prefere viver “no mundo da Lua”. A galeria de situações que o poderiam levar a perder a tolerância é bem construída e, …

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