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Cena do filme impecável, premiado em Cannes (Foto Divulgação)

A jornada de “Gabriel e a Montanha” é a do homem contra a sua natureza

Logo na bela primeira cena de “Gabriel e a Montanha” já se sabe o destino do protagonista, Gabriel Buchmann, carioca que desapareceu ao escalar sozinho o pico Mulanje, no Malaui, com mais de 3 mil metros de altitude, em 2009. Em um sofisticado plano-sequência de abertura, dois homens cortam capim e um deles encontra seu corpo, desaparecido há 19 dias, em uma história que comoveu família e amigos mas que, agora, ganha amplitude no cinema em um filme impecável, premiado em Cannes, elogiado pela crítica europeia e que finalmente chega aos cinemas no Brasil. A morte de Gabriel, que no filme é interpretado por João Pedro Zappa, foi o resultado de suas decisões, muitas delas desafios às leis da natureza. No caso “homem versus montanha”, quem perdeu foi o jovem impetuoso, economista interessado em educação social, ou “pobrólogo”, como brincavam …

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Crédito: Gustave Doré (Domínio Público)

Caí no fosso

Até hoje não consigo atinar qual divindade maligna ou antimusa maledita foram responsáveis por aquele sufoco esquisito pelo qual passei; como dizem — ou diziam — o melhor mal feito é o que sabe ocultar suas origens. Só tenho certeza de que, de alguma forma, a culpa foi das estrelas (as da morte, especificamente). Bem, sei como tudo começou: como autor de ficção, sempre fui guiado pelas distopias. Não por opção maliciosa, é que o “lado negro da força”, indubitavelmente, rende histórias mais empolgantes. Então, na costumeira punhetagem mental para parir mais um texto para este glorioso blog, eis que travei numa dada madrugada. Creio que meu erro foram as escapadelas para plagas da internet, nas quais pululavam disparates como escola sem partido e sem discussão de gênero, mas com religião; ódio e censura a manifestações artísticas em museus, pelo …

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Alzheimer-CC0 Creative Commons (4)

Insônia causa Alzheimer que causa insônia

Se um funcionário de uma empresa no Japão cair de sono no meio de uma reunião, talvez ele conseguirá uma promoção por estar trabalhando muito e dormindo pouco, um sinal de dedicação e esforço para a empresa. A isso os japoneses chamam de inemuri, o ato de cair exausto de sono em qualquer lugar. Não dormir apropriadamente está ligado a diversas enfermidades. Há um tempo, falei sobre a  relação entre os telômeros e as poucas horas de sono dormidas por crianças, e a relação com o envelhecimento celular. Dormir bem, hoje em dia, talvez seja o sonho de muitas pessoas; pela vida ocupada ou pelo stress estamos dormindo cada dia menos. Privar-se de dormir pode ter sérias consequências para a saúde mental, inclusive para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. Mais de 44 milhões de pessoas ao redor do mundo …

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Ryan Gosling é o caçador de replicantes K (Foto Divulgação)

Em “Blade Runner 2049” voltamos ao passado para encontrar luz para o futuro

Nem parece que passou tanto tempo. Em 1982, Ridley Scott mudou a história com “Blade Runner”, um filme futurista com roteiro incrível, estética inovadora, elenco afinado e que se tornou cultuado. Muitos sonhavam com uma sequência e eis que aparece “Blade Runner 2049”, que o próprio Scott apresenta como produtor, mas que ninguém se engane: é o franco-canadense Denis Villeneuve quem está no comando. Diretor de filmes marcantes como o recente “A Chegada” e o emocionante “Incêndios”,  Villeneuve honra o filme original, que era ambientado em 2019, e toda a fábula que o envolve de maneira notável. A crítica foi só elogios, mas o filme não teve sucesso nas bilheterias e está com seus dias contados nas salas de cinema. Por isso, se quer ver “2049” como deve ser, na telona, corra. Vale lembrar que “Blade Runner” é baseado em …

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O sonho morava ao lado

Veio o barulho. Parecia um relâmpago. Olhei no relógio e ainda eram cinco horas da manhã. Mas verifiquei que o tempo estava bom. O que teria sido aquele estrondo. Parecia ser no Bosque dos Italianos, que ficava meia quadra de minha casa. Fui dar uma olhada. Estava escuro ainda. Não dava para saber de onde viera o ruído. Sentei na sarjeta de uma das ruas que cercava o bosque. Esperei. E de repente veio outro barulho. Deu para perceber mais ou menos de onde viera. Mas a escuridão era danada. Teria que esperar mais uma vez. Veio outro estrondo. Se não estivesse escuro eu acharia logo de onde ele partira.  Passei pela cerca de arame farpado e segui para o lugar que eu achava provável a queda. Olhava, olhava, olhava… Não via nada. A escuridão não atrapalhava tanto como antes, …

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