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Jean-Michel Frodon, um dos mais respeitados críticos de cinema da França, abriu nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, a programação do Festival Varilux de Cinema Francês          Foto: Divulgação

Crítico de cinema? Mas isso é uma profissão?

O francês Jean-Michel Frodon conta que, um dia, um taxista lhe perguntou sua profissão. “Sou crítico de cinema”, respondeu. “Mas isso é uma profissão?”, questionou o taxista. Frodon, um dos mais respeitados críticos de cinema da França, abriu nesta sexta-feira (10 de junho), no Rio de Janeiro, a programação do Festival Varilux de Cinema Francês, que terá programação em 50 cidades, com uma master class sobre o seu ofício. Tive o prazer de estar na plateia, junto com alguns dos mais conhecidos críticos do Brasil e entusiastas da sétima arte, e acompanhamos atentamente sua “aula de mestre”. Foi lição em cima de lição. O francês, que foi diretor de redação da revista Cahiers du Cinéma de 2003 a 2009 e é autor de diversos livros sobre cinema, foi inspirador. Lembrou que, a cada semana, quando novos filmes são lançados, são as pessoas que escrevem sobre eles as responsáveis …

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Em seu terceiro longa, Sandra Kogut retrata a aventura de uma mulher da Zona Sul pelo subúrbio carioca da cidade maravilhosa    Fotos: Divulgação

A felicidade mora longe

No Rio de Janeiro toda a gente espera. No caos de uma cidade que se tornou um canteiro de obras, primeiro com a Copa do Mudo, depois com os Jogos Olímpicos, a expectativa de dias melhores move o ir e vir, sempre muito tumultuado, de quem (sobre)vive na cidade dita maravilhosa. A pequena Rayane e seu irmão Ygor esperam a mãe que os deixou em frente a um prédio na endinheirada Zona Sul dizendo que voltaria logo. Nas mãos, a garota aperta um papel, com o endereço de dona Regina. É nesse encontra e se desencontra enquanto se espera que se desenrola “Campo Grande”, terceiro longa de Sandra Kogut. No filme, Ygor e Rayane são interpretados por Ygor Manuel e Rayane do Amaral, crianças que atuam com uma beleza e uma firmeza no olhar que impressionam. Assim como em seu …

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O filme islandês "Desajustados", do diretor Dagur Kári, sobre o quarentão obeso e solitário Fúsi, já ganhou três prêmios no Festival de Tribeca em 2015, por melhor narrativa, roteiro e ator Gunnar Jónsson (foto)    Fotos: Divulgação

A dança dos desajustados

A vida sempre nos apresenta novos caminhos, mas, geralmente, por medo ou preguiça, paramos em algum ponto e não saímos mais dali, metidos na tal da zona de conforto. É o que aconteceu com o grandalhão Fúsi (Gunnar Jónsson), que todos os dias come sucrilhos no café da manhã, vai trabalhar no setor de bagagens do aeroporto, volta para casa, dedica-se ao hobby das miniaturas da Segunda Guerra Mundial, e assim a vida vai passando. Aos 40 e poucos anos, ainda virgem, é tímido, bondoso e carrega em seu corpanzil toda a gentileza do mundo. Fúsi é o protagonista de um belo, singelo e imperdível filme da Islândia que tem feito sucesso no circuito alternativo com o terrível título de “Desajustados”. O título original do filme é justamente Fúsi. Para a questão sobre quem é “ajustado” ou “desajustado” nessa história …

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Em "O Décimo Homem", Ariel (interpretado por Alan Sabbagh) é um economista 
que vive em Nova York e faz uma visita a Once, o bairro argentino. majoritariamente judeu, onde ele cresceu      Fotos: Divulgação

Mais uma aula do bom cinema argentino

Há tempos que cinema argentino é sinônimo de bom cinema. A cada filme que chega às telas, fica cada vez mais evidente a capacidade dos cineastas “hermanos” de enxergar boas histórias no trivial, sem necessidade de firulas, efeitos ou apelação barata. Um dos diretores que ajudou a formar esse selo de qualidade é Daniel Burman, dos belos e tocantes “O Abraço Partido” (2004) e “Dois Irmãos” (2010), entre outros. Conferi seu filme mais recente, que no Brasil leva o nome de “O Décimo Homem”. No original, o título é “El Rey de Once” (sim, é difícil entender o critério que se usa para mudar os títulos dos filmes…). Once é o nome do bairro, majoritariamente judeu, em Buenos Aires, onde o protagonista cresceu. Ariel, interpretado por Alan Sabbagh, que está ótimo no papel, é hoje um economista que vive em Nova York. Com viagem marcada para visitar o …

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"Memórias Secretas” (Remember), o novo longa do diretor egípcio radicado no Canadá Atom Egoyan, é um suspense com final surpreendente e com elenco de primeira, como os veteranos Christopher Plummer (foto) e Martin Landau

O desfecho mais que inesperado de Memórias Secretas

Há tempos que um filme não gerava tantos comentários acalorados na saída da sessão para jornalistas. O desfecho de “Memórias Secretas” (Remember) é tão inesperado que foi preciso alguns minutos para digerir a revelação. O novo longa do diretor egípcio radicado no Canadá Atom Egoyan, do brilhante “O Doce Amanhã”, é um suspense daqueles que te faz remexer na cadeira. Muitas e muitas vezes. O filme tem um elenco de primeira, encabeçado pelos veteranos Martin Landau, de 87 anos, e Christopher Plummer, de 86 anos. Os vovôs, ou quem sabe bisavôs, mostram todo o seu talento no papel de dois sobreviventes de Auschwitz que vivem em um asilo. Na trama, Max (Landau) quer vingança. A vida toda planejou encontrar e matar o assassino de sua família no campo de concentração nazista. Encoraja seu amigo, Zev (Plummer), a ajudá-lo. O primeiro …

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