A Pensão da Tia Marilda para Rapazes Solteiros era, sem sombra de dúvidas, o fim do poço a que um desempregado crônico e cachaceiro como eu poderia chegar. Ou até não: abusando do restinho do salário-desemprego, até que consegui alugar um quartinho individual, dádiva, visto que naquela altura do campeonato, o que eu menos queria suportar seria dividir o espaço com outros losers iguais ou até piores do que eu. Historicamente funcionando sem alvará nem anjo da guarda no cinturão urbano em torno da antiga estação rodoviária, a pensão não fazia perguntas demais — e nem nós, os hóspedes, naturalmente. E tinha outra vantagem: ficava próxima do centro da cidade, o que facilitava muito minha atividade atual como camelô, que abracei havia alguns anos desde que levei um pé na bunda da firma onde trabalhava como almoxarife; a localização também …
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