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Aprendemos a consumir de uma forma imediatista e irresponsável; será preciso uma desintoxicação de anos de consumo sem filtro     Fotos: Mix Bazar

O que a sustentabilidade pode fazer por você

É estranho esse título. Ainda mais invertido. Geralmente é o que você pode fazer para a sustentabilidade. Fato é que está ficando insustentável viver como se não houvesse amanhã, consumindo e esgotando os recursos disponíveis para adquirir coisas e mais coisas em nome de uma satisfação imediata que nunca se esgota. Nos tornamos dependentes dessa rotina e estamos ficando cansados. Descobrir que a sustentabilidade é que pode fazer algo por nós é uma experiência libertadora: pensar sustentável propicia trocar a satisfação imediata por algo mais perene, o que acaba com boa parte de nossas angústias. Para tanto, é necessário diminuir o ritmo num compasso que permita ao menos mudar a chave do nosso modus operandi que está viciado na forma imediatista e irresponsável que aprendemos a consumir para um modelo mais consciente, um tipo de consumo amparado pela economia colaborativa, …

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O documentário “Finding Vivian Maier” (no Brasil, “A Fotografia Oculta de Vivien Maier”) mostra como a babá Vivian Maier atravessou uma existência anônima fotografando anônimos pelas ruas   Fotos: Vivian Maier/Maloof Collection

Por que você está me fotografando?

Todos querem aparecer na foto, principalmente aparecer “bem” na foto. E depois postar. Munidos de seus paus de selfie, posam para si mesmos, sorriem para o infinito, como se não houvesse amanhã. Mas, em uma esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, uma babá de mãos dadas com uma criança, saca o celular e tira fotos dos outros, dos que esperam o sinal abrir. “Por que está me fotografando?”, diz, com cara de poucos amigos, um turista que já abusou do sol causticante do Rio de Janeiro, que ainda não recebeu a chegada do Outono, como bem podemos sentir. O semáforo libera a passagem dos pedestres, interrompe, não há como saber se houve resposta, e todos caminham em direção à praia mais famosa do Brasil. Impossível não lembrar de Vivian Maier, que atravessou uma existência anônima fotografando anônimos pelas ruas, …

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"Sabor da vida", da diretora japonesa Naomi Kawase, destaca três personagens que, cada um ao seu modo, enfrentam a exclusão social   Fotos: Divulgação

O sabor da vida em um doce de feijão

  Elas chegaram em bando, com seus olhos puxados, ocuparam o centro da sala de cinema, abriram suas bolsas e compartilharam dorayakis, doce japonês que tem sabor de infância. “Está servida?” As duas pequenas panquecas recheadas com pasta de feijão estalaram na primeira mordida. Como não me lembrar das festinhas dos amiguinhos da escola? Venho de uma família de imigrantes italianos, mas tive a influência dos japoneses que encontraram sua chance em Osvaldo Cruz, no oeste do interior de São Paulo. E dorayakis eram para dias de festa. Pelo menos para mim, a garota do “cabelo de caracol”, como diziam. No filme que estava para começar, o doce seria o protagonista. Logo as senhorinhas trataram de se recompor, atentas aos avisos antes da sessão. “Sabor da Vida”, da diretora japonesa Naomi Kawase, começa logo com as cerejeiras em flor, símbolo …

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Marta Avancini, com sua filha Zoe: "Cada vez que vejo uma pessoa com Down trabalhando, ativa e, sobretudo, à vontade, me desperta uma esperança de que com minha filha de 9 anos, que também tem síndrome de Down, também será assim"   Foto: Adriano Rossa

Inclusão, uma questão de humanidade

Perdi minha carteira de motorista e tive de ir às pressas ao Poupatempo do Campinas Shopping para resolver a situação. Segunda-feira de manhã, uma semana inteira pela frente… Era preciso resolver com urgência! Entregues os documentos no guichê de atendimento do Detran, saí para dar uma volta e tomar um café, enquanto aguardava a liberação da carteira de motorista. Entro numa loja de roupas para passar o tempo e ouço: “Bem-vinda! Você conhece a nossa loja? Já tem nosso cartão?”. Olho à direita e enxergo um rapaz, um jovem com síndrome de Down, na recepção da loja. Uma alegria aquece o peito e um sorriso de esperança brota nos lábios. Sim, cada vez que vejo uma pessoa com Down trabalhando, ativa e, sobretudo, à vontade, me desperta uma esperança de que com minha filha de 9 anos, que também tem …

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